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O próximo Tex Gigante

Em junho foi publicado o Tex Gigante #40 – Sierrita Mountains (Montanhas de Sierrita), com roteiro de Jacopo Rauch e desenhos de Giuseppe Palumbo. Segundo o Cronograma de Publicações da Mythos, publicado no Blog do Tex, o lançamento deste Tex Gigante tem previsão para ser lançado em Outubro no Brasil.

Rauch é roteirista de Zagor e de algumas histórias do próprio Tex. Os desenhistas são sempre as grandes estrelas dos Tex Gigantes, e Palumbo é o artista principal desta edição. Começou a carreira em 1984 e em 1986 publicou a primeira aventura de seu principal personagem, Ramarro e depois começou a publicar na famosa revista Frigidaire.

Desde 1990 começou a dar aulas na Escola de Quadrinhos de Milão ao mesmo tempo em que trabalhava com agências de publicidade. A partir de 1994 começa a trabalhar na Sergio Bonelli Editore desenhando o personagem Martin Mystère. Em 2001, junto a Alfredo Castelli refez a primeira história de Diabolik: O Rei do Terror: o remake. Aqui ele inicia uma longa colaboração com o personagem.

Em Sierrita Mountains acompanhamos Selina, uma jovem que está fugindo de seu passado e alguém quer silenciá-la para sempre! Um assassino solitário e implacável é apaixonado por ela, um fora da lei que quer vingar seu irmão, morto por caçadores de recompensas contratados por um chefe sem escrúpulos. Tex e Carson estão no encalço de todos e os destinos irão se entrelaçar nas montanhas de Sierrita.

Sobre o convite para fazer o Gigante, Palumbo comenta, “a emoção começa quando chega o convite e mais ainda quando eu ver minha edição ao lado da de Magnus (Tex Gigante #13 – O Vale do Terror), cujo Texone eu fui ver quando ele começou a desenhá-lo”. Palumbo confessa que não é um leitor de Tex, “li muitos números no passado, mas não me considero um leitor assíduo. Respeito seu enorme alcance na cultura popular italiana”, ressalta.

Sobre o que mais gostou de desenhar em Sierrita Mountains, Palumbo ressalta que são as paisagens, “os enormes espaços abertos que visitei há anos. E depois os rostos e movimentos, a atuação e o dinamismo dos personagens da história: do protagonista ao último figurante”.

 

O Pesadelo Editorial de Dylan Dog

Dylan Dog #1

Dia 26 de setembro de 1986, era publicado pela Daim Press, hoje Sergio Bonelli Editore, Dylan Dog: O Despertar dos Mortos Vivos. Um quadrinho de terror, que trazia muito splatter e um Investigador diferente de tudo que já se viu. Se tornou um fenômeno editorial, na década de noventa vendia mais de meio milhão de edições, ganhando Festivais com seu nome, superando o ouro da casa: Tex.

Depois dos anos 2000 as vendas decaíram e em meados dos anos 2010, literalmente, um Meteoro atingiu Dylan Dog afastando até mesmo os leitores mais antigos. Foi somente em 2022, com a chegada da editora Barbara Baraldi que Dylan Dog, segundo a própria: “irá voltar a ter o Pesadelo de volta ao centro das histórias”.

Hoje, especialmente no Brasil, não se sabe que rumo Dylan Dog tem tomado. Os fãs que abandonaram a fase italiana no período do editor Roberto Recchioni, período este que chegou a aposentar o Inspetor Bloch e sumir com Groucho colocando no lugar dele Gnaghi, nem sabem que o personagem voltou ao status quo de antes. Esta fase foi publicada pela metade no Brasil pela Mythos em Dylan Dog Nova Série, cancelada na edição #32.

Aqui você verá um apanhado da vida editorial de Dylan Dog na Itália, um guia para que os leitores brasileiros entendam o que aconteceu e o que está acontecendo com o personagem hoje em dia.

Fase SCLAVI

Dylan Dog #100

Como dito, Dylan foi lançado em 1986 e no primeiro ano editorial, todas as histórias foram escritas pelo criador do personagem, Tiziano Sclavi. Depois outros autores alternaram como Giuseppe Ferrandino, Luigi Mignacco, Alfredo Castelli (criador de Martin Mystère), Medda, Serra e Vigna (criadores de Nathan Never), Carlo Ambrosini (criador de Napoleone), Gianfranco Manfredi (criador de Mágico Vento), Mauro Marcheselli, Pasquale Ruju, Paola Barbato, Claudio Chiaverotti (criador de Morgan Lost) e muitos outros.

