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O retorno da série Um Homem Uma Aventura

2024 tem sido um ano surpreendente em relação à série Um Homem Uma Aventura. Três editoras lançaram obras da série italiana lançada pela Sergio Bonelli Editore na década de 1970. Entre os mestres que fizeram parte da coleção estão Sergio Toppi, Milo Manara, Hugo Pratt e o brasileiro Jô Oliveira.

A coleção italiana Un Uomo un’Avventura (Um homem, uma aventura) foi publicada originalmente entre novembro de 1976 e novembro de 1980 pela Edizioni Cepim, atual Bonelli. A coleção foi idealizada pelo próprio Sergio Bonelli, com a curadoria de Dezio Canzio e contou com 30 edições luxuosas com os maiores nomes dos quadrinhos italianos, com a exceção de alguns estrangeiros. Cada volume trata de um período histórico diferente, descrevendo-o através da aventura de um homem, feito símbolo daquele momento.

Um dos maiores diferenciais editoriais dessa coleção dentro da Bonelli, é que Sergio deixou os direitos com todos os autores. Quando uma editora hoje vai negociar algum título de Um Homem, Uma Aventura, é preciso falar diretamente com quem detém os direitos das obras, incluindo os originais, não com a Sergio Bonelli.

No Brasil até agora foram publicadas dez das trinta edições italianas. A Editora Ebal lançou seis edições em 1978, em formato europeu. Iniciou com O Homem do Nilo, de Sergio Toppi e seguiu com O Homem da Legião, de Dino Battaglia, O Homem do Caribe, de Hugo Pratt, O Homem da Zululândia, de Gino D’Antonio, O Homem das Pirâmides, de Enric Siò e O Homem de Chicago, de Giancarlo Alessandrini.

Anos sem aparecer, somente em 2022 a coleção voltou ao mercado brasileiro através do selo Tortuga, da Memy Media. A editora republicou o Homem de Chicago em formato italiano na primeira edição da Biblioteca Bonelli, que depois trouxe histórias da série Le Storie. O Homem de Chicago não precisou ser negociado com quem detém os direitos da obra, pois a Bonelli republicou algumas edições de Um Homem, Uma Aventura na série Le Storie Cult. A edição da Memy é baseada na Le Storie Cult #111, com seis histórias de Alfredo Castelli. Outra edição que trouxe histórias da coleção foi a Le Storie Cult #108 onde foram publicadas duas histórias de Gino D’Antonio e Ferdinando Tacconi, O Homem do Deserto e O Homem de Rangoon.

O Homem de Chicago – Roteiro de Alfredo Castelli com desenhos de Giancarlo Alessandrini

No vácuo provocado pela Justiça corrupta que não ordenava a prisão dos poderosos gângsteres que a alimentavam, nasceram as “sociedades secretas”. Vigilantes civis em uma guerra privada contra os chefões do crime. “The Secret Six”, os seis desconhecidos, foi a mais famosa e misteriosa delas, na Chicago sem lei dos anos 1920.

E em 2024, o grande retorno da série. Primeiramente em fevereiro, quando a Editora Figura lançou, no sexto volume da Coleção Toppi, três volumes da coleção Um Homem, Uma Aventura na edição intitulada Revolucionários. Foi republicado O Homem do Nilo, que já havia saído pela Ebal, e os inéditos O Homem dos Pântanos e O Homem do México.

O Homem do México – Roteiro de Decio Canzio com desenhos de Sergio Toppi

Holly McCallister é uma jovem repórter de cinema que segue o pelotão de Pancho Villa para documentar suas façanhas lendárias. Um dia de maio, após o ataque a um trem, o grupo encontra um agente secreto americano, Jimmy Nolan. Ele traz consigo uma carta do governo americano, que afirma que os Estados Unidos estão dispostos a fornecer apoio logístico à causa dos revolucionários. Zapata, pessoa inteligente e reservada, rapidamente se torna amigo de Holly depois que o jovem responde na mesma moeda a uma provocação de Villa, com quem o revolucionário não se dá muito bem. Depois de alguns dias, Zapata decide aceitar as ofertas de Nolan: porém, quer mostrar ao americano a causa pela qual seu país lhe apoia e, portanto, leva-o para testemunhar a sangrenta expropriação de uma fazenda.

