Categoria: Outros personagens

Panini lançará Morte a Caravaggio!

A Panini Comics vem publicando as graphic novels da Sergio Bonelli Editore. Já publicou Deadwood Dick, Mister No Revolução e anunciou Kentucky River. Com ISBN já publicado (à direita), ela também irá publicar Morte a Caravaggio!, obra de Giuseppe De Nardo no roteiro e arte de Giampiero Casertano. Publicada originalmente em Speciale Le Storie nº 1 – Uccidete Caravaggio!, em 2014, a edição terá 148 páginas em formato de luxo, totalmente colorida por Arianna Florean e capa de Aldo Di Gennaro.

Michelangelo Merisi da Caravaggio, um gênio da pintura que revolucionou a arte ocidental, mas também um espírito inquieto, impulsivo e talvez… um assassino! Muitos o admiram, outros o temem ou odeiam a ponto de querer vê-lo morto. Por essa razão, dois mercenários habilidosos estão em seu encalço. Em uma história que mistura realidade e ficção, uma aventura se desenrola durante os eventos que marcaram os últimos anos de sua vida.

Caravaggio (1571-1610) foi um gênio pintor natural de Milão. Sua vida é marcada por uma série de polêmicas. Homem difícil e temperamental, o pintor passou os quatro últimos anos de sua vida em Nápoles, Malta e Sicília, depois de ter fugido de Roma sob a ameaça de prisão devido a uma acusação de assassinato.

Em 28 de maio de 1606, o autor de Flagelação de Cristo e David com a cabeça de Golias matou na capital italiana o procurador e mercenário Ranuccio Tomassoni, com quem duelou após uma briga causada por uma desavença num jogo. Após este ocorrido ele iniciou uma fuga e veio a falecer quatro anos depois. É durante estes quatro anos que De Nardo desenvolve “Morte a Caravaggio!”.

Não só um quadrinho histórico, a edição é um thriller de aventura. Sustentando pela personalidade de seus protagonistas, De Nardo explora as debilidades de todos eles. Sobretudo de Pablo Serrano, mercenário que persegue Caravaggio, mas vai se afundando durante a busca em desafios morais. De Nardo traz uma série de personagens simbólicos e recria milimétricamente a Itália do século XVII. Caravaggio acaba aparecendo pelas sombras enquanto a trama se desenrola.

Destaque desta obra são as artes de Casertano. Ele reproduz fielmente, baseado em pinturas da época, várias localizações italianas. Além de armamentos, trajes e pessoas históricas. O leitor sente-se imerso na época. A arte é complementada maravilhosamente pelas cores de Ariana Florean. Morte a Caravaggio! É uma obra com um sólido ambiente na parte gráfica e detalhamento bem documentado. Fala de honra e da condição humana.

Morte a Caravaggio pela Panini tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2020. 

Caravaggio pela Veneta

Está em pré-venda com lançamento previsto para fevereiro, o relançamento do primeiro e  lançamento do segundo volume de Caravaggio – A Morte da Virgem e O Perdão, respectivamente. A mais ambiciosa obra da carreira de Milo Manara. A biografia em quadrinhos do pintor Caravaggio, mostra a trajetória do enigmático e escandaloso pintor italiano, que dividia seu tempo entre a vida nos palácios do Vaticano, bebedeiras em bordéis e temporadas na prisão.

Caravaggio é o encontro de dois grandes nomes da arte italiana: o mestre do erotismo Milo Manara e um dos maiores pintores da história, Michelangelo Merisi de Caravaggio.

Se em A Morte da Virgem (Veneta, 2015), Manara aborda o momento em que Caravaggio torna-se famoso (para o bem e também para o mal), O Perdão retrata os últimos anos de vida do pintor, sempre perseguido por inimigos poderosos. E é viajando pela Itália com os artistas de rua e charlatões que ele encontra inspiração para a sua obra-prima.

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Conhecendo Mercurio Loi

A Bonelli é rica em histórias e personagens e tem coisas incríveis que ainda faltam serem desfrutadas pelos leitores brasileiros. Um deles é Mercurio Loi, concebido pelo incrível Alessandro Bilotta e originalmente desenhado por Matteo Mosca. A série foi publicada de 2017 a 2019 em 16 volumes.

O personagem apareceu pela primeira vez em 2015 no volume 28 (à esquerda) da série Le Storie, que depois acabou ganhando uma edição em cores. A série regular estreou em maio de 2017 e todos os seus volumes são coloridos. Cada volume traz uma história fechada mas ligados por uma trama de fundo e as capas são de Manuele Fior.