Dylan Dog #42 – Estreia de Angelo Stano como capista

A grande maioria dos fãs de Dylan Dog elogiam os primeiros 100 números, que segundo eles, é o auge do personagem. Essa fase está sendo publicada atualmente pela Editora Mythos em Dylan Dog “clássico” e se continuar assim teremos os 100 primeiros números publicados no Brasil somando todas as séries que já saíram pela Record, Conrad, Lorentz e Mythos. “A principal característica dos primeiros 100 números foi que nós, leitores, nunca sabíamos o que esperar. Eram histórias surpreendentes e por muitas vezes nos deixavam reflexões. Quando chegávamos ao final às vezes não tínhamos uma resposta, mas uma pergunta”, disse Barbara Beraldi em uma entrevista para a Wired.

Dylan Dog #250

Sclavi convivia com uma forte depressão e o alcoolismo. Após a 100ª edição, publicada em janeiro de 1995 ele continuou escrevendo ocasionalmente, largando definitivamente o personagem em 2007 na edição #250 “Ascensore per L’Inferno” (Elevador para o Inferno).

Claudio Villa, criador visual de Dylan Dog foi capista da série até a edição #41, sendo substituído por Angelo Stano, desenhista da primeira história do Investigador do Pesadelo.

Por volta do número #300, a linha traçada por Sclavi para o personagem se perde bastante, e surgem histórias com qualidade variada. Obras previsíveis como O Museu do Crime (305) e monótonas como A autópsia (309). Angelo Stano tem uma péssima estreia como roteirista em Legião dos Esqueletos (315) e até mesmo Paola Barbato, uma das autoras mais talentosas de Dylan, que nos entregou o brilhante “Número 200”, fica um pouco perdida nesse período como é visto em O Colapso (313), que no panorama geral dessa fase foi até uma boa história.

DyD #305 / DyD #309 / DyD #315 / DyD #313

 

DyD #316 / DyD #286 / DyD #311 / DyD #307

A revista oferecia histórias esquecíveis e temas já abordados, sem valor a acrescentar e aventuras em que Dylan estava presente quase por acaso e sem uso para os propósitos narrativos. Neste período pode-se contar nos dedos as edições que, de uma forma ou de outra, nos apresentaram um Dylan digno de ser lido. Talvez “Blacky” (316)“Programa de reeducação” (286) “O julgamento do corvo” (311) de Recchioni ou “O assassino do vizinho” (307).

 

2013: Início da fase RECCHIONI

Dylan Dog #337

O personagem ia muito mal e entre 2013 e 2014 acontece uma reformulação do personagem confiada à Roberto Recchioni.  Nomeado editor da série no lugar de Giovanni Gualdoni, que ficou apenas três anos no cargo após a gestão de Mauro Marcheselli. Franco Busatta ficou responsável pela coordenação editorial.

O relançamento começa a partir da edição #337 – Spazio Profondo (Espaço Profundo), uma história onde Dylan, ou uma versão alternativa dele, está em uma estação espacial e tem que lidar com monstros e fantasmas. A partir da #338, que no Brasil deu início a Dylan Dog Nova Série, é que começam a acontecer as verdadeiras mudanças narrativas.

Dylan Dog Nova Série #1 – Mythos

Todos os números tem histórias independentes, mas mantém uma espécie de continuidade narrativa que liga os episódios em ciclos anuais. O Inspetor Bloch se aposenta da Scotland Yard e muda-se para o campo. Quem assume seu lugar é Tyron Carpenter, que considera Dylan um charlatão e apreende o distintivo vencido que Dylan usava mesmo não sendo mais policial. Ele é introduzido junto à Sargento Rania Rakin, uma policial da Scotland Yard que se torna coadjuvante de Dylan em algumas histórias.

Carpenter e Rania surgem na série Dylan Dog.

Dylan Dog Nova Série #4 – Estreia de John Ghost.

Uma das novidades é a inserção da tecnologia na vida de Dylan através de um smartphone gerenciado por Groucho. Toda a fase Recchioni tem como grande vilão John Ghost, um industrial inescrupuloso.

