
Publicado no Brasil pela Record em 1991.
“A Beleza do Demônio” é a sexta história do Omnibus de Dylan Dog lançado pela Editora Mythos. Concluindo a série de matérias especiais que a Confraria Bonelli preparou para este material com o intuito de aprofundá-la através das várias referências ao cinema e à cultura geral presentes na obra de Tiziano Sclavi.
Para cada matéria foi criado um cartaz de filme, do qual tem alguma relação com a história mencionada. Em “A Beleza do Demônio”, o cartaz foi inspirado no do filme “A Beleza do Diabo” (1950), de René Sinclair.
Dylan Dog – A Beleza do Demônio. Publicado originalmente em Dylan Dog – La bellezza del Demonio de 1º de março de 1987. Roteiro de Tiziano Sclavi, arte de Gustavo Trigo e capa de Claudio Villa.

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Larry Varedo era o melhor assassino profissional antes daquele fatídico dia em 1945. Um assassino frio e calculista, mas quando lhe contratam para matar Mala Behemoth, seu gelo derrete. Ela era tão linda, inatingível, quase como um fantasma ou.. um demônio! Dylan Dog irá precisar mergulhar nas areias do passado e até mesmo alcançar as profundezas do inferno para poder encontrá-la para Larry.
Claudio Villa retrata na capa um demônio visto de costas. Este demônio poderia ser inspirado em O Senhor das Trevas, interpretado por Tim Curry em “A Lenda” (1985), filme de Ridley Scott estrelado por Tom Cruise.

O título da obra, como mencionado no editorial da edição original, é inspirado em “A Beleza do Diabo” (1950), de René Sinclair. O filme é uma adaptação cinematográfica do poema trágico Fausto, de Goethe. Fausto é mencionado na história: “Eu chamo o Diabo, e ali está ele, parece até aquele romance… como se chamava? FAUSTO”.

Nessa obra, o personagem Mefistófeles (o diabo) aposta com Deus que Fausto tem um preço para a sua alma, como qualquer outro humano. Assim, Mefistófeles faz um trato com Fausto: satisfará todos os seus desejos em troca de sua servidão após a morte.
O clássico detetive noir

Jerry Lace, o homem com o rosto de Humphrey Bogart.
O assassino profissional, Larry Varedo é inspirado em muitos personagens do cinema e da literatura noir. Porém a referência mais próxima pode ser Luca Torelli, o Torpedo. Personagem da série em quadrinhos de Enrique Sánchez Abuli com desenhos de Alex Toth e Jordi Bernet. Torpedo foi publicado no Brasil pela Editora Figura e pela JBraga.
A natureza fantasmagórica de Larry também pode se referir ao Humphrey Bogart interpretado por Jerry Lacy em “Sonhos de um Sedutor” (1972) de Woody Allen. Neste filme, o crítico de cinema Allan (Woody Allen) entra em depressão depois que sua esposa o abandona. Ele busca consolo nos filmes que ama enquanto imagina Humphrey Bogart (Lacy) lhe dando conselhos de como lidar com as mulheres, sendo que estes conselhos são desprovidos de qualquer sutileza. Seu amigo Dick e a esposa Linda o encorajam a conhecer novas mulheres, mas com a sua personalidade frágil nenhuma tentativa funciona. Tudo piora quando Allan começa a ter sentimentos por Linda, passando a se sentir culpado.
O sobrenome, Varedo, vem de um município da Lombardia, na província de Monza e Brianza, não muito longe de Broni, cidade natal de Tiziano Sclavi. Na página 9 Varedo usa a palavra “Pula”, uma gíria usada na Itália para se referir à Polícia Estadual. Além disso, o nome da protagonista feminina, Mala, refere-se tanto ao conceito de mal, quanto à gíria para “submundo” do crime.
É daí que surgiram as tais “Canzoni della mala”, ou Canções do Submundo, na Itália. Um repertório popular de canções que apresentam canalhas, policiais, criminosos, presos, etc…. Idealizadas por volta de 1957/59 por Giorgio Strehler, com alguns autores de prestígio, entre eles a cantora Ornella Vanoni que levou estas canções ao sucesso.
Amor de mãe