Mercurio Loi é um professor universitário que investiga os mistérios de Roma em 1826. Acompanhado pelo seu jovem assistente Otto, seus passeios diários pelas ruas da cidade eterna o levará a confrontar personagens bizarros, eventos inexplicáveis, segredos e conspiradores contra a monarquia papal.

Especialmente à noite, ignorando o toque de recolher imposto pelo papa, Mercúrio veste sua capa e desce as ruas dedicando-se ao que mais lhe interessa, que são os desafios a sua inteligência, sejam eles lançados pelo seu arqui-inimigo Tarcisio Spada, por algum indivíduo misterioso que pula pelos telhados mascarado e coberto, ou mesmo por um cozinheiro que o faça buscar ingredientes especiais para uma receita secreta.

Bilotta afirma que se inspirou nos quadrinhos de super-heróis e sua paixão por Roma. A cidade em uma simples caminhada pode dar uma série de ideias. As histórias de Mercurio Loi começam na virada do Natal de 1825 e do Ano Novo de 1826. Estes são os anos dos Estados papais, período chamado Roma papal, um período histórico em que o papa se tornou rei e governou a cidade com mão de ferro.

Mercurio Loi vive essa época com um sorriso no rosto, indiferente e sem pressa. E nós degustamos Roma junto com ele em suas aventuras. Entre os personagens que acabamos conhecendo está o poeta romano Giuseppe Gioachino Belli, o papa Leão XII, o governador de Roma e o chefe de polícia monsenhor Tommaso Bernetti, os padres, bandidos, o carrasco Mastro Titta, astrônomos, cientistas loucos e Ghetanaccio, o marionetista mais famoso.

A estátua simbólica do Pasquino tem uma importância na história de Mercurio Loi. Nela eram penduradas sátiras destinadas a figuras públicas, inclusive ao papa. Os Carabineiros romanos viviam perseguindo as pessoas que na calada da noite penduravam algo na estátua.

O Pasquino (à direita) é uma estátua grega, que ninguém sabe direito quem é, ela não tem braços nem pernas. Foi de Pasquino que surgiu o nome O Pasquim, do famoso tabloide carioca que nos tempos da Ditadura fazia piadas com tudo e todos.

Outro personagem de Roma que Bilotta traz para Mercurio Loi é o fantasma de Beatrice Cenci. Uma jovem executada em 1599 acusada de matar o próprio pai após sofrer violência contínua do mesmo. O caminho da jovem para a forca foi polvilhado de flores atiradas aos pés da menina pelas pessoas que acompanhavam. Uma história de inocência violada e vingança implacável se tornando uma fascinante e comovente figura histórica romana.

Mercuiro Loi é o entretenimento perfeito para quem quer saber mais sobre lendas e histórias de Roma. O ritmo animado da história e alguns momentos de tensão evitam o risco de previsibilidade e que o quadrinho se torne algo monótono.

Enfim, mais um grande quadrinho Bonelli que agradaria a muitos fãs brasileiros. Esperamos vê-lo em breve por aqui.

Segundo Volume de Lilith traz aventuras históricas incríveis

A Red Dragon Publisher está com campanha no Catarse para o lançamento da 2ª edição de Lilith. A cronoassassina irá se aventurar na Guerra Civil Norte-Americana, navegará com Vikings até Vinland (a América Pré-Colombiana) e assumirá a identidade de Sun Wukong (o Rei Macaco), durante a segunda guerra sino-japonesa e o massacre de Nanjing.

 

 

Ao lado a primeira edição de Lilith que pode ser adquirida pelo site da Red Dragon Publisher, AQUI

 

 

As viagens temporais de Lilith é o que mais chama atenção para este sucesso da Sergio Bonelli Editore criado por Luca Enoch, que escreve, desenha e é o capista da série completa em 18 volumes. Quem jogou o game da Ubisoft Assassin’s Creed irá se identificar muito com este quadrinho. Lilith é uma jovem de vinte e poucos anos que tem uma missão: salvar a humanidade de um parasita alienígena.

Para isso ela foi criada e treinada desde pequena para ser uma assassina do tempo (ou uma cronoassassina), ela é enviada de volta ao passado para rastrear algumas pessoas infectadas pelo parasita. Seus alvos são os portadores inconscientes desse organismo vegetal alienígena, o Triacanto. Ela quer cortar as linhas de ancestralidade do Triacanto antes que ele possa sair de controle e destruir a humanidade.