Depois de nove anos, em 2016, após nove anos de ausência, Sclavi volta a escrever um roteiro para Dylan Dog na edição #362 (Dopo un lungo silenzio), e em 2017 na edição #375 (Nel Misterio).

Na edição #363 estreia um novo capista, Gigi Cavenago, que substitui Angelo Stano.

Dylan Dog #363 – Estreia de Gigi Cavenago como capista

O ciclo METEORA

Dylan Dog #387

A partir da edição #387 inicia um ciclo de 13 histórias interligadas intitulada “Ciclo Meteora”, que se encerra na edição #400. Nessa fase existe um meteoro vindo em direção à Terra gerando muitos distúrbios ao planeta. É feita uma contagem regressiva nas capas, e o logotipo da revista vai apresentando rachaduras até se desintegrar.

As subtramas apresentadas desde o início da fase Recchioni se concluem e na edição #400 acontece um reboot radical.

O interesse dos leitores ávidos e fieis já vinha diminuindo e com a edição #400 a empatia acaba totalmente.

Dylan Dog #400 contou com 4 capas variantes de Villa, Stano, Cavenago e Corrado Roi.

Ciclo 666 e mais

Dylan Dog #403

A partir da edição #401 inicia o Ciclo 666 em seis edições escritas por Roberto Recchioni. Dylan é apresentado em uma nova versão. Está acompanhado por Gnaghi ao invés de Groucho. Gnaghi é o personagem criado por Sclavi para o romance Dellamorte Dellamore, que deu origem a um filme com Rupert Everett (inspiração visual para Dylan).

Dellamorte, Dellamore (Cemetery Man) (1994)

Dylan passa a ser filho adotivo de Bloch, que de Inspetor passa a ser Superintendente. A Sargento Rania é a ex-mulher de Dylan, que o traiu para ficar com Carpenter. O ciclo 666 permitiu a Recchioni explorar em outras ocasiões, um Dylan pós-moderno se apresentando em diferentes versões e nuances ao leitor, vivenciando infinitas possibilidades.

A partir do número #407 tudo volta como era antes. Groucho retorna ao seu cargo de auxiliar e as histórias voltam à normalidade, com a diferença que passam a surgir minisagas com três edições ou mais.

2022: o início da fase BARALDI

Dylan Dog #421 – Estreia dos irmãos Cestaro como capistas.

A fase Recchioni gerou um grande impacto para a publicação de Dylan Dog. Apesar de buscar e por muitas vezes conseguir a atenção midiática através de novidades narrativas e gráficas, os fãs criticavam e abandonavam o personagem, reclamando cada vez mais de uma descaracterização de Dylan e seu mundo.

Na edição #421 Cavenago deixa de ser capista e dá lugar aos irmãos Gianluca e Raul Cestaro.

O próprio Tiziano Sclavi assume o controle e propõe o reboot do reboot. Em três edições tudo que Recchioni havia feito desaparece, literalmente. Em Dylan Dog #435, escrita por Claudio Lanzoni e Recchioni, John Ghost desaparece. Na #436 Rania morre e na #437 Carpenter morre. Bloch volta a ser Inspetor e deixa de ser pai adotivo de Dylan, que esquece tudo que havia acontecido antes devido a uma incompatibilidade espaço-temporal.

DyD #435 / DyD #436 / DyD #437

Dylan Dog #441

Em maio de 2023, Barbara Baraldi se torna a nova Editora de Dylan Dog substituindo Recchioni que permanece na equipe como roteirista. “Alguns leitores ficaram assustados porque pegaram uma edição aleatória de Dylan após o ciclo Meteora e não conheceram mais os personagens que deveriam ser familiares. O experimento foi maravilhoso, mas agora todos estão restabelecendo seu papel”, disse Baraldi.

A primeira edição sob o comando de Baraldi é Dylan Dog #441 – La Congiura dei Colpevoli. Na introdução da revista o próprio Tiziano Sclavi toma a palavra, se despede de Recchioni e abre as portas para Barbara. Mas é somente em Dylan Dog #446 que Baraldi abre uma saga em três edições sobre inteligência artificial, iniciando assim oficialmente sua fase em Dylan Dog.