Henry Travis como Clarence Oddbody.
O homenzinho, o pobre diabo que contrata Varedo apenas para se arrepender, chama-se Clarence Oddbody, exatamente como o anjo enviado por Deus a George Bailey, interpretado por James Stewart no filme de 1946, A Felicidade Não Se Compra. No filme, Clarence é um espírito candidato a anjo que recebe a missão de ajudar um homem muito valoroso, porém desiludido. George Bailey está à beira do suicídio quando é salvo por Clarence, que lhe mostra como ele é importante na vida de muitas pessoas.
O cadáver embalsamado do homem é uma alusão ao filme “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock. Porém a mãe e o filho psicopata aqui estão com os papeis invertidos. A mãe obesa e possessiva de Clarence pode vir de vários personagens. Uma é a Mama Fratelli, de Os Goonies (1985), interpretada por Anne Ramsey, que terá papel semelhante em “Jogue a Mamãe do Trem” (1987), com Danny Devito e Billy Cristal.

Anne Ramsay como Mama Fratelli em Os Goonies.
Na página 53 Dylan cita um dos famosos aforismos de Oscar Wilde: “Nada do que realmente acontece tem a menor importância.
A música que Dylan ouve em seu estúdio, na página 63 é Phantom’s Theme, de Paul Williams. Música que faz parte da trilha sonora do filme “O Fantasma do Paraíso” (“Phantom of the Paradise”, 1974) de Brian de Palma.

Por sua conta e risco

Behemoth, criatura presente na Bíblia.
A mulher que Varedo quer encontrar, Mala Behemoth, tem um sobrenome peculiar. Não é um dos nomes do diabo como Dylan menciona, mas sim uma gigantesca criatura lendária, mencionada, entre outras fontes, no Livro de Jó, na Bíblia.
Mala está hospedada no Hell’s Hotel (Hotel do Inferno), que fica na Rua do Paraíso, número 666 (número da Besta, segundo o Apocalipse de São João). Em outras palavras, entre o céu e o inferno.
Os demais sobrenomes presentes nas caixas de correio do condomínio onde Mala mora referem-se a escritores famosos: Burroughs, pode ser William S. Burroughs (autor de Junky e Almoço Nu), ou Edgar Rice Burroughs (criador de Tarzan e John Carter). Stevenson seria Robert Louis Stevenson (autor de A Ilha do Tesouro) e Conrad para Joseph Conrad (Coração das Trevas). Wilde para Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Gray).

O feitiço recitado para evocar Mala, “Saday Agios Other Agla Ischiros Athanatos”, é a parte final de um feitiço de evocação contido no manuscrito denominado Opération des Sept Esprits des Planètes, guardado na Biblioteca do Arsenal, em Paris.
A invocação completa diz… leia por sua conta e risco:
“Eu te conjuro, N… (nome do demônio invocado), em nome do grande Deus vivo que criou o céu e a terra e tudo o que neles está contido e em nome de seu único Filho, redentor da raça humana, e do Espírito Santo, consolador benigno, e pelo poder do Empíreo Celestial, aparecer-me imediatamente e sem demora, e com uma aparência agradável, e sem ruído, e sem dano à minha pessoa e aos que me acompanham, e para que faça tudo o que eu lhe ordenar. Eu te conjuro, pelo Deus vivo, El, Ehome, Etrha, Ejel aser, Ejech, Adonay Iah Tetragrammaton Saday Agios outro Agla ischiros athanatos. Amém Amém Amém!”

Quando Dylan fala “Há quem diga que a vida de todo mundo é só um sonho”, ele pode estar se referindo a peça “A Tempestade” de Shakespeare, quando Próspero recita o famoso: “Nós também somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos; e nossa curta vida está contida no espaço de um sonho”.

Mas, mais provavelmente é apenas uma citação à peça teatral “A Vida é Sonho”, de Pedro Calderón de la Barca, que narra as aventuras de Segismundo, filho renegado de Basílio, rei da Polônia que ao nascer é trancado em uma torre. Seu único contato com o mundo externo é Clotaldo, seu guardião e fiel servo de seu pai.
Nosso Ariano Suassuna, intelectual, escritor, filósofo, dramaturgo, romancista, artista plástico, ensaísta, poeta e advogado brasileiro, autor de O Auto da Compadecida e que costumava usar camisa vermelha e blaser preto, em uma de suas várias palestras pelo Brasil já falou sobre esta obra:
“A Beleza do Demônio” lembra o filme “Coração Satânico” (1987), que parece ecoar por toda a história. Detetive, clima noir, sobrenatural, elevador com porta pantográfica idêntica… Porém, por ser lançado no mesmo ano da obra, dificilmente teve alguma influência na história de Sclavi, já que as histórias da Bonelli são sempre realizadas um ano antes. “Coração Satânico” é baseado no romance “Falling Angel” do escritor americano William Hjortsberg, também autor do roteiro de A Lenda, de Ridley Scott.
Na página 46, o último quadro faz uma alusão ao quadro “Lamentação sobre o Cristo Morto”, de Andrea Mantegna. O restante da página pode ser uma referência à obra de Alfred Kubin e Grandville, em particular “O Sonho de Crime e Castigo” de 1847.