O Homem dos Pântanos – Roteiro e desenhos de Sergio Toppi

Erastus Whiteman, um ex-escravizado negro nascido de pele clara que graças a isso consegue fazer carreira como suboficial do exército do Norte, é denunciado por um oficial rude e racista que o deporta enquanto espera para ser julgado por uma corte marcial. Mas durante a viagem ele será poupado pelo líder de uma tribo de indígenas Seminoles cuja vida ele já salvou. Graças à essa ajuda, Whiteman poderá se livrar do uniforme e recuperar a liberdade.

O Homem do Nilo – Roteiro de Decio Canzio com desenhos de Sergio Toppi

Em dezembro de 1884, a capital do Sudão, Cartum, controlada pelos britânicos encontra-se sufocada pelos sudaneses liderados pelo “bem guiado” Mahdi. Neste ponto entra o jovem repórter de guerra Bob Wingate, vai ao local entrevistar o General Gordon que resiste em Cartum. O propósito da história é mostrar “o que aconteceu de verdade”, de como os mahdistas conseguiram dominar Cartum e matar o General Gordon. Oferecendo uma versão, incrivelmente retratada por Toppi, deste grande mistério da História.

Em maio, a Editora Trem Fantasma e o selo Lorobuono Fumetti realizaram uma campanha através do Catarse para o lançamento de O Homem de Canudos, com argumento, roteiro e diálogos por Wanderley Diniz e desenhos e cores por Jô Oliveira. A única edição escrita e desenhada por brasileiros da coleção. A campanha foi bem sucedida e em breve as edições chegarão aos apoiadores.

O Homem de Canudos – Roteiro de Wanderley Diniz com desenhos de Jô Oliveira

No final do século XIX o sertão nordestino era assolado por seca, fome e violência. Após ver sua família ser morta por jagunços, Pedro se encontra em uma sinistra espiral de vingança e redenção, até que seus passos cruzam com os de Antônio Conselheiro. Naqueles dias, “o sangue correrá como rio no sertão” e as forças da recém instaurada República avançam sobre o “messias de Canudos” e seus seguidores. A história mostra Pedro tentando sobreviver ao embate que marcou para sempre a História do Brasil.

Neste mês de junho foi lançado pela Editora Comix Zone Odisseias Iniciáticas, obra que reúne duas obras de Milo Manara, O Homem de Papel e O Homem das Neves, esta última lançada na coleção Um Homem, Uma Aventura, em novembro de 1978.

O Homem das Neves – Roteiro de Alfredo Castelli com desenhos de Milo Manara

Uma expedição inglesa, liderada pelo coronel Charles Howard-Bury, tentou chegar ao cume do Everest em 1921. A quase sete mil metros foram encontradas estranhas pegadas, que pareciam pertencer a um animal gigantesco: os sherpas recusaram-se a continuar por medo de um ser que chamam de “metch kangmi” ou “repugnante boneco de neve”. A partir daí, a lenda do Yeti começou a se espalhar. O protagonista da história é Kenneth Tobey, jornalista do Daily Telegraph que escreveu o artigo inspirado no envio dos montanhistas ingleses. Keneth teve a oportunidade de se juntar à expedição para subir o Everest, mas foi interrompida por uma avalanche e ele precisou encontrar refúgio em um mosteiro budista. A história mostra a tentativa de fuga do mosteiro e os perigos que a montanha oferece a quem desafia seu isolamento extremo.

Em 2025, ainda não anunciado pela editora que terá o nome aqui preservado, será lançado O Homem das Filipinas com Ivo Milazzo nos desenhos e Giancarlo Berardi no roteiro. Dupla que criou Ken Parker.

O Homem das Filipinas – Roteiro Giancarlo Berardi e desenhos de Ivo Milazzo

Após a Guerra Hispano-Americana de 1898, as Filipinas ficaram sob o controle dos Estados Unidos, e é nesta época que se passa o enredo deste volume. O presidente William McKinley e seu vice Theodore Roosevelt decidiram enviar 120 mil soldados para conter as revoltas em busca de independência. Um civil nova iorquino, James Stappleton desembarca na ilha para ajudar o Coronel Harris, que tentava iniciar uma negociação de paz.

