Categoria: Editoras Page 1 of 3

Mister No e a Mad Maria

Sergio Bonelli era um aventureiro e muitas das histórias que escreveu com o pseudônimo de Guido Nollita saíram de suas aventuras. Em Mister No isso acontece ainda mais, pois Jerry Drake percorre por muitas vezes o caminho trilhado no mundo real por seu criador, Sergio.

Um exemplo disso é a relação de Sergio Bonelli com a Ferrovia Madeira-Mamoré, cuja história foi imortalizada no livro Mad Maria de Márcio de Souza. A intenção era construir uma estrada de ferro de 366 Km no meio da Floresta Amazônica para ligar Guajará-Mirim a Porto Velho.

A Bolívia havia perdido sua faixa litorânea no Pacífico para o Chile, durante a Guerra de Guano em 1883 ficando sem saída para o mar, meio fundamental para uma economia baseada na exportação. Por isso os bolivianos optaram trocar o Acre por uma ferrovia que fosse da fronteira do Brasil ao rio Mamoré e daí, de barco pelos rios Madeira e Amazonas, os produtos bolivianos chegariam ao Atlântico.

Em maio de 1905, o governo brasileiro abriu concorrência para a obra tomando por base o custo das ferrovias construídas em Minas, São Paulo e Rio e conseguiu apenas dois pretendentes. Venceu Joaquim Catrambi, um testa de ferro do empresário americano Percival Farquhar, que achava poder ganhar dinheiro explorando as riquezas naturais da região

Pelo contrato, madeira e outras coisas retiradas da floresta seriam de quem achasse. A obra começou em 1907. Em plena estação das chuvas, 14 sujeitos abriram a mata e construíram casas para trabalhadores, oficinas e escritórios que, mais tarde, viraria a cidade de Porto Velho.

Trens e equipamentos foram engolidos pela floresta.

A ferrovia deveria passar sobre rios que triplicam de volume na época da chuva, o que pode durar quase metade do ano. Os empreiteiros americanos logo descobriram que o ambiente insalubre e as doenças tropicais incapacitavam os trabalhadores num ritmo mais rápido do que eles podiam avançar com os trilhos.

Foi criado um processo de rodízio no qual cerca de 500 empregados chegavam todos os meses para substituir os doentes. Cerca de 22 mil operários chegaram e se foram. Segundo os registros do Hospital da Candelária, criado apenas para tratar os funcionários da ferrovia, 1.593 pessoas morreram lá dentro.

Seis anos e milhares de dólares depois, a obra ficou pronta. No mesmo ano de 1913 a exportação de borracha da Ásia superou a da Amazônia e o preço do produto despencou. Com o tempo a tão desejada saída para o mar passou a ser cada vez menos frequentada e ficou praticamente abandonada por quase 20 anos, até ser oficialmente desativada em 1966. Parte dos equipamentos foi vendida ou jogada no Rio Madeira. O exército incinerou os documentos oficiais sobre ela.

Mister No e suas aventuras com a Mad Maria

Em Mister No #111 e #112 Nolitta nos traz uma Nova Mad Maria, nome da empresa que o senhor Galvão cria pretendendo reconstruir a antiga ferrovia. Mister No e seu cliente, Almeida, um jornalista maltrapilho, visitam uma tribo de índios, que se enfurecem com os trabalhos da construção da Nova Mad Maria.

Mister No entra em conflito com os empreiteiros e descobre que Galvão não quer construir uma ferrovia na Amazônia, mas sim recuperar um baú de moedas de ouro escondido por seu pai e assim fraudar uma seguradora. Descobre também que Almeida não é um jornalista… o velho caso de clientes que enganam o bom Jerry Drake.

A edição #111, publicada em 1984 traz o título “A Lei da Violência” e a #112, “Caçada Humana”. Ambas com arte de Roberto Diso.

Em setembro de 1995 Nolitta (Bonelli) conta outra história sobre a Mad Maria, mas essa com fatos presenciados por ele mesmo. A história A Ferrovia do Diabo, publicada no Brasil em Tex e Os Aventureiros n.2 pela Mythos e originalmente publicada em Amico Treno n.8, da Ferrovia Estatal Italiana, leva Mister No ao local onde ainda existiam os restos da antiga ferrovia.