O segundo volume que será lançado pela Red Dragon trará os volumes 4, 5 e 6. A campanha no Catarse para o lançamento deste volume chegou a 50% da meta e precisa ser batida para termos mais Lilith em 2020.

Os fatos históricos abordados por Enoch em Lilith são o grande diferencial desta série. Ele toca na ferida de acontecimentos espinhosos, como podemos ver abaixo quando ele aborda o Massacre de Nanjing ou Nanquim.

Segue abaixo a sinopse de cada aventura de Lilith e curiosidades sobre o período histórico que a personagem participa:

Cavalgando com o Diabo – Vol.4

Lilith está escondida entre os Confederados conduzidos pelo Capitão de Guerrilha William Quantrill. Ela acorda à deriva nas águas do Rio Mississipi, no meio da Guerra Civil Americana. Seguindo os rastros do Triacanto, navega rio acima alcançando a área de fronteira entre o Missouri, um estado secessionista e o abolicionista Kansas.

Esta “linha sangrenta” é percorrida pelas grupos confederados, que lutam ferozmente uma guerra de guerrilha contra as tropas regulares da União. Lilith deve encontrar o “portador” entre os homens de Willian Quantrill, uma das gangues mais infames dos “rebeldes” confederados. Lilith cruza com personagens lendários como Bloody Bill Anderson e os irmãos Frank e Jesse James.

 

Fato histórico: Cavalgando para o inferno

Os Quantrill Raiders eram os mais conhecidos guerrilheiros confederados que lutaram na Guerra Civil Americana. O líder era William Quantrill (foto à esquerda) e contava também com Jesse James e seu irmão Frank, como já mencionado acima. O evento mais sangrento envolvendo os Raiders foi o Massacre de Lawrence em 21 de agosto de 1863. Lawrence era conhecida como a fortaleza das forças anti-escravidão no Kansas.

Semanas antes ao ataque, o general da União Thomas Ewing Jr. Ordenou a detenção de qualquer civil que apoiasse os Raiders e vários parentes dos guerrilheiros foram detidos em uma prisão improvisada em Kansas City. Em 14 de agosto o prédio desabou, matando quatro jovens e ferindo gravemente várias pessoas. Entre os mortos estava Josephine Anderson, irmã de “Bloody Bill” Anderson. Outra irmã de Anderson ficou aleijada. Tudo isso enfureceu os homens de Quantrill.

Com 450 guerrilheiros, Quantrill atacou a cidade, a deixando em chamas e matando 150 homens e meninos capazes de carregar um rifle. Em retaliação a invasão, o general Ewing ordenou que três condados e meio do Missouri ao longo da fronteira do Kansas fossem desocupados. Milhares de civis tiveram que abandonar suas casas. As tropas da União os perseguiram, queimando prédios, incendiando plantações e abatendo gado para privar os guerrilheiros de comida e apoio. Os Quantrill Raiders tiveram que passar o inverno com as forças confederadas ao sul.

O Manto do Urso – Vol.5

Lilith começa sua caçada nas terras congeladas da Groenlândia, no final do século 11, onde Erik “O Vermelho” fundou um assentamento islandês. Lilith encontra seu alvo, mas quando ele foge, a garota é forçada a navegar em uma longa e perigosa viagem em direção à costa americana, chamada pelos normandos de Vinland, a doce terra ao sul, onde a uva selvagem cresce espontaneamente. Lilith navega ao lado de heróis das famosas sagas nórdicas como Leif “O Afortunado”, filho de Erik, o primeiro europeu a pisar no Novo Mundo. E também encontra os Skraeling, os nativo americanos. Lilith vai em direção ao sul até alcançar o “coração das trevas”, onde seu alvo se refugiou com seus companheiros.

Fato Histórico: Mais rápido que Colombo

Leif Eiríksson chegou à América do Norte por volta do ano 1000. E Vinland, segundo alguns historiadores significa Vin – Vinhas, Land – Terra ou seja, Terra dos Vinhas. Leif primeiro achou a Helulândia (“Terra das Rochas lisas”), seguiu para o sul e achou a Marclândia (“Terra das Florestas”), até finalmente chegar à Vinlândia. Estabeleceram então uma base de inverno chamada Leifsbudir. Uma ocupação precária, mas é considerada o primeiro contato de colonizadores Europeus com a América, 500 anos antes de Cristóvão Colombo e Cabral.

Leif chegou a fazer contato com os habitantes nativos, os índios americanos, chamando-os de Skraelings, que significa selvagens ou estrangeiros. A convivência com os índios foi pacífica e Leif fundou o povoado de L’Anse aux Meadows que tinha uma população de cerca de trinta pessoas. Voltou para sua terra para trazer mais pessoas, mas descobriu que seu pai havia morrido e teve que assumir a responsabilidade do vilarejo de Brattahlid na Groenlândia.