“O Sonho de Crime e Castigo” de Alfred Kubin e Grandville.
O contraponto resultante do patriarcado
Sclavi nos traz uma discussão moderna e bem elaborada sobre o patriarcado usando as duas personagens femininas da história. A mãe e a sedutora. A primeira é amada, a outra desejada, mas nenhuma é respeitada como indivíduo. Ambos os papeis oprimem as mulheres e as reduzem ao aspecto da sua existência que serve para satisfazer apenas as necessidades dos homens.
Mala, a sedutora é literalmente um demônio. Fascina o assassino Larry, Clarence e naturalmente Dylan. “A Beleza…” é uma história policial noir, e Mala é a clássica Femme Fatale. Ela está na Terra pois foi “conjurada” em 1782 e está prestes a retornar ao inferno graças ao término do prazo da convocação. Sua aparência é belíssima, e seu rosto é desprovido de qualquer emoção. É um objeto, um prêmio a ser conquistado, e quando nega os homens, ela é demonizada por isso.
Sua antagonista é a mãe de Clarence. Uma mulher grande, obesa e feia. Por causa de seu amor possessivo e obsessivo, ela embalsamou o cadáver de Clarence quando ele morreu de câncer e fingiu que ele ainda estava vivo. Apesar de toda a dedicação e declarando todo seu amor pelo filho, ele a acusa de ser má. “Seu amor me machucou. Me fez continuar sendo uma criança assustada. A culpa é sua mãe”, diz Clarence. Quais são as vontades da Sra. Oddbody? Seus sonhos, traumas, gostos ou sua história? Ela vive pelo seu filho e como indivíduo está reduzida à isso, como o papel de mãe que a sociedade patriarcal impõe.
O patriarcado é um sistema sociopolítico que coloca os homens em situação de poder, ou seja, o poder pertence aos homens. Com gênero masculino e a heterossexualidade como superiores em relação a outros gêneros e orientações sexuais. Por isso, é possível verificar uma base de privilégios para os homens.
Desta forma, o contraponto que Sclavi cria na história, da perseguida e linda Demônia, e da possessiva e cruel Mãe, e a relação delas com os homens da história reflete como a sociedade impõe valores, na maioria das vezes fruto do desejo dos homens, sem levar em consideração o desejo das mulheres.
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Os Matadores é uma crítica social pesada de Tiziano Sclavi em uma história cruel de Dylan Dog. Uma sociedade refém de um terror homicida onde assassinos podem surgir até nos lares mais “perfeitos”. O mal adormecido em cada um pode, se adequadamente estimulado, surgir com toda sua fúria.
Para cada matéria foi criado um cartaz de filme, do qual tem alguma relação com a história mencionada. Em “Os Matadores” o cartaz foi inspirado 
Pode uma história de mais de trinta anos ainda ser social e politicamente atual? Relendo “Os Matadores”: certamente! Londres é invadida por uma onda de “violência e derramamento de sangue” (
O calor enlouquece homens e mulheres. E nada melhor do que o verão para sair matando. A estação convida a todos a sair de suas casas e se encontrar, mesmo na fria metrópole inglesa. Todos estão loucos, exceto um excêntrico Lord Inglês que bate à porta do Investigador do Pesadelo. Um dos personagens coadjuvantes mais queridos da série, Lord Wells.
Ele se apresenta como o inventor de um detector de maldade. Aparelho capaz de perceber a quantidade de mal presente nas proximidades. Munido de muito dinheiro e após irritar Groucho, o chamando de “mordomo” e “servo”, consegue chamar a atenção de Dylan.
Dylan e Lord Wells conseguem ligar a onda de assassinatos a uma sociedade secreta que tem o objetivo de criar uma nova ordem que os permita dominar o mundo. Segundo este grupo, é necessário obter o total controle e submissão da população e isso se consegue mais fácil e rapidamente através do medo.
O nome é retirado do escritor Herbert George Wells, ou somente H.G. Wells, um dos pais da ficção científica moderna. Autor de numerosos romances como O Homem Invisível, A Máquina do Tempo, A Ilha do Doutor Moreau e Guerra dos Mundos.
Na página 54 aparece de relance o diretor Dario Argento. Na edição escrita pelo próprio Argento, publicada no Brasil em 
Nesta história também vemos a estreia de Luca Dell’Uomo. Desenhista da Toscana que depois volta em Diabolô, O Grande, mas que deixa a série para ir trabalhar em Mister No. Um desenhista que ressalta os detalhes dos personagens, das ações e especialmente da cidade de Londres, com muita vida e publicidade nas ruas.