A história foi resultado de uma visita in loco de Sergio Bonelli à região. Em poucas páginas, o autor narra a trágica aventura da ferrovia fantasma tomada pela floresta, locomotivas enferrujadas e cemitérios improvisados ao longo do percurso.

Nesta página é mostrado o Cemitério da Candelária.

Bonelli visitou o cemitério da Candelária, também mostrado na história, e escreveu assim no artigo da revista Amico Treno:

“A pé, de canoa, de carro ou num Piper alugado, tentei refazer o trajeto da Ferrovia do Diabo, e encontrei as marcas de uma das maiores derrotas sofridas pelo homem moderno e tecnológico… vagões cobertos pela vegetação, aqui e ali alguns metros de trilhos e fascinantes pontes de ferro que ainda unem as margens de um afluente do Rio Madeira. E à minha volta explodia, em suas mil cores a silenciosa como sempre, a exuberante floresta amazônica, o terrível e belíssimo Inferno Verde”.

E aqui, além da estação, um trem abandonado.

Para mais aventuras de Mister No na Amazônia

Está no ar a nova campanha da Editora 85 que traz os volumes Dampyr 6, Morgan Lost 2, Nick Raider 1 e Mister No Especial 6. Este Mister No traz uma história publicada originalmente em Mister No Speciale 7. 148 páginas de uma aventura escrita por Nolitta e desenhos de Roberto Diso pela Amazônia.

James Newman, autor de histórias em quadrinhos, apaixonado pelas tiras de “Terry e os Piratas” de Milton Caniff, procura Mister No para que ele seja seu guia pela selva amazônica a fim de encontrar ideias para suas novas histórias. Mas nesta aventura ele acaba vendo que a realidade é bem diferente da ficção.

Parece mais uma aventura vivida por Sergio Bonelli em terras brasileiras.

Para apoiar acesse o link: www.catarse.me/85001

 

Fonte: Aventuras na História

Tex Willer colorido fracassa nas livrarias italianas

A Itália foi um dos países mais atingidos pela Covid-19, logo, prejudicando economicamente a Sergio Bonelli Editore fazendo com que os planos de publicações sejam muito bem avaliados no futuro. Ao que tudo indica, uma das edições que não terá mais continuidade, devido ao custo e às baixas vendas são as edições encadernadas coloridas de Tex Willer. São edições encadernadas que compilam as aventuras do jovem Tex com mais de 250 páginas  vendidas especialmente em livrarias.

Faroestes “brasileiros” com DNA Bonelli serão publicados pela Pipoca & Nanquim

Agora é oficial: Trilogia Gatilho em cores e volume único, de Carlos Estefan e Pedro Mauro, e outro quadrinho inédito de faroeste (The Solicitor), de Gianfranco Manfredi e Pedro Mauro, serão publicados pela Pipoca & Nanquim (PN).

Das Terras Frias a mais nova casa da Bonelli no Brasil: Editora Saicã

E vem da Terras Frias a mais nova editora a publicar quadrinhos italianos (Fumetti) da nossa querida Sergio Bonelli Editore. Com sede em Rosário do Sul, RS, idealizada e criada por um grande colecionador e fã de quadrinhos Bonelli. A Editora Saicã, recém criada, fará suas primeiras publicações em 2021 por meio de financiamento coletivo, também conhecido como crowdfunding. A plataforma escolhida é o Catarse, a exemplo das várias editoras que surgiram nos últimos três anos e que publicam Bonelli.

A influência de Alien na série Legs Weaver

A Editora Graphite está com uma campanha aberta no Catarse para trazer ao Brasil a personagem Legs Weaver.

A personagem surgiu em Nathan Never n.1 em 1991 e em 1995 ganhou sua série própria. Inicialmente era para ser uma imitação da série original Nathan Never, inclusive compartilha seus personagens, mas o grande diferencial é que a atmosfera da história tem um tom mais irônico e engraçado, contrastando com o cenário profundo e envolvente de Nathan Never.