As pessoas continuaram a chegar ao povoado até que no ano de 1012 os índios invadiram e destruíram todas as casas. Algumas dessas casas sobreviveram e foram encontradas cerâmicas vikings em 1962, o que provou de fato a existência desta lenda.

O Rei dos Macacos – Vol.6

No final de 1937, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, as forças japonesas conquistam Nanjing, na época capital da China – o início de um período de terror que durará vários meses. Lilith chega até Nanjing em busca do espiromorfo e para cumprir sua missão ela precisará vestir as roupas de Sun Wukong, o charmoso rei dos macacos, herói de uma famosa saga folclórica.

 

Ao lado, apresentação no Teatro Chinês usa mesmo figurino que Lilith usa para representar Sun Wukong. O Rei Macaco ou  Sun Wukong, é um dos principais personagens da novela épica clássica chinesa chamada de Jornada ao Oeste. Nessa história, ele é companheiro do monge Xuanzang numa viagem para recuperarem escritos budistas que estavam na Índia. A lenda do Rei Macaco foi a base para que Akira Toriyama cria-se Dragon Ball (imagem abaixo).

Fato Histórico: Episódio brutal da invasão do Japão à China

Enoch usou a lenda do Rei Macaco para dar um alívio à trama, pois o Massacre de Nanquim ou Nanjing, que aconteceu de 1937 a 1938, onde cerca de 260 mil pessoas morreram foi brutal. Vinte mil mulheres foram estupradas e mortas, incluindo meninas com menos de dez anos. O evento ainda hoje é traumático para chineses e polêmico para japoneses.

A China estava em guerra civil desde 1926, entre nacionalistas e comunistas (liderados por Mao Tsé-Tung). Por ser um país enfraquecido, algumas regiões eram controladas por potências estrangeiras. O Japão dominava a Manchúria e avançou sobre o território chinês quando viu que os nacionalistas estavam se preparando para confrontá-lo.

Em 1937, os japoneses atacaram a costa da China e conquistaram Xangai. Morreram 250 mil chineses e 40 mil japoneses. Os chineses fugiram para Nanquim, destruindo no caminho campos de arroz e tudo que pudesse ajudar as tropas japonesas.

Em 5 de dezembro o Japão cercou a capital e entrou na cidade. O general Tang Shengzhi, comandante das tropas chinesas em Nanquim, recrutou 100 mil soldados tentando evitar o avanço japonês e após oito dias de violentos embates, os japoneses derrubaram as defesas da capital.

O general japonês Asaka Yasuhiko ordenou a execução de todos os prisioneiros de guerra. Separaram civis, militares, homens e mulheres. Torturaram, enforcaram e fuzilaram os soldados. Massacraram os civis na rua. Alguns se refugiaram em templos, mas foram pegos mesmo assim. Os japoneses conduziram os cidadãos a uma cratera em uma pedreira. Enfileiraram todos e abriram fogo. Muitos caíram ainda vivos, e os soldados procuraram sobreviventes para executá-los.

O horror piorou sob o comando do general Iwane Matsui. Decapitação virou um esporte. Via-se quem era mais rápido e mais preciso no corte. Contavam quem matava mais bebês e arrancava mais fetos da barriga das mães. Penduravam cabeças para não perder a conta e davam os corpos a cães vira-latas, mais famintos do que nunca naquele momento. Para completar, praticaram vivissecção, ou seja, dissecar a pessoa ainda viva.

Mas o pior estava guardado para as mulheres. Arrastaram mães, solteiras e adolescentes para caminhões para transformá-las em escravas sexuais. Muitas delas, que os japoneses chamavam de “mulheres de conforto”, foram exportadas como escravas para os 2 mil bordéis militares que o Japão havia espalhado pelo continente asiático.

Em dois meses, poucos restaram de pé. Os japoneses ainda espancaram, afogaram, queimaram e fuzilaram os cidadãos. Enterraram crianças vivas. Observadores internacionais falavam de pilhas de cabeças e corpos espalhados na rua. Entre as milhares de mulheres estupradas, muitas foram violadas por grupos, mutiladas, mortas e largadas à vista, para aterrorizar quem ainda estava vivo.

O governo chinês continuou fugindo até a derrota final, em 1938. O Japão dividiu a China em estados fantoches e manteve a política expansionista. Tentou invadir a Rússia, sem sucesso, tomou Hong Kong e Xangai e atacou a base de Pearl Harbor, levando o país – e os Estados Unidos – à 2ª Guerra Mundial.