A coleção ainda contém várias pérolas não conhecidas pelos brasileiros como O Homem de Pskov, de Guido Crepax, que conta a história do tenente Aleksei Orlov. A história explora a marcha do General Yudenic, do Exército Branco com o objetivo de conquistar Moscou durante a Guerra Civil Russa de 1918.

A Pipoca & Nanquim está publicando uma Coleção Crepax, negociando diretamente com os espólios das obras do italiano, porém ela segue a coleção da Fantagraphics que até o momento já chegou à oitava edição, sem republicar O Homem de Pskor. Crepax também publicou O Homem do Harlem em 1979 para a coleção Um Homem, Uma Aventura.

O Homem da Nova Inglaterra, de Dino Battaglia que conta a história de Christopher Nightly, um jovem entusiasta de caça, forçado a deixar a Inglaterra às pressas devido a um jogo de cartas que terminou mal. Viaja até Boston onde acaba vivendo desventuras na América durante o período colonial, enfrentando ataques indígenas e precisando sobreviver nas imponentes florestas coníferas.

O Homem do Sertão, com roteiro e arte de Hugo Pratt traz uma história desafiadora e surreal ambientada em 1938 no Nordeste brasileiro. A região muito pobre vive em meio ao conflito dos cangaceiros e os soldados do governo. A jovem e selvagem Satãnhia é namorada de Gringo Vargas, um dos líderes rebeldes, e é irmã de Sabino, que trai seus companheiros e provoca a morte de Gringo e de todos os cangaceiros. Gringo Vargas só poderá ir em paz ao reino dos mortos se conseguir se vingar matando o traidor Sabino. Mas Sabino é morto pela irmã, Satãnhia. Um drama que envolve amor e tradições em uma história muito bem elaborada por Pratt.

E um dos mais incríveis títulos da coleção, O Homem de Iwo Jima, de Gino D’Antonio, autor de História do Oeste recém lançado pela Editora Saicã. A edição traz a história de Joe, um soldado que está na ilha de Iwo Jima nos primeiros meses de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. Joe se junta a um pelotão liderado pelo Sargento Stagg, um homem cínico e um fanático belicista. O objetivo deles é conquistar o Monte Suribachi, reduto do exército japonês. Uma missão brutal que representará uma luta contínua de Joe contra seus princípios.

A coleção ainda conta com obras de Ferdinando Tacconi, Attilio Micheluzzi, Bonvi, Renato Polese e até do próprio Sergio Bonelli e Aurelio Galleppini. Quem sabe nos próximos anos tenhamos a chance de adquirir toda essa histórica coleção, independente de quantas editoras forem publicar.

 

Julia retorna acompanhada de Myrna

No final de maio a Editora Mythos anunciou que vai retornar com a publicação de Julia – Edição Limitada, como costumava fazer. A série traz Julia desde o início em formato italiano sendo publicadas cinco edições por vez. A última leva foi em maio de 2023, onde foram lançadas as edições do número 31 ao 35.

Mesmo entrando no mês de junho, o anúncio da pré-venda das novas edições ainda não havia saído, gerando preocupação entre os fãs da criminóloga. Porém, em live realizada nesta quarta-feira (12) no canal Poptopia, a responsável pelo Marketing da Mythos, Joana Russo ressaltou que houve um atraso ao fechar o orçamento das edições, “mas elas devem entrar em pré-venda entre os dias 20 a 25 de junho”, explicou.

Julia nos últimos anos teve várias séries publicadas pela Mythos além do retorno da série regular em formato italiano. Já saíram duas Graphic Novels, dez Júlia Especial e a série que era publicada em formatinho passou a ser publicada em formato italiano em Júlia Nova Série com lançamento bimestral. A edição foi zerada e começou publicando a partir do número #200 italiano.

Segundo o cronograma publicado no Blog do Tex, que trouxe o planejamento editorial da Mythos para 2024, Julia Nova Série #25 era para ser publicada em abril, mas não foi. A editora em suas redes sociais ressalta que este cronograma pode sofrer alterações durante o ano. A previsão é de que a pré-venda de Júlia Nova Série #25 seja em julho para ser lançada em agosto, para assim não sobrecarregar os leitores.

Capa da edição #224 italiana, que será publicada em Julia Nova Série #25.