Divulgada a capa do crossover entre Flash e Zagor

Foram divulgadas as capas do crossover entre Flash e Zagor em mais uma parceria entre a DC Comics e a Sergio Bonelli Editore. A arte da capa foi realizada por Carmine Di Giandomenico e, em 10 de dezembro será publicado o número Zero, escrito por Giovanni Masi e Mauro Uzzeo, com desenhos de Davide Gianfelice. O título da edição será “The Hatchet and the Lightning” (“A Machadinha e o Relâmpago”).

As capas divulgadas são de duas edições limitadas. Uma destaca Zagor com Flash ao fundo e a outra o contrário. Carmine Di Giandomenico (à direita) já desenhou Conan, o Bárbaro para a Marvel Itália (1997), e sua mais recente obra para a Marvel foi Homem Aranha: Noir. Giandomenico desenhou o Flash na fase Renascimento e hoje trabalha na revista da Liga da Justiça.

A edição número 0, “The Hatchet and the Lightning”, terá 32 páginas coloridas no formato 16x21cm. Além da história, a edição terá muitas curiosidades e bastidores deste novo crossover entre os heróis da DC e os da Bonelli. Lembrando que este encontro entre as duas editoras já aconteceu no especial Dylan Dog/Batman: Relações Perigosas, lançado em 2019.

O encontro entre Dylan Dog e Batman teve argumento de Roberto Recchioni com desenhos de Gigi Cavenago e Werther Dell’Edera. A edição também conta com a participação dos vilões Coringa e Xabaras.

O encontro de Flash e Zagor é o segundo de três encontros entre os personagens da DC e da Bonelli. O terceiro, ainda sem data definida já foi anunciado na Lucca Comics & Games 2019 e será entre Nathan Never e Liga da Justiça.

Em breve você pode acompanhar mais informações aqui mesmo no site da Confraria Bonelli.

Fonte: https://www.sergiobonelli.it/news/2020/11/19/gallery/flash-corre-a-darkwood-1008928/

Distribuição da Bonelli em bancas está ameaçada

O ano de 2020 não está fácil para ninguém. A pandemia acelerou processos de comunicação e trabalho, e a compra de quadrinhos online teve um aumento significativo, porém outros setores que já não estavam bem sofreram uma aceleração em seu desgaste e tendem a piorar ou se encerrar, como a venda em bancas de jornal.

A Dinap e a Treelog, empresas integrantes do Grupo Abril, responsáveis pela maior parte da distribuição de revistas no país informaram às editoras no dia 6/11 estar rompendo unilateralmente todos os contratos de distribuição nas modalidades consignação praticados nas últimas décadas. O motivo alegado é a retração provocada pela pandemia de Covid-19.

Os leitores Bonelli que costumam comprar as edições da Mythos e Salvat em banca, podem não encontrar Tex no início de 2021.

Esta situação ligou um alerta na Editora Mythos que distribui grande parte dos seus quadrinhos para todo o Brasil usando exclusivamente a Dinap/Treelog. No TexWillerBlog, o Editor e sócio/proprietário da Mythos, Dorival Vitor Lopes comentou que a editora está em busca de novos distribuidores.

“Gente, tenho uma péssima notícia… a Dinap – única distribuidora a nível nacional – está para encerrar as atividades. Estamos procurando distribuidores, mas até agora só achamos dois que fazem apenas São Paulo e Rio. Queremos alternativas para as outras regiões do Brasil, mas até agora não temos. Ainda não é oficial, por isso, rezem pra todos os santos pra Dinap continuar”.

E Dorival complementou que as vendas pela internet irão se intensificar cada vez mais, “de qualquer forma, quem puder comprar pela internet, não deve esperar mais: nosso site está cada vez melhor, com muitas ofertas, e como eu já informei, temos um novo galpão de 500 m2 pra atender os pedidos”. As compras pelo site da Mythos são entregues usando os serviços dos Correios.

Com a Mythos parando de usar os serviços de distribuição da DINAP/Treelog, muitos leitores podem deixar de comprar em bancas as revistas Tex, Tex Gigante, Tex Platinum e Ouro, além de outras edições publicadas pela editora. Existem leitores que somente compram Tex em banca e nunca compraram revistas online.

Situação da Distribuição em Bancas e Comunicado da DINAP

COMUNICADO DINAP:

Caras Jornaleiras e Jornaleiros!