Mas a história também bebe muito da influência do governo neoliberal de Margaret Thatcher, a Dama de Ferro que exerceu o cargo de Primeira-Ministra do Reino Unido de 1979 a 1990. Thatcher transformava a economia britânica através de uma combinação de repressão política e liberdade empresarial. De 1984 a 1985 aconteceu a lendária greve dos mineiros, a última batalha do movimento operário na Grã-Bretanha, que após um ano de conflito, semelhante a uma guerra civil, foi derrotado pelo Estado.

O discurso de Todd na Câmara dos Lordes, mencionando que a doença iria se espalhar pelo mundo inteiro, “não é consequência natural da permissividade, do colapso de todos os valores, da anarquia desenfreada? Se não conseguirmos restaurar a ordem, seremos aniquilados”, destacando os que acham que tem a razão suprema e que suas ideias são superiores a todas as outras.






Roi se inspirou em Jessica do filme “All That Jazz – O Show Deve Continuar” (1979). Eu usei o cartaz do filme “Frances” (1982), que tem uma aura mais fantasmagórica.
Álcool, solidão, loucura… a mente do ator Guy Rogers está lentamente se desintegrando. Delírios o assombram noite e dia, especialmente com aquele fantasma… o Fantasma de Anna Never! Dylan e Groucho buscam uma explicação racional para os sonhos de Guy, amigo de Dylan e ator de filmes B que faz um tratamento contra o alcoolismo e tabagismo, motivos que levam o detetive a questionar os tormentos de Rogers. Aos poucos realidade e fantasia começam a se confundir em algo mais obscuro.
Sclavi, para o quarto volume de Dylan Dog, usou como obra de referência o romance “Eu sou Helen Driscoll”, de Richard Matherson. Citado por Dylan na página 89. O Investigador pergunta a Guy Rogers: “Lembra daquele romance que te emprestei?”, “Aquele sobre hipnose e fantasmas?”, pergunta Guy.
Tom acorda e descobre que foi hipnotizado por Phil e fez algumas coisas ridículas. A noite termina e Tom fica envergonhado com o que pode ter feito sob hipnose. Mas naquela noite, enquanto tentava adormecer, Tom tem uma visão: há uma mulher transparente na sala. Quando tenta convencer os outros de que viu um fantasma, ninguém acredita. E para piorar, ele parece começar a antever alguns infortúnios que irão acontecer.



Ao sair dos estúdios, Groucho usa uma máscara do Yoda, de Star Wars. Por coincidência Anna Never foi publicado em 1987, e em 2012 todos os filmes de Star Wars começaram a ser filmados no Pinewood Studios.
No primeiro encontro com Guy, Anna confunde o ator com Roger Moore, ator britânico consagrado por sua interpretação em sete filmes da franquia James Bond.





Pode-se falar muito sobre o gato preto que guia Dylan até Anna Never. Do ponto de vista espiritual, que é mais relacionado à esta história, o gato preto é frequentemente associado a um forte sentido de intuição, proteção e conexão com o mundo espiritual. Muitas tradições esotéricas acreditam que esses animais possuem uma energia mística especial e são capazes de afastar energias negativas.
No Antigo Egito, os gatos em geral, eram considerados sagrados e reverenciados como símbolos de poder e divindade. A deusa Bastet, conhecida como a protetora dos lares e das famílias, era frequentemente representada na forma de uma mulher com cabeça de gato. E os gatos pretos eram especialmente adorados por sua suposta conexão com o mundo espiritual.
O preconceito contra os gatos pretos é tão absurdo que eles demoram a serem adotados em ONGs e abrigos. Segundo dados da ONG brasileira
Em Dylan Dog #18, publicado no Brasil em Dylan Dog #2 (formatinho da Mythos), Sclavi insere Cagliostro na mitologia do personagem. Um gato preto mágico e poderoso pertencente à bruxa Kim. Apesar de afável, é provavelmente o mago mais poderoso que existe, com habilidades que podem distorcer a realidade e aversão geral a qualquer ser humano que não seja seu dono. Ele não gosta particularmente de Dylan, provavelmente por ciúmes de Kim.