Os japoneses cometiam tantas atrocidades que até mesmo os nazistas pediram para eles evitarem tantos massacres. Existem muitas imagens do massacre de Nanjing no Google, mas as imagens são horríveis para serem colocadas aqui.


Apoie Lilith vol 2, e conheça suas espetaculares aventuras nestes eventos históricos:

https://www.catarse.me/lilith2

DEADWOOD DICK 2 CHEGA EM JANEIRO

As aventuras de Nat Love continuam no volume 2 de Deadwood Dick, anunciado este mês pela Panini Comics. Imagine um cowboy afro-americano Deadwood Dick que socorre um desconhecido largado para morrer no deserto. Ao chegar a Hide and Horns, uma vila povoada pela pior escória do extremo oeste, Dick quer dar a seu amigo Cramp um enterro cristão, mas é difícil para os racistas permitirem que um negro infecte o solo de seu cemitério.

E, depois, imagine um mar de encrencas que caem em cima dele: pistoleiros furiosos, prostitutas chinesas e um cadáver cada vez mais incômodo. Extraído de um conto de Joe R. Lansdale, esta é a premissa para “Entre o Texas e o Inferno”, volume dois de três que a Panini publicará este ano. Formato 20x30cm, 144 páginas P/B, miolo Offset  e capa dura pelo valor de R$ 56,00.

O escritor americano Joe R. Landsdale se inspirou na figura real de Nat Love, um pistoleiro negro que começou a agir logo após a Guerra de Secessão, apelidado de Deadwood Dick. Landsdale fez deste o protagonista de várias de suas histórias. A Bonelli adaptou sete histórias de Landsdale em quadrinhos com os roteiros de Michele Masiero, Maurizio Colombo e Mauro Boselli. As artes serão de Corrado Mastantuono, Pasquale Frisenda e Stefano Andreucci.

O terceiro volume que encerra as publicações no Brasil já foi anunciado pela Panini e será lançado este ano contendo as edições 5, 6 e 7 que formam um arco único num total de 192 páginas. O terceiro volume contará a história da “Segunda Batalha das Muralhas de Adobe”, que aconteceu em 27 de junho de 1874. Para quem não sabe a Batalha das Muralhas aconteceu de verdade.

Eram 28 caçadores de búfalos que defendiam o assentamento de Adobe Walls (onde hoje é o Condado de Hutchinson, Texas) do ataque de centenas de guerreiros Comanche, Cheyenne, Kiowa e Arapahoes. Um dia que eles tiveram tudo para perder o próprio escalpo e no meio disso tudo estada Deadwood Dick.

 

Não deixe de acompanhar as aventuras de Nat Love. O primeiro volume ainda pode ser encontrado na Amazon.

Nat Love, também conhecido como Deadwood Dick, se alista entre os soldados afro-americanos do Nono Regimento de Cavalaria do Exército americano para escapar de um linchamento. Ele aprende a domar cavalos, a suportar a vida no quartel, e também a caçar os índios rebeldes, até que, nos territórios selvagens das pradarias, acaba cara a cara com os apaches.

Conhecendo Adam Wild

Dica de trilha para escutar enquanto lê. Nada melhor do que a trilha de “As Minas do Rei Salomão”, clássico da Sessão da Tarde que conta uma grande aventura na África:

Gianfranco Manfredi (à direita), é um dos gênios da Sergio Bonelli Editore, criador de séries como Mágico Vento e Face Oculta. Em 2014 o italiano deu vida à mais uma série Bonelli: Adam Wild. Para nós esta série teve algo muito especial, em sua equipe de desenhistas estavam dois brasileiros: Ibraim Roberson e Pedro Mauro.

Ibraim Roberson já desenhou para Marvel e DC, além de ter feito a versão em quadrinhos do Guia de sobrevivência aos zumbis – Ataques registrados, lançado no Brasil pela Rocco. E Pedro Mauro é um desenhista muito experiente que voltou com força total. Começou na editora Taika, de Jayme Cortez ajudando Ignacio Justo em histórias de guerra. Meses depois assinava a arte da revista Pancho, um western spaguetti. Depois deixou as HQs para fazer storyboards para publicidade. Em 2017 Pedro lançou junto ao roteirista Carlos Estefan a hq independente “Gatilho” contando a história de um caçador de recompensas que chega a uma cidade abandonada em busca de justiça.