Na última 6ª feira a Dinap/Treelog enviou um comunicado aos Editores informando que cessará a prestação de serviços em consignação a partir de 2021, por desequilíbrio financeiro entre os custos de distribuição, obstáculos operacionais ocasionados por medidas restritivas e as receitas que declinaram durante a pandemia.

É importante esclarecer que esta decisão não representa o encerramento da operação da Dinap/Treelog, que continuará distribuindo revistas impressas da Editora Abril para os pontos de venda. Não haverá desmobilização da empresa, portanto todas as operações fiscais e financeiras (Contas a Pagar e Contas a Receber) continuarão normalmente.

As revistas fazem parte da história da DINAP, levando cultura, entretenimento e conteúdo de qualidade aos leitores por intermédio dos pontos de vendas e pretendemos continuar com esta missão.

Agradecemos a compreensão e continuamos emprenhados em servir com soluções que sejam sustentáveis para prosseguir com a prestação de serviços.

Atenciosamente

Equipe Dinap

Hoje, o jornaleiro recebe as revistas em consignação. Vende a revista e fica com 30% do valor de capa. 70% é pago à distribuidora. Esta porcentagem varia dependendo da negociação com a distribuidora, a grande maioria não chega a receber 30%. As revistas que não foram vendidas são trocadas por revistas novas. O comunicado da DINAP destaca que a empresa” cessará a prestação de serviços em consignação a partir de 2021”. Embora não se saiba ainda de possíveis alternativas para os jornaleiros face a situação, uma das alternativas é a de que o jornaleiro compraria a revista por 70% do preço de capa, se vender ganha 30%, se não vender fica com a revista em banca.

Este modelo já é realizado por algumas Comic Shops nacionais, que também negociam diretamente com as editoras (Devir, Panini, Mythos) sem usar o modelo de consignação. O que não vender no momento, continua à disposição, não é recolhido.

Se o jornaleiro já tem um público cativo, isto pode não ser problema, porém a porcentagem deve ser renegociada, já que a distribuidora terá menos trabalho e as editoras terão perda zero. Em um mercado já fragilizado, o jornaleiro terá que ter um bom caixa para bancar as compras, o que irá reduzir a oferta e impactar em toda a cadeia produtiva como Editora e Gráfica.

No comunicado, a DINAP também esclarece que, “continuará distribuindo revistas impressas da Editora Abril para os pontos de venda”. A DINAP pertence ao Grupo Abril e é natural que mantenha este comportamento. Metade da receita do Grupo Abril vem de seu negócio de mídia, a Editora Abril. A outra metade, de seus negócios de logística, a DINAP/Treelog, que entrega revistas e a Total Express, que entrega encomendas.

O Grupo Abril se arrasta em uma crise há anos estando em recuperação judicial com uma dívida que chega a R$ 1,6 bilhão. Em 2018, o então presidente da Abril, Marcos Haaland em entrevista à Istoé Dinheiro já dava uma ideia do enorme problema que era a Dinap. “Importante destacar que boa parte do problema da Abril está na Dinap. O modelo de negócio não é sustentável. A Dinap, quando faz o recolhimento do que foi vendido, repassa o dinheiro para as editoras e fica com uma parte como remuneração. O que não é vendido, a Dinap recolhe e devolve às editoras, sem cobrar nada por isso. Então, ela faz um serviço de levar e buscar sem ser remunerada. E o custo logístico é imenso. O segundo problema é que a Dinap absorvia a inadimplência da cadeia. O que não recebe dos distribuidores, cobre e paga às editoras. Então, o rombo da Dinap é gigantesco”. Na época foram demitidos 800 funcionários do grupo Abril, várias revistas encerradas e inclusive a linha Disney foi descontinuada e seus direitos foram adquiridos pela Culturama e Panini Comics.

Em 2019 o Grupo Abril foi vendido e quem assumiu a presidência foi Fábio Carvalho, especialista em assumir empresas em dificuldades.