A republicação da série regular em formato italiano, chega às edições 36 a 40. Entre elas o tão aguardado retorno da grande vilã de Julia, Myrna Harrod e uma história que reimagina o clássico de John Ford, “Nos Tempos das Diligências” em um ônibus. Abaixo estão as edições que serão publicadas com breves sinopses.

Julia #36 – O Pequeno Ladrão

Roteiro de Giancarlo Berardi com arte de Marco Soldi e Laura Zuccheri

Skip é um menino diferente dos outros. Filipino, órfão, mora com um tutor que chama de “tio” Ernie, ex-ladrão que lhe ensina e o acompanha em ousados roubos a apartamentos. Em uma dessas incursões, Skip encontra um envelope com fotos… fotos que alguém está disposto a matar por elas. Pego em flagrante por maus elementos que estavam atrás das fotos, Skip consegue escapar deles, direto para os braços da Polícia.

Preso, Skip não fala nada, mas está em um lugar seguro pelo menos, já que os criminosos querem calar sua boca e recuperar o que perderam. Mas em breve, Skip irá conhecer um anjo da guarda, que lida com criminologia, toca piano nas horas vagas e atende pelo nome de Julia Kendall.

Curiosidade: A história de Skip ganha uma tensa continuação em Julia #147, Pequenos Ladrões, já publicada no Brasil em J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #128, em 2017.

Julia #37 – Assassinos se aposentam?

Roteiro de Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero com desenhos de Claudio Piccoli e Alberto Macagno.

Um idoso simpático, muito amável, que todas as manhãs cumprimenta sua esposa com uma rosa…recebe uma CARTA-BOMBA. Por quê?

Julia e o tenente Webb ao investigarem a explosão que custou a vida da esposa Lucy Bernstein e o desaparecimento do velhinho, Frank D’Angelo, seu marido, descobrem que as coisas não são tão simples. A chave para o caso está no passado de Frank, que, por ter uma vida aparentemente tão monótona, acaba dificultando montar esse quebra-cabeça que vai demandar muito empenho da nossa criminóloga.

Julia #38 – O Crime está no ar

Roteiro de Giancarlo Berardi com arte de Giancarlo Caracuzzo.

True Crime é uma febre, com um enorme público, mas nunca antes falar de crimes na TV foi tão real. Um assassino sofre um AVC na frente de milhares de telespectadores, uma morte inesperada, embora no momento e local ideal, em um programa de TV sobre crimes. O acontecimento causa enorme consternação entre o público e os participantes.

Para lidar com este caso ao vivo está o célebre apresentador Rod Givens, e entre os convidados está o tenente Alan Webb, o promotor público Robson e nossa criminóloga, Julia Kendall.

Julia #39 – Bem-vinda de volta, Myrna!

Roteiro de Giancarlo Berardi com desenhos de Laura Zuccheri

As três primeiras edições da série Julia Kendall nos apresentaram uma vilã envolvente e perturbadora. A serial killer Myrna Harrod. Após deixar um rastro de sangue, Myrna finalmente foi capturada, passou três anos em uma prisão de segurança máxima, mas, está de volta à ação. Nesta edição acompanhamos sua fuga e, mais cruel e perigosa do que nunca, buscando vingança contra sua velha amiga, Julia Kendall.

Julia #40 – Na estrada para Lordsburg

Roteiro de Giancarlo Berardi com desenhos de Maurizio Mantero

Julia e Emily estão viajando de ônibus com destino a Lordsburg, Novo México. Entre os passageiros está uma mulher no nono mês de gravidez, um senhor idoso e perplexo na companhia de sua esposa. Uma jovem meticulosa, ainda solteira e vários exemplos da raça humana. Até que dois assaltantes em fuga, acabam matando um policial e sequestram este ônibus, na tentativa de se livrarem dos problemas, porém transformam a viagem em um inferno.

Esta história é uma reimaginação do clássico de John Ford, “No tempo das diligências” (1939), que por sua vez é baseado no conto “The Stage to Lordsburg” (1937), de Ernest Haycox.

 

Duas vezes Milazzo pelas Editoras Figura e Trem Fantasma

O artista italiano Ivo Milazzo terá duas obras lançadas por duas editoras diferentes. A primeira é “Um Dragão em Forma de Nuvem”, lançamento pela Editora Figura em campanha no Catarse. E o segundo é “Tina Modotti – Reflexos de uma vida”, lançado pela Trem Fantasma através do Clube do Trem e que já está sendo entregue.