Voltando à Adam Wild, a obra foi lançada em outubro de 2014 com a primeira edição intitulada “Os Escravos de Zanzibar”. Os roteiros são de Gianfranco Manfredi e as capas são de Darko Perović. A realização gráfica do personagem ficou a cargo de Alessandro Nespolino. A série acontece no final do século XIX e suas histórias são histórico-aventureiras que ocorrem na chamada África negra, do Quênia à África do Sul, com uma “localização” prevalecente na Tanzânia, incluindo países como Congo e Nigéria.

Como em Mágico Vento, Face Oculta, entre outros de seus trabalhos, Manfredi escreve com muita base em pesquisa histórica. Adam Wild é um homem de ação, que prefere o contato com a natureza e a viver em Londres.

Em suas missões, Adam está sempre acompanhado de amigos e de Amina, a princesa guerreira Bantu que luta ao seu lado. Suas características o fazem parecer Errol Flynn (imagem abaixo), Clark Gable e Douglas Fairbanks.

Adam Wild é um homem ousado, positivo e amante da natureza. É um explorador escocês, membro da Royal Geographical Society de Londres. Em suas aventuras combate as mais diversas ameaças da exploração colonial na África como o poder de empresas ocidentais, a exploração nas minas de ouro e diamantes e as guerras tribais induzidas pela política europeia.

Em entrevista a Alfredo Castelli, criador de Martin Mystère, Manfredi comenta que Adam Wild nasceu como um projeto dedicado aos leitores de longa data da Bonelli. “Os leitores Bonelli estão a décadas conosco, são leitores para a vida toda. Em épocas de crise chegamos a vender 28 milhões de cópias e temos muito a agradecer aos fieis leitores. Enquanto no passado, quando a tradição da Bonelli era vista como conservadora, eu e outros autores tentávamos propor coisas inovadoras (devido à estabilidade assegurada por Tex, Dylan Dog e Martin Mystère), agora penso que alguém deveria cuidar não só de encontrar novos leitores, mas manter os que continuam conosco, pois se os perdermos, estamos ferrados”, comentou Gianfranco.

Foi Manfredi quem encontrou a arte de Pedro Mauro no Facebook e o convidou a fazer parte do projeto (arte de Pedro Mauro à direita). Em entrevista ao site Mania de Gibis, Pedro Mauro comentou sobre Gianfranco, “ele é muito organizado: manda todas as referências, quadro a quadro, e tem um roteiro bem fácil de seguir”. Já Ibraim Roberson chegou a Manfredi por meio do seu representante na Itália.

Segundo o desenhista, Manfredi nunca fez um retoque sequer nas sequências narrativas. “Ele parece desenhar cada detalhe das páginas no momento em que está escrevendo. O meu trabalho fica facilitado, pois é exatamente como uma tradução, em vez de uma adaptação”, diz Roberson. “Toda a energia de um texto incrível está visível em cada painel de Adam Wild”.

Em Adam Wild, Manfredi diz que tentou mostrar a raiz histórica de problemas que reapareceram fortemente hoje em dia, como a escravidão. “Adam Wild não é um explorador normal, ele é um libertador de escravos que mais tarde se envolve em guerras coloniais. É uma série que continuou o discurso aventureiro e histórico das obras de Arthur C. Clark (2001: Uma Odisseia no Espaço), ou do personagem Indiana Jones, etc.

Ao falar do encerramento da série na 26ª edição, Manfredi comenta que poderia ter abordado muito mais assuntos. “Adam Wild passa por cerca de quinze países africanos subsaarianos. Passagens pelo Congo, alusões ao Sudão e nem mencionamos Angola. Em suma, haveria muito a contar”, e destaca que agora com a série concluída, não mudaria nada em sua trajetória, “após ter passado pela falta de clareza no início da série, pois não sabíamos se seria longa ou não, tudo se encaixou depois e a série é muito clara em sua proposta”.

Viva Bonelli!

Séries Bonelli que talvez nunca vejamos no Brasil: Morgan Lost

A Sergio Bonelli Editore se modernizou bastante nas últimas séries lançadas, como exemplo cito Orfani, primeira série Bonelli totalmente publicada a cores. Em Morgan Lost, mais uma grande novidade foi explorada. O personagem sofre de um problema de visão, fazendo com que enxergue em escalas de cinza e vermelho, por isso em todas as edições da série, fora a capa, enxergamos da mesma maneira que Morgan, em apenas tês cores.

Conhecendo a série

Morgan Lost começou a ser publicada em 2015. A série é uma criação de Claudio Chiaverotti (ao lado), autor que já trabalhou com Dylan Dog em alguns especiais, Dylan Dog Gigante e almanaques.