 

Dylan Dog #446 / Dylan Dog #447 / Dylan Dog #448

Segundo Baraldi, ela e Sclavi estão frequentemente em contato, “quando os roteiristas me enviam temas para novas histórias, Tiziano os lê e me dá sua opinião, sempre muito forte. E às vezes ele tem suas próprias propostas. Ele está se envolvendo mais novamente, o que é fantástico”.

Uma das mudanças editoriais aplicadas por Baraldi foi trazer A Enciclopédia do Terror, uma versão do antigo Almanaque do Terror. A Enciclopédia traz três histórias com temas específicos. No primeiro, lançado em 2023 foi S de Sereia, M de Mito e F de Fantasma. E as edições BIS, geralmente publicadas em julho, trarão histórias de Dylan Dog, mas semelhantes ao “E Se…” da Marvel. Na edição que sai em julho de 2024, a trama acontece no ano de 1899, onde Dylan está em uma viagem na Antártica, mas durante cinco semanas o navio fica preso no gelo. A tripulação encontra um fóssil misterioso e o terror começa ao estilo de “O Enigma de Outro Mundo”, de John Carpenter.

Enciclopédia do Medo 2023 / Dylan Dog #454 BIS

Baraldi ressalta que preparou uma carta aos redatores, uma espécie de declaração de intenções. “Com muito respeito aos colegas que trabalham na revista há mais anos do que eu. Hoje temos tantas opções, séries, games, TV… para um jovem, porque deveria escolher Dylan Dog ao invés de um mangá? Temos que dar uma resposta, e na minha opinião é: Escolha Dylan Dog para encontrar algo que te surpreenda, que te deixe sem palavras. Escolha Dylan para ler histórias que ficarão eternamente com você”.

 

Tex – A Cavalgada do Destino

Atenção: Esta resenha está repleta de Spoilers.

Em maio foi publicada pela Editora Mythos Tex 655/20 – A Cavalgada do Destino. Edição com 132 páginas coloridas com argumento de Graziano Frediani, roteiro de Mauro Boselli e desenhos de Claudio Villa coloridos por Matteo Vattani. A edição original, publicada pela Sergio Bonelli Editore, #755 foi publicada em setembro de 2023, mês em que Tex comemorou 75 anos de publicação.

Cavalgada do Destino é uma aventura eletrizante em que Tex e os pards investigam o massacre de uma tribo indígena Cherokee. Um grupo de políticos interessados em tomar posse das reservas de petróleo, localizadas nas terras Cherokee os eliminam usando a tática de cobertores infectados. Isso lembra você de alguma coisa?

Sim! O Juramento.

Cavalgada do Destino é uma sequência direta de um dos maiores clássicos de Tex lançado em 1969 por Gianluigi Bonelli com desenhos de Aurelio Galleppini. A história narra a morte da esposa de Tex, Lilyth e a busca por vingança do ranger.

Em O Juramento, os empresários Brennan e Teller organizam um plano macabro, enviando para a reserva Navajo cobertores infectados de varíola, provocando uma epidemia na tribo. Os executores do plano são três indivíduos: Tucker, Sherman e Higgins. Tucker é morto pelos indígenas, Sherman abre o bico e conta quem são os mandantes, Tex o obriga a ir embora pelo deserto apenas com um cantil de água e uma pistola carregada com uma bala. Higgins é espancado e abandonado no deserto.

Teller morre em um tiroteio e Tex persegue Brennan até Nova Orleans onde o vilão acaba morrendo em um final épico. Esta história foi publicada pela Mythos na Coleção As Grandes Aventuras de Tex – A Morte de Lilyth, em 2019.

Em A Cavalgada do Destino, os pards são convocados por Ely Parker para investigar o caso da reserva Cherokee. Durante a investigação, Tex descobre que o autor do crime foi Higgins, o mesmo responsável pela epidemia da tribo Navajo e que Tex havia deixado “morrer” no deserto. Um dos membros do grupo que tem interesse nas reservas de petróleo Cherokee é o senador Kurtzmann, maior inimigo de Ely Parker.

Ely S. Parker

Ely S. Parker é um personagem real, viveu de 1828 a 1895. É um indígena do povo Sêneca. Formado em Engenharia, Ely foi comissionado como tenente-coronel durante a Guerra Civil Americana, quando serviu como ajudante e secretário do General Ulysses S. Grant. Foi ele quem escreveu a versão final dos termos de rendição dos Confederados em Appomattox. Mais tarde em sua carreira, Parker ascendeu ao posto de Brigadeiro-General Brevet.

