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Mister No – Era uma Vez em Nova York

No próximo domingo (20), a Editora 85 irá lançar uma nova campanha no Catarse onde trará as obras Morgan Lost #3, Dampyr #7 e a estreia da minissérie integral Hellnoir e de Almanaque Mister No #1 com a história “Era Uma Vez em Nova York”.

A Confraria Bonelli fará uma live especial com a participação do editor da 85 Leonardo Campos e o tradutor Júlio Schneider, onde será comentado sobre todos os lançamentos e sobre a campanha que iniciará no domingo mesmo durante a Live.

Era uma vez em Nova York

Manhattan, 1936. Na Nova Iorque da Grande Depressão, cresce um menino inquieto chamado Jerry Drake. É um amuleto de boa sorte para o gigantesco Trem Kowalsky, o maior dos boxeadores de rua da época. E ele está perigosamente fascinado pelo gangster Frankie “Missa Cantada” Nigro, de quem é seu protegido. Jerry também se tornará um “bom rapaz” como ele?

Maurizio Colombo é um roteirista pouco convencional. Na Sergio Bonelli Editore começou a escrever em Zagor, Nick Raider e Mister No, até criar, junto a Mauro Boselli a série mensal Dampyr. Hoje em dia, este talento não mais escreve quadrinhos. É uma pena, pois Colombo, se continuasse seria o herdeiro natural de Sergio Bonelli.

Era uma Vez em Nova York é um exemplo perfeito disso. Diferente de Mister No Revolução, de Michele Masiero que narra a juventude de Mister No passando pela Guerra do Vietnã, publicada no Brasil pela Panini em três partes, Era uma vez em Nova York narra a juventude de Mister No da série regular, que nasceu em Nova York na década de 1930, lutou na Segunda Guerra Mundial e depois foi parar no Amazonas.

Colombo constrói uma jornada fascinante e nostálgica para Jerry Drake (Mister No) em sua infância, onde morou na área norte de Manhattan, perto do Harlem. A história acontece na metade da década de 1930 e o jovem Jerry vive em meio a bandidos de médio porte sem futuro. Ele verá seu melhor amigo ser morto por um idiota, irá aspirar a se tornar um gângster como seu mentor, conseguindo descobrir por si mesmo qual é o caminho certo a seguir.

É o próprio Mister No adulto que narra a história reconstituindo os lugares de sua juventude agitada, tudo ao estilo e ritmo do filme Amarcord (1973), de Frederico Fellini. O título Amarcord é uma referência à tradução fonética da expressão a m’ arcord (eu me lembro), usada na região da Emilia-Romagna, onde o diretor nasceu. Federico Fellini sempre negou que o filme fosse uma autobiografia, mas reconhecia que existiam semelhanças com a sua própria infância em Rimini.

Trailer de Amacord, onde a atmosfera do filme está presente nas páginas de Era uma vez em Nova York:

Claro que O Rei do Sertão e Magia Negra são obras-primas consideradas pelos fãs de Mister No, ambas já publicadas pela 85 na série Especial, mas Era uma vez em Nova York é uma obra apaixonante que merece estar entre as melhores histórias do personagem. Em especial se quisermos compreender as origens de um personagem tão fora da caixa quanto Mister No.

As evidências ao cinema ficam evidentes a todo momento a começar pelo título, que remete aos filmes de Sergio Leone, em especial a “Era uma vez na América” que tem a mesma temática e acontece na mesma época.

Colombo também insere na trama filmes de gângster de Hollywood, passando por clássicos do cinema mudo como Asas (1927), de William Wellman, que aumenta a paixão do jovem Jerry pela aviação.

Mas o ponto alto desta história é a galeria de personagens que Colombo insere na trama de quase trezentas páginas, onde se destaca o maior vilão com um coração de ouro, Frankie “Messacantata” (Frankie Missa Cantada Nigro na versão da Editora 85), uma espécie de Robin Hood que não perdoa os infames e protege os indefesos.