Milazzo é um dos criadores de Ken Parker, famosa série de quadrinhos western que o lançou ao estrelato. Inicialmente publicada pela Sergio Bonelli Editore (então Editoriale Cepim), Ken Parker é atualmente publicado pela Editora Mythos no Brasil. Mas sua carreira vai muito além e entre outros trabalhos de sucesso está “O homem das Filipinas” publicado na coleção Um Homem, Uma Aventura, Welcome to Springville e Tiki – O Menino Guerreiro, obra que conta a história de um jovem indígena Carajá que viu sua aldeia ser dizimada devido às obras da Rodovia Transamazônica. O trabalho de Milazzo também pode ser visto nas séries da Bonelli Nick Raider, Mágico Vento e também no Tex Gigante #13 – Sangue no Colorado.

Em 2014 Milazzo publica pela Edizioni NPE Un Drago a Forma di Nuvola (Um Dragão em Forma de Nuvem), quadrinho que está sendo lançado pela Editora Figura em 104 páginas coloridas, capa dura em formato 20×26 cm. A obra na verdade é um roteiro de filme inédito do diretor italiano Ettore Scola, que desistiu de levá-lo ao cinema e em vez disso, procurou Milazzo para quadrinizá-lo. Scola é o diretor de sucessos como “Nós que nos amávamos tanto” e “Feios, sujos e malvados”. Um  Dragão em Forma de Nuvem chegou a ser oferecido à editoras brasileiras quando Milazzo esteve no Brasil em 2013 no FIQ, mas nenhuma teve interesse

A proposta de realizar o quadrinho surgiu justamente no momento em que Milazzo buscava novos desafios criativos. A obra conta a história de Pierre, um bibliófilo talentoso que vive na parte de cima de sua Livraria, L’Encrier et la Plume (O Tinteiro e a Pena), em Paris. Cria sua filha, Albertine, tetraplégica desde a infância. Albertine não anda, não se move e não fala, mas é uma das vozes narrativas da trama. Ela vê o pai às voltas com as dificuldades de mantê-la e analisa tudo sem autoindulgência. É alimentada por um acervo literário inesgotável que a torna irônica e brilhante. Passa as tardes ouvindo a Norma, de Bellini, com a soprano Maria Callas.

A vida de Pierre é marcada por uma rotina tranquilizadora de pequenos hábitos. Porém, quando uma jovem entra em seu caminho, sua vida muda completamente. Milazzo comenta no texto introdutório que estará na edição da Figura, que o roteiro o levou às lágrimas. “A história, aparentemente desprovida de reviravoltas, mas contendo uma situação humana completamente singular, expressa uma sensibilidade existencial que envolve quem a lê”.

Em 2021 Milazzo cria mais uma grande obra, “Tina o Maria – Riflessi di una vita”, que será publicada pela Editora Trem Fantasma com o título “Tina Modotti – Reflexos de uma vida”. A obra tem colaboração de Anna Rita Graziano nos textos e foi publicada também pela Edizioni NPE.

Na conturbada primeira metade do século XX, Tina Modotti (1896 – 1942) foi uma das figuras mais fascinantes de sua época. Estrela em Hollywood, fotógrafa, guerrilheira e espiã. Viveu intensamente entre paixões, perigos e artes. Modotti sempre esteve envolta em mistérios e, nessa obra, descortinam-se os fatos que contribuíram para a construção da lenda. Como fotógrafa, por exemplo, enquanto vivia no México, Tina envolveu-se progressivamente no ativismo político, testemunhando a exploração da classe trabalhadora desde a infância, aprendendo sobre as condições precárias do povo de uma nação que recentemente havia saído de uma revolução.

Milazzo explica que a ideia de uma história em quadrinhos dedicada a Modotti partiu do roteirista de televisão, Valerio Peretti Cucchi. Interessado na figura de Modotti desde a década de 1990, num período histórico em que as informações sobre a fotógrafa eram ainda mais nebulosas do que hoje e seu nome havia caído no esquecimento da história,  Peretti mencionou seu projeto a Milazzo dias antes de sofrer um ataque cardíaco.