Quando o General Grant se tornou presidente em 1869, nomeou Parker como Comissário de Assuntos Indígenas, o primeiro nativo americano a ocupar esse cargo. Ele passou a vida unindo suas identidades como Sêneca e Estadunidense.

O fato de Higgins ter sobrevivido gerou muita polêmica entre os fãs italianos, já que ao final de O Juramento, a vingança de Tex havia se cumprido e a sobrevivência de Higgins distorce o final da história. Tex havia cravado uma lança no túmulo de Lilyth proferindo seu juramento de vingança, e que a lança nunca quebraria sem que ele a tivesse cumprido. No último quadro a lança se quebra mostrando que a vingança havia se realizado.

O público se dividiu entre os que acreditam que apenas os mandantes, Brennan e Teller mereciam a vingança de Tex, e outros que preferiam que todos os membros da gangue tivessem morrido. Venceu quem acha que se houver uma chance de alguém retornar para reviver uma boa aventura, que assim seja. Porém não é o que acontece.

Higgins volta magistralmente à trama, mas sua presença na história é mal aproveitada. Ele sequer tem um confronto direto com Tex, que é a expectativa gerada em toda a edição. O retorno de Higgins serve apenas para fazer uma grande homenagem à saga de Tex e tornar a Cavalgada do Destino algo mais especial. A questão dos cobertores infectados já oferece emoção o suficiente, se parar para pensar.

A história vale a pena especialmente pelo grandioso trabalho de Villa. Capista da série regular, mestre indiscutível dos quadrinhos, é sempre bom quando vemos uma história completamente desenhada por ele. E é algo que leva um bom tempo, a Cavalgada do Destino levou anos até sua conclusão. Sua arte, mais madura, tem o equilíbrio perfeito em servir o desenrolar da história e nos proporcionar incríveis quadros épicos.

Destaque importante para as cores de Matteo Vattani que realiza um incrível trabalho, especialmente no prólogo inicial, mostrando a poeira e o calor do deserto e ao final, na beleza e perigos assustadores da noite e da natureza. Se fosse impressa em outro papel, que não o offset, a edição ganharia ainda mais beleza e os desenhos e cores seriam mais valorizados. Na Itália, esta edição ganhou uma edição especial em formato maior, mas em preto e branco com mais páginas, repletas de textos extras.

Ao final, é uma história excelente em termos gráficos, mas com uma narrativa carente de melhor desenvolvimento, apesar da intenção de elevar o nível da história à mais um clássico de Tex.

 

Dylan Dog, a depressão e o stalking

Novembro de 2023 chegava ao fim a Nova Série de Dylan Dog publicado pela Editora Mythos. A edição #32 trouxe a história “O Branco e o Preto”, escrita por Paola Barbato com desenhos de Corrado Roi, uma história de alto nível que só indicava que a coleção não deveria ter se encerrado ali. Este texto é mais uma análise da edição, por isso terá spoilers.

Dylan começa a enxergar estranhas manchas pretas, com frequência e cada vez maiores. Pontinhos no Groucho, no para-brisa do Maggiolinno, saindo da boca de sua namorada… A escuridão se espalha como um incêndio, mas apenas para Dylan, que permanece isolado e confuso. A realidade vai desaparecendo lentamente e Dylan perde todo o contato e fica sozinho na escuridão absoluta.

É quando ele encontra o Bicho Papão, personagem que Dylan já havia derrotado na edição #186 – O Homem Preto, ainda inédita no Brasil, escrita por Luigi Mignacco com desenho de Piero Dall’Agnol. Neste novo encontro, existe um enredo brilhante por si só, onde o bicho papão pede para que Dylan ensine o próprio filho a ser mais assustador e trabalhar melhor com seu ofício: apavorar. E também é explorada a questão de que a lógica neste mundo é totalmente invertida, tanto a questão da luz e escuridão, mas também nas palavras e sentimentos. Essa constância entre o branco e o preto e suas nuances é onde Corrado Roi brilha.

Dylan pergunta, “Então… Isso é o nada?” e o Bicho Papão responde: “Ah, não… Este é o tudo!”. Tudo é nada e nada é tudo e Dylan não consegue se libertar, o que nos leva a uma das premissas principais de O Preto e o Branco. Nos mostrar uma alegoria sobre a depressão.