Em 1998 criou Brendon, um mercenário em uma terra pós-apocalíptica. Série também publicada pela Bonelli. Escreveu algumas edições de Martin Mystère até criar Morgan Lost. Morgan é um caçador de Serial Killers de New Heliopolis, uma versão alternativa de Nova York dos anos 1950, onde a Segunda Guerra Mundial nunca aconteceu.

A cidade é cheia de assassinos em série e a polícia criou um Grupo Especial dedicado a apenas capturar este tipo de criminosos. O personagem nasceu no final dos anos 1920 e logo ficou órfão acabando em um orfanato. Ele cresce e torna-se proprietário de um cinema chamado, o Império. Junto à sua namorada, Lisbeth Connor eles administraram o local por um tempo. Uma noite os dois foram sequestrados por homens mascarados que os torturaram. Os bandidos tatuaram uma máscara preta no rosto de Morgan. Lisbeth morre e Morgan se salva.

Ele vende o cinema ao seu velho amigo Fitz e inicia uma carreira de caçador de Serial Killers. Seis anos depois da tragédia, ele vive em um pequeno apartamento no topo de um arranha-céu. Vive atormentado por traumas passados e sofre de insônia. Durante suas investigações descobre seus captores e que Lisbeth não está realmente morta. Ela também se tornou uma assassina em série!

Junto a uma criminóloga, Pandora Stillman, Morgan encontra Lisbeth e descobre que o médico que cuidou dela, (atenção agora que é bizarro) descobriu que Lisbeth tinha a mesma doença que o Diretor do Templo da Burocracia, fingiu a morte de Lisbeth e a vendeu para que os cientistas do Diretor pudessem achar uma cura para ele. A cura não foi encontrada e o Diretor fez de Lisbeth sua parceira, pois ela é a única mulher que pode se relacionar com ele, sem matá-lo!

Características do personagem

Como mencionei acima, Morgan sofre de um problema de visão que o faz enxergar em escalas de cinza e vermelho. Quando se encontra em situação de forte estresse psicológico, ele gagueja, problema que traz desde a época que estava no orfanato.

Ele sofre de insônia, que o faz ficar sem dormir por dias, o que provoca fortes enxaquecas que tenta resolver com analgésicos. Quando está perto do mar, Morgan tem visões estranhas com os assassinos que caçou e matou, sentados em cadeiras o observando.

A tatuagem que tem no rosto, os maníacos que fizeram isso tinham o costume de fazer em outras vítimas. Chamam a tatuagem de “Olhar de Seth”. Morgan chegou a fazer um curso na polícia de New Heliopolis recebendo educação necessária para conseguir rastrear o perfil dos assassinos em série.

Ele tem uma boa preparação física e habilidade de luta corporal bem como no uso de armas de fogo. Usa uma pistola Mateba AutoRevolver. Na fivela de seu cinto tem o símbolo da paz, que pegou de um pingente que Lisbeth tinha ao redor do pescoço no dia de seu sequestro.

Publicações

A série principal iniciou em 2015 e teve 24 edições já concluídas. Em 2017 iniciou uma nova série, Morgan Lost – Dark Novels que está em sua quarta edição.

E então? A série é muito bem construída com várias referências à assassinos bizarros do cinema. Tem um personagem cheio de problemas, dramático e a série regular já está concluída com 24 edições. Teria chance se fosse publicada no Brasil?

Viva Bonelli!

Séries Bonelli que talvez nunca vejamos no Brasil: ORFANI

Orfani é mais uma série Bonelli do gênero ficção científica. Criada por Emiliano Mammucari e Roberto Recchioni, atual editor de Dylan Dog e roteirista do Detetive do Pesadelo por anos, inclusive foi autor da premiada Mater Morbi. Orfani é publicado na Itália desde 2013 em cores.

A série fala de uma guerra entre uma raça de extraterrestres e uma equipe de crianças treinadas para combatê-los, conhecidos como “órfãos”, daí o título, Orfani. Esta é a primeira série da Bonelli totalmente colorida. Os autores comentam que se inspiraram em obras como The Lord of the Flies, de Willian Golding e Tropas Estelares, de Robert A. Heinlein. Além da já costumeira mistura de filmes e quadrinhos que vemos em várias séries Bonelli. Orfani por exemplo tem referências à Alien, The Big Red One (Agonia e Glória, no Brasil), Full Metal Jacket (Nascido para Matar, no Brasil) e Star Wars, além da famosa série de jogos, Halo.