A Pandemia e a busca por soluções

Em nota enviada às editoras, a Dinap/Treelog destacou que a grande culpada pelo rompimento de contratos por consignação é a pandemia de Covid-19. “A pandemia gerou uma disruptura sistêmica na cadeia de distribuição, atingindo de forma dramática a estrutura em que se assenta o negócio da Dinap/Treelog de distribuição de revistas e congêneres, mediante redução drástica da receita de parte substancial das vendas, ocasionada pela queda na circulação de pessoas nos canais de vendas, oriunda de medidas governamentais de distanciamento”, e reiterou, “apesar de todos os esforços feitos para a regularização da rede de distribuição, a Dinap/Treelog não passou incólume pelos efeitos devastadores e sem precedentes que a pandemia do Covid-19 provoca e continuará provocando pelos próximos meses”. Segundo algumas fontes, esta mudança da Dinap/Treelog será irreversível.

Em outubro deste ano, a DINAP já havia emitido um comunicado relacionado à Editora Globo, onde anunciou que deixou de distribuir publicações da mesma, como Época, Marie Claire, Globo Rural, Autoesporte, Vogue, entre outros títulos. As edições foram recolhidas até o final de outubro.

Em abril, devido à pandemia, a Editora havia suspendido a produção impressa de suas revistas, menos Época por ser focada em noticiário e Marie Claire por ser bimestral e retornou apenas em julho. A Editora afirmou que ainda era seguro continuar lendo o impresso, porém o medo da contaminação das revistas, ao serem colocadas no chão da rua pelas equipes de distribuição, ou nos corredores dos prédios dos assinantes, levou a que muitos assinantes suspendessem suas assinaturas.

Após a DINAP encerrar a distribuição, a Editora Globo começou a usar os serviços da Distribuidora Brancaleone.

Em 2017 a Editora Panini, responsável por publicar quadrinhos no Brasil da Maurício Produções, Marvel e DC parou de distribuir pela DINAP/Treelog e iniciou um serviço próprio de distribuição.

E a Mythos?

A Mythos mesmo vendo a DINAP ruir há anos não deixou de usar o serviço, pois há leitores Bonelli em muitos cantos do Brasil que somente a distribuidora poderia chegar. Ela vem trabalhando em deixar cada vez melhor as vendas pelo site, mas ainda gera reclamações por parte dos leitores que compram online, em especial devido ao processo de entregas.

Porém outro fator que atrapalha o crescimento das vendas pelo site é o frete que se torna muito alto dependendo da quantidade e distância que será entregue. Por usar os Correios, a Mythos se coloca na posição desconfortável de ter que depender dos valores aplicados pela instituição.

Neste mês de novembro por exemplo, onde está acontecendo uma ótima campanha de Black Friday, muitos leitores reclamam que ao chegar ao final da compra o valor do frete encarece demais e assim acabam desistindo. É necessária a fidelização dos clientes para que, caso haja problemas na distribuição em 2021, exista outra alternativa para vender os quadrinhos Bonelli para todo o Brasil.

E a Salvat?

A Editora Salvat publica Tex Gold e também pode sofrer mudanças devido à estas alterações em relação aos consignados pela DINAP/Treelog, já que suas coleções são distribuídas pela mesma. Lembrando que em 2018 a editora parou de distribuir por um tempo pois o cronograma de distribuição da DINAP havia parado. A distribuição parou em agosto e retornou somente em novembro de 2018.

————————-

Aos Bonellianos resta aguardar e acompanhar os próximos passos da Editora Mythos e que não falte Tex para os leitores em 2021.

————————–

As fontes das informações estão linkadas ao longo da matéria.

Foto de Capa José Carlos Francisco.

Gea fala de diversidade e representatividade

Discriminação, conflitos étnicos, deficiências, sexualidade e homossexualidade. Estes temas, mas de forma mais direta e realista são encontrados em Gea. Obra de Luca Enoch criador de Lilith e Dragonero, que atualmente está em Catarse pela editora Red Dragon.

A série foi publicada originalmente na Itália, pela Sergio Bonelli Editore, entre junho de 1999 e novembro de 2007, somando 18 edições. No Brasil, a série será publicada em 6 volumes. Cada edição trará 3 edições italianas em 396 páginas.