A escuridão representa a irracionalidade e o branco a racionalidade. Dylan precisa lidar com seus medos para não se perder no branco, mas sem deixar-se dominar por eles para que eles não o devorem (pânico). Os conflitos que se seguem não são entre racionalidade e irracionalidade, mas sim entre emoções e sentimentos negativos e positivos, ou seja, entre dois elementos não racionais. Dylan se adapta ao mundo escuro evocando seus medos e depois enfrenta os monstros que ele invoca não com pensamentos racionais, mas com bondade, generosidade e risadas.

Dylan percebe que não consegue existir sem seus pesadelos, medos e fobias. Ele insiste em estabelecer um equilíbrio entre racionalidade e irracionalidade, medo e esperança. Para ele, são conceitos absolutos e imutáveis, e a estabilidade permanente pode ser alcançada dosando-os. Mas, na verdade, tudo é dinâmico e é impossível encontrar um equilíbrio. É impossível proibir ou evitar o medo, mas é possível superá-lo.

Dylan e seu maior medo

Barbato é uma das escritoras que melhor sabem escrever Dylan, depois claro, de Sclavi, o criador do Investigador do Pesadelo. Através de Dylan, sempre houve um forte comprometimento com as questões sociais, com histórias carregadas de mensagens sobre direitos, igualdade, paz, respeito aos animais… É sempre abordado um tema onde o leitor se pergunta, o que este tema significa pra si mesmo, e especialmente para Dylan Dog?

Em O Preto e o Branco, Barbato nos revela mais uma vez que um dos maiores medos do personagem é ser rejeitado, ficar sozinho. Especialmente pelas mulheres. Na história, o próprio Medo se personifica na forma de uma mulher.

Alegoria ao Stalker “perseguidor”

“A” Medo nos proporciona um diálogo muito interessante e terrível com Dylan: “Você me cortejou por muito tempo, às vezes com gentileza, outras vezes com veemência. Eu cedi, admito, e dançamos juntos muitas vezes”. Aqui, Barbato não está falando da relação de Dylan com um ser sobrenatural, mas sim das relações entre homens e mulheres.

Medo descreve as diversas formas como os homens se comportam como idiotas: “Você se tornou obsessivo, sufocante. Você sempre me procurava, em todos os lugares, sob qualquer pretexto… Se eu não chegasse imediatamente, você aumentava a dose, ia um pouco mais longe, cada vez mais, cada vez mais! Eu me tornei seu vício. Sua droga. E já é assim há tanto tempo que você começou a se acostumar. Quantas vezes você me desafiou? Quantas vezes você me forçou a ir até você? Eu nunca sou o suficiente para você, você me quer de novo e de novo! Você não é mais um amante, Dylan Dog. Você é um perseguidor.”

O comportamento possessivo mata o amor, que desaparece cada vez mais apesar da busca desesperada. Embora algumas mulheres também se comportem desta forma, a maioria dos homens com esse comportamento levam esta situação a pior das consequências: o feminicídio.

A Itália, assim como o Brasil, é um dos países que mais sofrem deste crime terrível. Em 2023 o país registrou 120 assassinatos de mulheres. Na última semana, um homem matou a mulher a facadas durante um jogo da Eurocopa entre Itália e Espanha. No Brasil os dados são ainda mais alarmantes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2023 foram registrados 1.463 casos de mulheres que foram vítimas de feminicídio – ou seja, cerca de 1 caso a cada 6 horas. Esse é o maior número registrado desde que a lei contra feminicídio foi criada, em 2015.

Barbato nos mostra que perseguir, querer muito alguém nada tem a ver com amor: assim como o viciado em drogas Dylan não sente mais medo e os perseguidores não sentem mais amor. Tal como os stalkers, Dylan diz que não pode existir sem o objeto dos seus desejos: o medo. Por isso ele tem a profissão que exerce e o comportamento que tem.

O que se esconde debaixo da cama da história

No prefácio, Recchioni cita Coco Chanel, estilista que popularizou o uso de preto, antes utilizado apenas em ocasiões de luto e Corrado Roi cria o Bicho Papão inspirado no ser sobrenatural do filme de terror “O Babadook”, de Jennifer Kent, filme australiano de 2014. Falando em Roi, não é necessário dizer que seu trabalho é impecável, é o mestre do preto e branco e seus desenhos assustadores e oníricos tem o cenário perfeito nesta história.

No prefácio, Recchioni cita Coco Chanel, estilista que popularizou o uso de preto, antes utilizado apenas em ocasiões de luto e Corrado Roi cria o Bicho Papão inspirado no ser sobrenatural do filme de terror “O Babadook”, de Jennifer Kent, filme australiano de 2014. Falando em Roi, não é necessário dizer que seu trabalho é impecável, é o mestre do preto e branco e seus desenhos assustadores e oníricos tem o cenário perfeito nesta história.

No início da história, Groucho quebra a quarta parede quando Dylan se queixa dos pontos pretos que cobrem tudo e todos. Groucho diz: “A culpa é de quem nos desenha, ele sempre exagera com a tinta… Qual o problema, chefe? Você não entendeu a piada metatextual?”.

Dylan Dog – O preto e o branco é uma daquelas histórias que só poderia ser contada em um quadrinho, e em um quadrinho de Dylan Dog.

Editora 85 lança campanha de Morgan Lost 7

A Editora 85 está com campanha no Catarse para o lançamento do 7º volume de Morgan Lost. A campanha também conta com o lançamento de Dampyr #11 e Diabolik Clássico #2 e pode ser apoiada até dia 7 de julho.

Morgan Lost é publicado desde 2020 pela Editora 85 e compila duas edições originais por volume, chegando agora no 14º volume italiano. A série principal iniciou em 2015 e teve 24 edições já concluídas. Em 2017 a Bonelli começou a lançar novas séries do personagem começando por Morgan Lost – Dark Novels que teve nove edições, depois Black Novels com seis, Night Novels com oito, Scream Novels também com seis, Fear Novels com oito e finalmente em publicação atual na Itália Nuove Origini que já está na quinta edição.

Morgan é um caçador de Serial Killers de New Heliópolis, uma versão alternativa de Nova York dos anos 1950, onde a Segunda Guerra Mundial nunca aconteceu. A cidade é cheia de assassinos em série e caçá-los se tornou uma das principais profissões dessa sociedade, até mesmo a de Morgan.

Lost tem uma tatuagem nos olhos, feita pelos mesmos bandidos que sequestraram e torturaram ele e sua namorada, que é morta por eles. Morgan vive atormentado por traumas passados e sofre de insônia. Ele também tem um problema de visão que o faz enxergar em escalas de cinza e vermelho. Esta sua característica está nas páginas da HQ que é impressa com os mesmos tons de cores.

A cada edição Morgan enfrenta perigosos Serial Killers, cada vez mais bizarros em aventuras com muita ação e brutalidade, fruto da mente de seu criador Claudio Chiaverotti, autor que já trabalhou em Dylan Dog e em 1998 criou Brendon, outra série Bonelli que conta a história de um mercenário em uma terra pós-apocalíptica.

No 7º volume de Morgan Lost a Editora 85 dá sequência à publicação com mais duas histórias autocontidas, escritas por Claudio Chiaverotti e magistralmente ilustradas por Luca Raimondo e Max Bertolini. As traduções são de Júlio Schneider e as capas são de Fabrizio de Tommaso.

 

Na primeira história da edição, publicada em Morgan Lost #13, O segredo de Juliet, conhecemos Miss Porter, uma dona de uma casa que realiza casamentos, a Weddings House. Ela contrata dois gêmeos misteriosos para perseguir e sequestrar uma garota, Juliet, que havia escapado deste lugar. Durante a fuga, Juliet se refugia no cinema Fitz, local frequentado regularmente por Morgan Lost, amigo do proprietário. É quando Morgan conhece a garota e decide ajudá-la.

Em Morgan Lost #14, Uma vida perfeita, durante a captura de um serial killer apelidado de Assassino do Papai Noel, Morgan vê a policial Jill ser ferida, uma policial com quem ele teve um caso no passado. A mulher é tratada pelo Dr. Damon Matthews, aparentemente um médico conceituado, mas que esconde um segredo horrível.

Morgan Lost #7 tem 196 páginas com miolo offset, capa cartão e orelhas. Para apoiar acesse: https://www.catarse.me/85008

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