A ideia permaneceu engavetada até a esposa de Peretti, Anna Rita Graziano – que aparece como co-autora do quadrinho – solicitar a Milazzo que realizasse o projeto. Milazzo então iniciou um difícil trabalho de pesquisa histórica sobre Modotti, que teve o ponto alto quando recebeu a colaboração de uma comissão de Udine, Itália, terra natal de Tina, dedicada à memória da ativista e fotógrafa. Milazzo encontrou então uma bibliografia curta e de fácil acesso, que o ajudou a compreender os acontecimentos pessoais e políticos de Modotti.

Reflexos de uma Vida narra os momentos marcantes e mais bem documentados da vida de Modotti, através de uma série de episódios que valorizam sua história humana e colocam a mulher no centro, antes mesmo de seu compromisso político e social. A história de Milazzo restaura assim a imagem de uma figura “de olhar triste”, como a descrevem muitos biógrafos, misteriosa, fascinante, mas testada pela dor de muitas perdas emocionais, causada por ter sido testemunha ocular de um período histórico muito feroz. Uma mulher que lutou para encontrar uma dimensão existencial que estivesse próxima dos seus próprios ideais éticos e políticos.

Um dos diferenciais da obra, é que Milazzo incluiu as fotos originais de Tina entre os quadros da história. A edição publicada pela Trem Fantasma tem 112 páginas em cores e preto e branco, no formato 20x28cm e está disponível no link do Clube do Trem: https://celcash.celcoin.com.br/editorafantasma/tinamodotti

Um  Dragão em Forma de Nuvem está em campanha no Catarse e pode ser apoiado até o dia 5 de julho pelo link: https://www.catarse.me/milazzo_micheluzzi

 

A Confraria Bonelli junto à Editora Trem Fantasma fará uma Live neste domingo (9), a partir das 20 horas para falar da obra Tina Modotti – Reflexos de uma vida. A live contará com a participação de Marcello Fontana e Guido Morais, editores da Trem Fantasma, Silvio Raimundo, fã e tradutor e a cartunista Lu Vieira, e será mediada por Ricardo Elesbão. Durante a live será sorteado um bookplate autografado por Ivo Milazzo para membros do Clube do Trem.

Tigre Negro ataca novamente

A Editora Mythos anunciou para este mês de junho, Tex #656/21 que traz a história “O Tigre ataca outra vez”. Com roteiro de Mauro Boselli e arte de Andrea Venturi, o volume traz o primeiro capítulo de uma saga em quatro edições. Mas, vamos primeiro dar um longo passo para trás: no início da década de 1990.

Em Tex #381, publicado em julho de 1992 surgia o Tigre Negro na história “Il Regno del Silenzio”. História escrita por Claudio Nizzi com desenhos de Claudio Villa. O Tigre Negro é Sumankan, o Malaio, claramente inspirado no personagem Sandokan, O Tigre da Malásia. Personagem criado pelo italiano Emilio Salgari que deu origem a onze aventuras, a primeira publicada em 1883. Sandokan é um pirata do século XIX que combate o Império Britânico e a Companhia das Índias.

Já Sumankan, é um Príncipe exilado que decide fundar um império criminoso, para que um dia consiga reconquistar seu reino que foi perdido durante a luta contra os colonizadores europeus. Tex e Carson, claro, atrapalham e arruínam seus planos. Esta foi uma grande aventura que durou quatro edições. No Brasil, o Tigre Negro estreou em Tex #291, da Globo, em janeiro de 1994 e mais recente a aventura foi publicada completa em Tex: Os Fanáticos do Tigre Negro, pela Editora Panini em 2021.

Ao final da trama, que ainda contou com os desenhos de Fabio Civitelli e Andrea Venturi, o Tigre é atingido e cai nas pedras. O mistério que fica é: será que ele morreu?

Boselli dá continuidade ao trabalho de Nizzi nesta nova quadrilogia e confia novamente os desenhos a Andrea Venturi. O único dos três desenhistas disponível quando a história entrou em produção.

O início da trama já mostra que o Tigre está vivo e libertando alguns prisioneiros. (Isso não é Spoiler já que o título é: O Tigre Ataca Novamente). E logo em seguida é mostrado como ele conseguiu sobreviver (aqui sim, nada de spoilers por razões óbvias). Tex e os pards estão indo a Nova Orleans a pedido de Nat Mac Kennet para investigar alguns casos que envolvem os comparsas de Tigre.

Boselli joga várias peças de um quebra cabeça muito maior. Algo semelhante ao que fez na saga que envolvia Mefisto e Yama. São apresentados vários personagens-chave, como a bela Lohana tecendo intrigas e o velho Omoro se dedicando a rituais antigos.

A edição é permeada por uma profunda atmosfera onírica e teatral: o Tigre usa uma máscara e muitos personagens fingem ser algo que não são. Os leitores são envolvidos em tramas e mistérios, convidados a participar ativamente da investigação. Boselli explora, apesar de resgatar uma história antiga, algo novo das habituais histórias do ranger.

A edição já está em pré-venda no site da Editora Mythos. AQUI

 

Capas italianas das próximas edições da quadrilogia Tigre Negro.

Panini anuncia Tex O Retorno de Lupe

A Editora Panini anunciou para o mês de agosto o lançamento da edição Tex – O Retorno de Lupe, que fará parte da coleção Biblioteca Tex. A Editora já lançou até agora quatro volumes desta coleção e dois volumes de Tex Willer, todos em capa dura e formato americano. Mas diferente destas edições, onde todas são coloridas, O Retorno de Lupe será em preto e branco.

Publicada originalmente em 2017 na Tex #682 e #683, O Retorno de Lupe saiu no Brasil ainda em formatinho pela Editora Mythos em Tex #582 e #583 (A Prisioneira do Deserto), em 2018. Essas edições nunca foram publicadas em outro formato na Itália, somente na mensal. A Panini irá publicar em 224 páginas as duas edições que compõem a história completa.

Com roteiro de Mauro Boselli e desenhos de Alessandro Piccinelli, a capa é de Claudio Villa. Esta é mais uma aventura onde revisitamos antigos personagens do passado de Águia da Noite. Boselli, editor de Tex, criador da série Tex Willer Jovem, já havia recuperado figuras como Yama, Jehtro Stevens e chegou a vez de Lupe Velasco.

A mexicana foi criada por Gianluigi Bonelli e Aurelio “Galep”Galleppini nas primeiras histórias de Tex. Uma garota charmosa e determinada e segundo o próprio Tex, com uma “cabecinha maluca”, mas muito capaz de cuidar de si. Tex conheceu Lupe antes mesmo de encontrar seu grande amor, Lylith.

Uma das edições onde Lupe aparece pela primeira vez.

O que não se sabe é que após a morte de Lylith, Tex reencontrou Lupe. Este acontecimento ocupa quase inteiramente a primeira parte da história criada por Boselli, que remonta um período em que Tex retomou uma vida errante, indo em direção ao México. No presente, porém, a jovem Luz, filha de Lupe, é encontrada quase morta no deserto. Na segunda parte da história descobrimos que ela foi até Tex e seus pards para pedir ajuda em um assunto que diz respeito a Lupe, o que os leva a enfrentar um rancheiro que exerce seu poder com punho de ferro.

A primeira parte é ocupada por um longo flashback onde Tex conta aos curiosos pards seus momentos com Lupe, e a segunda parte acontece quase inteiramente no presente e mostra o que aconteceu com Lupe e seus filhos nos últimos anos. A obra de Boselli transita entre os diversos planos temporais sem causar dor de cabeça ao leitor e demonstra cuidado extremo e notável atenção à dinâmica entre os personagens.

Os filhos de Lupe, Ruben e Luz, tem um desenvolvimento muito bem construído. Mas o grande momento da história é o reencontro entre Tex e Lupe. A importância das figuras femininas também é ressaltado ao longo da trama, algo que Boselli regularmente traz em seus roteiros.

Sem sombra de dúvida os desenhos de Alessandro Piccinelli é decisivo para a história. Seu estilo satisfaz e entusiasma até os leitores mais exigentes e amantes de histórias clássicas. Piccinelli já provou que é herdeiro do inesquecível Gallieno Ferri em suas capas de Zagor. Em O Retorno de Lupe ele domina a história com seu traço, capaz de transmitir as emoções e a força das cenas criadas por Boselli.

Esta edição confirma, mais uma vez, que a série regular de Tex é garantia de qualidade, difícil de contestar, onde surgem grandes clássicos a todo momento.

 

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