Enoch e sua revolução nos quadrinhos italianos

Sergio Bonelli uma vez chegou a comentar que o fumetti “Sprayliz” era um dos quadrinhos que ele mais apreciava na época. Sprayliz foi criado por Luca Enoch e publicado pela Star Comics, e Bonelli falou isso quando Enoch apresentou Gea pela primeira vez à ele (final da década de 1990). Bonelli foi muito reticente à época para publicar Gea, pois sabia que a obra representava um impacto profundo no modelo editorial da Bonelli, porém, como o sempre incrível editor que era, sabia que se fazia necessária sua publicação.

Em Sprayliz”, Enoch conta a história de uma adolescente que adora grafites urbanos e tratou de temas como homossexualidade à pornografia, racismo à drogas. Temas que não eram originais, mas pela primeira vez foram abordados em uma história em quadrinhos popular e serial. Após onze edições, apesar do sucesso de Sprayliz, Enoch deixou a Star Comics e passou a trabalhar para a Sergio Bonelli Editore. Ele primeiro desenhou Legs Weaver, e depois apresentou sua personagem: Gea.

Em meio à obras já consolidadas da editora Bonelli, Enoch conseguiu o feito de convencer Sergio Bonelli a publicar Gea. Superou a relutância natural do editor italiano em publicar quadrinhos com referências óbvias à realidade social e política atual. Por dezoito números, Enoch apresenta em Gea questões complexas além da luta do bem e do mal.

 

Gea e seu lugar no mundo

Gea é uma garota muito estranha de quatorze anos. Mora sozinha, em um prédio abandonado de uma antiga área industrial, na companhia de seu gato preto Cagliostro, ela não tem pais e é cuidada à distância por um esquivo “tio” que ela nunca viu. Gea é da casta dos Protetores, um ser com poderes particulares com a tarefa de impedir que outros seres, conhecidos como Invasores, entrem em nosso plano de existência.

Na verdade, nossa Terra faz parte do Multiverso e é um “Ponto Primário de Convergência da Dinâmica Dimensional”. Isso significa que em certos momentos, quando os planos dimensionais se cruzam, as Presenças e Energias que habitam os outros planos de existência entram em nossa dimensão. Os Protetores são colocados lá para destruí-los ou mandá-los para casa antes que causem qualquer dano.

Mas Gea também é uma garota muito normal com os problemas e paixões de sua idade. Ela toca em uma banda de rock amador com outros jovens da mesma idade. Nesse grupo ela conhece Leonardo que ficou paraplégico após um acidente de carro. Leonardo (Leo), alguns anos mais velho que Gea, tem um espírito indomável, enfrenta com orgulho e teimosia os problemas decorrentes de sua deficiência. Na banda de Gea, Leo toca bateria, instrumento que foi adaptado para ele poder tocar.

Leo além de fazer parte do elenco cômico da série é mais que um coadjuvante. Leo é uma figura real na representação de sua deficiência, e a aceita com força de vontade, lutando para que a sociedade derrube as barreiras que o impedem de levar uma vida normal.

Mas o espírito de auto aceitação de Leo não é (e realisticamente não pode ser) total. Na sexta edição é representado um dos temas mais dramáticos para uma pessoa com deficiência devido a lesão na medula óssea, o da sexualidade. Nas páginas que tratam do assunto emerge a necessidade premente de Leo por contato físico e a impossibilidade de racionalizar o problema. A atitude de Gea em relação ao amigo é intrinsecamente saudável. Ela nunca assume atitudes compassivas e não hesita em maltratá-lo quando ele se permite liberdades excessivas. Em outras palavras, ela o trata como uma pessoa normal e não como uma pessoa com deficiência!

Diversidade e representação em várias frentes

Mesmo sendo um quarinho de ação, fica nítido que Gea se trata de uma história sobre diversidade e representatividade.

A importância da representatividade pode ser exemplificada da seguinte maneira: uma criança paraplégica está condicionada a usar cadeira de rodas ao longo de toda a vida. Ela cresce vendo heróis com os quais seus colegas se identificam, mas que não fazem com que ela se sentisse representada. Então surge um herói dos quadrinhos cadeirante, e o fato de usar cadeira de rodas não o impede de combater o crime. A partir disso, a criança passa a se identificar com alguém, que – ainda que fictício, entende tudo o que ela vive sendo uma cadeirante. Entende enfim todo o preconceito e as dificuldades, e passa o ensinamento de que a cadeira de rodas não deve ser um empecilho para fazer o que se tem vontade, tornando-se um exemplo a ser seguido.