Orfani tem tramas divididas em temporadas, como uma série de televisão. Na primeira temporada, a história é dividida em duas linhas de tempo diferentes que se alternam durante a narração. No passado são mostradas as fases de treinamento que os órfãos são submetidos, e no presente os personagens são enviados para a guerra entre humanos e os extraterrestres.

A trama

Um raio de energia devastador atinge a Terra, arrasando a maior parte da Europa e matando instantaneamente um sexto da população. A destruição é um ataque premeditado por alienígenas de um planeta distante. Após este evento, um cientista sérvio chamado Jsana Juric e um coronel do exército japonês chamado Takeshi Nakamura reuniram um grupo de órfãos que sobreviveram à catástrofe, para sujeitá-los a treinamento duro e torná-los soldados com o objetivo de invadir o planeta hostil e evitar que outra tragédia acontecesse.

No início da história do passado, os militares submetem as crianças a um teste, os levando separadamente a um território selvagem e logo eles percebem que foram abandonados no lugar e devem retornar à base de Dorsoduro. O grupo imediatamente se encontra sob a liderança de Hector, o mais velho, que começa a orientar os meninos. Jonas, outro sobrevivente, começa a fazer amizade com Hector que se torna uma figura de referência pra ele. Depois de alguns dias de caminhada, Juric e Nakamura decidem liberar na área onde as crianças estão, ursos famintos. Hector se sacrifica para salvar o grupo e Jonas se torna o responsável por todos.

Eles vão de encontro a um precipício e são seguidos por outro urso. Desesperados começam a atirar pedras e conseguem cegar o animal, que com raiva acaba derrubando todos da encosta. Horas mais tarde eles conseguem retornar à base e tem início ao treinamento.

No futuro, a força de invasão terrestre chega ao planeta alienígena. Os soldados devem tomar injeções diárias para neutralizar a radiação do planeta. Ao descer no planeta não encontram resistência, mas algo estranho… não tem vestígio de vida alienígena. Porém do nada começam a aparecer os inimigos, sem qualquer arma de fogo e começam a matar os soldados da Terra.

A batalha parece perdida e quando uma equipe de cinco soldados, cada um vestido de uma maneira diferente dos outros aparece, conseguem eliminar em um curto espaço de tempo a maioria das forças inimigas, fazendo os alienígenas sobreviventes bater em retirada. Os soldados, surpresos, perguntam qual o nome dos cinco heróis e depois destes tirarem os capacetes reconhecem Jonas e seus companheiros, os Órfãos!

Uou! É de tirar o fôlego essa série hein? Ela não segue o habitual Bonelli, é colorida, quadrinhos dinâmicos e uma trama espetacular.

Foram publicados até o momento 48 edições e Recchioni já confirmou que a sexta temporada, com o título Sam, será a última, encerrando a série com 54 edições.

E aí? É ou não é uma boa pedida?

 

 

Viva Bonelli!

Séries Bonelli que talvez nunca vejamos no Brasil: LE STORIE

Esta talvez seja uma série que depois de Dragonero, pudesse vir a fazer sucesso no Brasil. Le Storie é uma série de quadrinhos publicada pela Sergio Bonelli Editore desde 2012. Ao contrário das outras, esta não tem um protagonista recorrente e cada edição tem uma história completa (por isso digo que poderia fazer sucesso no Brasil, pois os leitores gostam de edições fechadas). Os gêneros também são diversos, desde fantasia, ficção científica, histórias de samurai, terror, históricas, etc…

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Séries Bonelli que talvez nunca vejamos no Brasil: SAGUARO

 

Um índio Navajo, Agente do FBI que volta à sua terra após a Guerra do Vietnã e o plano de fundo desta trama bonelliana.

Nós, fãs de Tex, podemos dizer que temos um leve conhecimento da história americana, seu território e povos que a ocupam. Isso porque acompanhamos Tex, Carson e companhia em suas aventuras por todos os cantos dos EUA (e do mundo às vezes). Mas pode ser que nosso conhecimento seja escasso após o período do velho oeste. O que aconteceu com as já à míngua tribos nativo americanas no fim do século XIX? É o que se vê de perto na série Saguaro, lançada em 2012 e já encerrada na Itália.

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Diabolik – Série em TV?

Como sempre, nosso Confrade, Thiago Gardinalli, trouxe uma série de curiosidades e novidades! E uma delas é justamente sobre Diabolik. De acordo com as apresentações feitas durante a Lucca Comics, a matrona responsável pelo título, a editora Astorina, anunciou a captação de recursos para subsidiar uma possível série de TV!

Confiram:

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