O gângster Frankie “Messacantata” é inspirado no ator Chistopher Walken, mas a risada é claramente reinventada no modelo Jack Nicholson quando interpretou o Coringa em Batman (1989). Já o assassino da máfia, Carmine, conhecido como Zanzara lembra o personagem Mabuse da história em quadrinhos Um Homem de Chicago de Alfredo Castelli e Giancarlo Alessandrini.

Walken em O Último Matador (1996)

Iremos conhecer também o personagem Trem Kowalsky, um boxeador de rua dotado de grande humanidade.  A tia de Jerry que espera ansiosamente por seu irmão que foi lutar na guerra da Espanha e tem que suportar um marido policial violento e “incorruptível”; e, finalmente, o aspirante a gênio da música Ray Dubois que acompanha esta história com notas de jazz.

Em uma aventura tão cheia de ação e emoção, não poderia faltar o amor do pequeno Jerry por Lizzie, um amor não correspondido como a maioria dos amores juvenis, cheio de decepções e ressentimentos.

Os desenhos de Giovanni Bruzzo completam esta grande obra, reconstruindo com perfeição o clima retrô de um filme de gângsteres e imergindo o leitor naquele fedor nauseante e típico dos bairros populares da Grande Maçã. Bruzzo imprime um estilo clássico, perfeito para uma história de aventura.

Esta história foi lançada em Maxi Mister No #2 em 1999, e se destaca claramente das outras do herói a que estamos acostumados, oferecendo-nos uma das melhores histórias da própria Bonelli dos últimos anos. Um verdadeiro afresco histórico que uma vez lido não é esquecido.

Almanaque Mister No #1

Esta nova proposta da Editora 85 quer trazer histórias completas de Mister No, especialmente da série Maxi, já que as da série Speciale já saem em Mister No Especial, que já está na sexta edição. O Almanaque terá 292 páginas com miolo offset e capa cartão supremo com orelhas. Formato italiano.

Para saber mais acompanhe a live de lançamento da campanha da 85 no canal da Confraria Bonelli. A live acontece no domingo (20) a partir das 20 horas.

Mister No e a Mad Maria

Sergio Bonelli era um aventureiro e muitas das histórias que escreveu com o pseudônimo de Guido Nollita saíram de suas aventuras. Em Mister No isso acontece ainda mais, pois Jerry Drake percorre por muitas vezes o caminho trilhado no mundo real por seu criador, Sergio.

Um exemplo disso é a relação de Sergio Bonelli com a Ferrovia Madeira-Mamoré, cuja história foi imortalizada no livro Mad Maria de Márcio de Souza. A intenção era construir uma estrada de ferro de 366 Km no meio da Floresta Amazônica para ligar Guajará-Mirim a Porto Velho.

A Bolívia havia perdido sua faixa litorânea no Pacífico para o Chile, durante a Guerra de Guano em 1883 ficando sem saída para o mar, meio fundamental para uma economia baseada na exportação. Por isso os bolivianos optaram trocar o Acre por uma ferrovia que fosse da fronteira do Brasil ao rio Mamoré e daí, de barco pelos rios Madeira e Amazonas, os produtos bolivianos chegariam ao Atlântico.

Mister No: O mais Brasileiro dos personagens Bonellianos agora também na Red Dragon

Nosso querido piloto, que entre idas e vindas, voltou ao Brasil novamente pela Editora 85 e pela Panini, é sem dúvida a materialização do carinho do Sergio Bonelli pelo nosso pais. Recentemente produzimos uma matéria sobre as novas publicações por essas duas editoras – Leia AQUI. Mas sempre cabe, para os novos leitores, um pouco da história desse personagem tão brasileiro, ainda mais porque a Red Dragon Publishing traz de volta também a série regular do personagem.

Mister No voltou com tudo ao Brasil

O herói americano, feito na Itália, mais brasileiro de todos voltou com tudo ao Brasil, país onde seu criador, Sergio Bonelli desenvolve a grande maioria das aventuras do Piloto “cachaceiro”, Mister No. Além de chegar à quarta edição pela Editora 85, o herói tem uma série especial sendo publicada pela Panini e muito em breve sua série regular mensal voltará a ser publicada.

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