Esta “magia” da representatividade pode ser expandida para a questão de sexualidade e identidade de gênero, cultura e nacionalidade além de doenças e deficiências.

Em Gea vemos essa questão com Leo e também Siegfried, outro coadjuvante que se diferencia na trama. Jogador de hóquei no gelo, Sig como é chamado é voluntário em um serviço de transporte para deficientes físicos, “doador de voz” para cegos em uma livraria, gay declarado e comprometido com a defesa dos direitos dos homossexuais.

Como Protetora, Gea tem o trabalho de destruir as entidades que invadem a realidade. Mesmo existindo entidades terríveis e cruéis, na maioria das vezes são criaturas assustadas escapando de mundos em crise. Como migrantes de países do terceiro mundo. Gea ao invés de tomar a iniciativa de destruí-las como manda seu dever, na maioria das vezes, simplesmente os convence a ir a um limbo celestial, esperando que as convergências dimensionais os tragam de volta ao seu próprio mundo.

Com essa atitude, Gea renova a atitude tradicional das protetoras femininas, que ao longo do século optaram por uma solução não sangrenta para invasores extradimensionais. Por isso, as protetoras que tomavam a iniciativa de falar com estas entidades, (que nada mais era do que orcs, duendes, etc..), foram definidas como “bruxas” e condenadas à fogueira. Já suas contrapartes masculinas foram definidas como heróis ou santos, quando, com espada na mão, lutavam e matavam estas “criaturas malignas”.

Personagens com voz e atitude

Enoch, além de trazer representatividade feminina ao apresentar em quase todas as suas obras protagonistas femininas. Coloca nas páginas de Gea questões como o orgulho gay, propriedades terapêuticas de algumas drogas, imigração ilegal, deficiências e muito mais. Deixa que seus personagens defendam suas teses, por vezes opostas em diálogos verborrágicos muito interessantes.

Em Gea, temos a confirmação de que a presença do diferente, seja fisicamente diferente, ou por raça ou por opção sexual, durante a história da humanidade cegou a razão e desencadeou sentimentos primordiais dos homens das cavernas, que temiam que outros homens mais poderosos tirassem suas vidas. Daí o horror na representação do diferente.

Mas o verdadeiro horror está na tentativa de racionalizar esse sentimento irracional em si mesmo. Lembrando que quando o medo do outro se tornou ideologia, quando a irracionalidade se tornou conduta política, foi quando nasceu o nazismo.

Não deixe de apoiar mais esse fumetti Bonelli. Acesse: Catarse/Gea1

Conheça Il Confine – Série de mistério e suspense da Bonelli

A Bonelli esbanja boas histórias, equipes criativas brilhantes e nos últimos anos arrisca ainda mais com novos selos. Entre eles o selo Audace, da Sergio Bonelli Editore com um tratamento diferenciado e com histórias mais adultas.

Dos títulos lançados no selo Audace estão os já lançados no Brasil Mister No Revolução e Deadwood Dick. E na Itália um dos que mais chama atenção é Il Confine, dos roteiristas Mauro Uzzeo e Giovanni Masi. A obra lançada em 2019 é bimestral, com edições coloridas de 80 páginas. No momento está no quinto volume.

As edições são em capa dura no formato 22x30cm, com 80 páginas coloridas, 60 de quadrinhos e o restante com entrevistas e outras informações. A edição também conta com um mecanismo de preview sobre o que vai acontecer na próxima edição, como é feito nas séries de TV.

Mas do que se trata este fumetti?

A história começa em uma pequena vila alpina na fronteira entre Itália e França, onde um micro-ônibus que transportava uma classe de adolescentes em uma viagem escolar desaparece. Dois personagens distintos são chamados para apoiar as investigações como consultores das autoridades. A italiana Laura Denti, é uma agente da Interpol concreta e pouco afável. E o francês Antoine Jacob, um perito conhecedor das montanhas, fascinado pelo próprio mistério e pelas mudanças na paisagem que parecem perturbar o espaço e o tempo de formas inexplicáveis. Dá mais importância à isso do que pela investigação das crianças.