Outra referência ao filme de Mel Brooks é a diretora do Colégio Feminino, Helga Blucher, assim como Frau Blucher, assistente do Barão Frankenstein. Além disso, o colégio feminino remete à escola de dança de Suspiria (1940), de Dario Argento, mostrado na sequência de abertura da história e que serve a Sclavi como cenário para a trama.

“As Noites de Lua Cheia” é inspirado em vários filmes e romances pertencentes ao gênero de terror com Lobisomens, ou licantrópico. Cronologicamente, o mais próximo do lançamento da edição é “A Hora do Lobisomem” (1985), baseado no romance homônimo de Stephen King, Cycle of the Werewolf.
O filme do francês Éric Rohmer tem o mesmo título que a história brasileira, “Noites de Lua Cheia” (1984), e o título original é “Les nuits de la pleine lune”, mas nada tem a ver com Lobisomens.
Já “Um Lobisomem Americano em Londres” e “Gritos de Horror” (The Howlling), ambos de 1981 tem várias referências na história de Sclavi. São obras que relançaram a figura do Lobisomem no imaginário popular. Na história, a transformação do lobo inspira-se na de Um Lobisomem Americano em Londres, com a sequência desenhada quadro a quadro buscando reproduzir em tempo real, como foi feito no filme. De Gritos de Horror, Sclavi pode ter tirado a ideia do clã dos homens-lobos.
Em Lobisomem Americano em Londres, filme de John Landis, somos apresentados aos amigos David Kessler e Jack Goodman que viajam dos Estados Unidos para conhecer a Inglaterra. Chegando em uma pequena cidade, eles vão ao bar e são friamente recepcionados. A situação piora quando Jack pergunta o porquê do local ter velas e um pentágono na parede. Ao saírem, eles caminham por uma estrada deser


Otto, o garoto com deficiência intelectual que trabalha no internato, lembra muitos assistentes de médicos malucos ou monstros dos clássicos filmes de terror. Mas Otto pode ser considerado o protótipo de Gnaghi, companheiro de Francesco Dellamorte no romance de Sclavi “Dellamorte, Dellamore” de 1991 e do filme de Michele Soavi de 1994.






Outro final Explosivo!


Depois de seis anos, auxiliado pela primeira vez por Mauro Marcheselli, Sclavi escreveu a sequência dessa história, com desenhos de Montanari & Grassani. Ela foi publicada originalmente no volume 72 e no Brasil publicado pela Mythos em Dylan Dog #31 – A última lua cheia.


Continuando a sequência de matérias sobre as seis primeiras histórias de Dylan Dog, que sairão no primeiro
Aqui o intuito é nos aprofundar mais através das várias referências ao cinema e à cultura presentes na obra de Tiziano Sclavi. Para cada matéria foi criado um Cartaz de filme, do qual tem alguma relação com a história mencionada. Neste segundo, o cartaz foi inspirado no filme “Do Inferno” (2001), estrelado por Johnny Depp e Heather Graham, baseado na obra homônima em quadrinhos de Alan Moore e Eddie Campbell.








O assassinato de Lord Dunsany é uma homenagem explícita à história em quadrinhos “O Encontro em SevenOaks”, com roteiro de Floc’h e desenhos de Rivière. Este quadrinho já foi publicado pela Editora Meribérica/Líber.



Em 2013, Antonia Alexander, descendente da última prostituta assassinada, Mary Kelly, identificou a foto colocada em um medalhão que Mary havia recebido de presente: é a de seu amante Sir John Williams, o médico real casado com Lizzie. A hipótese de os dois serem amantes já havia sido levantada pelos investigadores na época. De acordo com Alexander, não Lizzie, mas John Williams era Jack, o Estripador.
Alan Moore passou longe dessa teoria, já que em sua história, ele segue uma teoria do final da década de 1970, quando Stephen Knight propõe que as mortes estão ligadas à Coroa Britânica e que elas são uma tentativa de ocultar o nascimento de um bebê real ilegítimo do Príncipe Alberto Vitor, neto da Rainha Vitória. Toda esta conspiração estava conectada com a Maçonaria e com a própria Rainha.