Mesmo com o foco nos dois protagonistas, Il Confine não deixa de mostrar todo o elenco: os pais dos jovens desaparecidos, o colega que ficou em casa naquele dia, um repórter e a comunidade local. Isso faz com que a narrativa tradicional linear consiga se aprofundar em eventos aparentemente marginais à trama, que logo encontrarão um significado dentro de um quadro geral.

Na primeira edição, La neve rossa (A Neve Vermelha), a história vai direto ao ponto: Onde foram parar as crianças? Sob uma avalanche? Por que, então, não há vestígios? A investigação é densa, em capítulos curtos bem focados que ditam o ritmo não só dos acontecimentos, mas do verdadeiro suspense.

Il Confine é uma história de fantasia, terror, mistério e suspense, que fala de realidades diferentes, algo inspirado em Lovecraft. Para os fãs da série Twin Peaks, de David Lynch é um deleite como também para os fãs de Arquivo X e LOST, mas aí os leitores podem achar, “será que o final vai ser bom?”. Os mistérios vão sendo abertos e nos convidam a ir em busca do desconhecido e explorar tudo em busca de respostas.

Outro elemento interessante à trama é o ambiente. Existem fatos culturais como a tensão entre os policiais italianos e franceses, primos uns dos outros, mas que se provocam com os defeitos das respectivas nações. A montanha é outro elemento especial, que lembra o sobrenatural Lovecraftiano, perturbador.

Eventos e detalhes se acumulam e faltam explicações, pois o enigma rege a trama. Elemento que prende a atenção do leitor, mas também carrega o risco de gerar alguma insatisfação com as respostas que chegarão. Os autores ao menos garantem que tudo fará sentido, mas é o mínimo que podem prometer não é mesmo?

A edição

Il Confine é idealizado pelos roteiristas Mauro Uzzeo e Giovanni Masi, com a colaboração visual de Lorenzo “LRNZ” Ceccoti, que faz as capas. Emiliano Mammucari fez o design de personagens e é o supervisor das cores. Federico Rossi Edrighi faz os layouts e os gráficos são de Fabrizio Verrocchi. Uma equipe de trabalho respeitosa trabalhando com a Bonelli, uma editora conhecida por seus padrões habituais de organização e produção.

Este é um projeto de mídia cruzada da Bonelli, embora os outros produtos relacionados ainda não tenham sido anunciados. Espera-se que Il Confine venha a se tornar uma série de TV, romances, RPGs entre outras coisas.

Distribuída em livrarias e lojas especializadas, a SBE destaca uma valorização da qualidade do produto. E a forma como a edição se comporta é impecável. Sabe misturar suspense e reviravoltas, as cores, os diálogos, a mudança de cena e os personagens são algo bem destacados na trama e fazem parte claramente da narrativa como um todo.

Diferente das propostas da Bonelli de atualizar e modernizar a história de personagens da editora como Martin Mystére ou Mister No, além de realizar eventos chamativos como o encontro de Dylan Dog e Batman, com Il Confine a SBE afirma que quer ir além de seus limites.

O Objetivo é buscar novos territórios, novos leitores, novos habitantes de seu vasto território imaginário. Para sobreviver e evoluir no mercado editorial.

 

72 Anos de Tex Willer e a Arte de Fred Macêdo

Há 72 anos, no dia 30 de setembro de 1948 foi publicada a primeira história de Tex. Chamava-se Il Totem Misterioso (O Totem Misterioso). Com o balão “Por todos os diabos, será que ainda estão nas minhas costas?”, começava a saga de um dos mais famosos cowboys dos quadrinhos.

Nesse dia especial, gostaríamos de fazer uma dupla homenagem: 1) comemorar essa data de 72 anos de vida editorial do nosso querido Ranger do Texas e 2) reverenciar a arte de um artista, fã e colecionador de Tex: Fred Macedo, já famoso entre nós pela sua “Divina Ceia Texiana”, feita em 2008 para comemorar os 60 anos do personagem.

Divina Ceia Texiana: Nat Mac Kennet, Gros-Jean, General Davis, Jim Brandon, Cochise e Montales à esquerda. Pat, El Morisco, Tom Devlin, Kit Willer, Jack Tigre e Kit Carson à direita. Tex Willer ao centro.

Page 1 of 3

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén