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Lorentz lança Dylan Dog Gigante 1

A Editora Lorentz está com campanha no Catarse para o lançamento de Dylan Dog Gigante n.1. Uma edição realmente gigante, com 216 páginas e medindo 21×29,7 cm, papel offset 115g e acabamento em capa dura. É a edição mais luxuosa do personagem da Bonelli já lançada no Brasil.

O Gigante é fruto da Dylan Dog Mania que o Investigador do Pesadelo vivia no final da década de 1980 e começo dos 90. Com festivais com seu nome que contavam com milhares de pessoas e a presença de grandes figuras do cinema de terror como Bruce Campbell (Evil Dead), Wes Craven e Robert Englund (A Hora do Pesadelo).

Além da Gigante, a Editora Lorentz também está trazendo mais duas séries que saíram na época. Uma já foi lançada, Dylan Dog Especial  e final do ano chega o Almanacco Della Paura. Dylan Dog Gigante n.1 terá prefácio de Sergio Bonelli e tem previsão de chegar aos apoiadores no meio do ano.

O Gigante conta com três histórias, duas longas e uma curta, todas inéditas no Brasil e todas com roteiro de Tiziano Sclavi. A edição começa com um clássico com roteiro de Sclavi e desenhos de Giampiero Casertano:

Totentanz

Caminhando entre lápides numa noite de Halloween, Dylan Dog encontra a jovem Hope, fada dos cemitérios e guardiã das almas perdidas. Ao seu lado, ele descobrirá as histórias dos mortos, seus amores traídos e as esperanças consumidas pelo tempo – um relato de mil vidas engolidas pelo vazio. Uma noite mágica, onde os espectros retornam à carne e os vivos se tornam fantasmas…

Em Crimes de Amor, com roteiro de Tiziano Sclavi e desenhos de Bruno Brindisi:

O assassino e o detetive: duas figuras que se perseguem, se encontram e se confundem. Dylan reconheceu as mãos do monstro, sentiu na pele seu sopro gelado e percebe uma fúria selvagem crescendo dentro de si. Agora, ele está ali, indefeso diante do cano da própria arma… Será capaz de não puxar o gatilho?

E a terceira história que fecha o volume é: O Dia do Juízo Final com roteiro Tiziano Sclavi e desenhos de Ugolino Cossu:

Um anjo despenca dos céus, abatido por um míssil. Os mortos saem de suas tumbas em busca de alguém que julgue seus pecados. Monstruosidades repentinas e surtos de loucura assassina. Será mesmo o dia do juízo final? Não, tudo é absurdo demais. Parece ser uma farsa, um sonho, um delírio de humor macabro… ou será que não?

 

A edição custa apenas R$ 89,00 e pode ser apoiada pelo link: https://www.catarse.me/gigante

Editora Lorentz anuncia três coleções de Dylan Dog

Em 1986, Tiziano Sclavi publicou pela Sergio Bonelli Editore Dylan Dog. Rapidamente a série de terror atraiu um grande público de jovens leitores os envolvendo em questões como: direitos dos animais, antirracismo, inclusão de comunidades marginalizadas e muito mais. De 1986 a 1995, nos primeiros 100 números de Dylan Dog, diz-se que é a Era de Ouro de Dylan Dog.

Em 1987, Sergio Bonelli estava determinado a explorar o potencial do personagem de Sclavi e conhecer o novo público que era atraído para a editora. Muito diferente do então público que era predominantemente de meia-idade. Ele então encomendou um evento que pudesse reunir os fãs mais jovens em torno de Dylan Dog, identificados pela estreita relação entre cinema, terror e histórias em quadrinhos.

Assim nasceu, em 1987 o Dylan Dog Horror Festival. Um festival dedicado ao cinema de terror com o nome do personagem. O evento foi totalmente gratuito e na primeira edição levou Sergio Stivaletti, o criador dos efeitos especiais de Dario Argento. Com um sucesso inesperado, o Festival aconteceu mais três vezes, em 1990, 1992 e 1993, que contaram com Bruce Campbell (Evil Dead), Wes Craven e Robert Englund (A Hora do Pesadelo).

Na esteira da Dylan Dog Mania, a Bonelli aproveitou e lançou uma série de títulos extras além da série regular. Todos com a curadoria de Tiziano Sclavi. Entre os novos títulos estava o Speciale, Almanacco Della Paura e Dylan Dog Gigante. São estas séries que a Editora Lorentz acaba de anunciar e irá trazer ao Brasil nos próximos meses. Iniciando por Dylan Dog Especial.

Dylan Dog Especial

Desde 28 de setembro está no ar a campanha no Catarse Dylan Dog Especial #1 – O Clube do Terror e As Vozes da Água, uma Graphic Novel de Tiziano Sclavi com desenhos de Werther Dell’Edera.

O Speciale Dylan Dog é a primeira coleção lançada fora da série regular do personagem. É uma edição anual que ainda é publicada na Itália e já conta com 38 volumes. A partir do Speciale 29 deu-se início a aclamada série “O Planeta dos Mortos”, publicada hoje no Brasil pela Panini Comics em um formato de luxo.

A Lorentz publicará as duas primeiras edições da série em formato italiano, papel off set 120g. Mais de 300 páginas que incluem os volumes especiais da Enciclopédia do Medo que saiam junto com as edições.

A edição terá alguns extras como o prefácio de um autor de Dylan Dog. O Dylan Dog Horror Post, com perguntas de apoiadores e o Dylan Dog Horror Club, onde uma fã se apresentará para agregar ao ponto de vista do personagem.

A edição será vendida por R$ 62,90 no Catarse e conta com as seguintes histórias:

Dylan Dog Especial #1 – O Clube do Terror

Publicado em 1º de agosto de 1987

Roteiro de Tiziano Sclavi com roteiro de Corrado Roi. Capa de Claudio Villa. Tradução de Paulo Guanaes.

132 páginas.

Em uma noite, nas margens do Lago Ness, o Clube do Terror se reúne. Seis narradores de contos de fadas sombrios se desafiam. Qual é a história mais assustadora? Invenções bizarras, loucuras, fantasmas, histórias imaginadas e reais. Tudo para homenagear o mistério do lago: o Monstro do Lago Ness. Dylan escuta com atenção e sente a tensão aumentando. Parece que algo está se mexendo no lago…

Este volume ainda contém a Enciclopédia do Medo. O Horror de A a Z, com a curadoria de Ferruccio Alessandrini.

Dylan Dog Especial #2 – Os horrores de Outro Quando

Publicado em 1º de julho de 1988

Roteiro de Tiziano Sclavi com arte de Attilio Micheluzzi (Autor de Marcel Labrume, edição em campanha pela Figura). Tradução de Paulo Guanaes.

132 páginas

Quais são os limites do terror? Não dá pra saber, é preciso descobrir aos poucos. No espaço, existe um pequeno e estranho planeta que pode ajudar a descobrir. Chama-se Terra e é habitada por criaturas que tem uma familiaridade especial com o terror. Elas contam histórias: zumbis, vampiros e monstros são sua especialidade. E se não for o suficiente, eles buscam onde há mais terror para lhe contar.

Este volume ainda contém a Enciclopédia do Medo. O Diabo de A a Z, com a curadoria de Ferruccio Alessandrini.

As Vozes da Água, Graphic Novel de Sclavi

A primeira campanha da Lorentz também publicará “As Vozes da Água”, Graphic Novel publicada em 2019 com roteiro de Tiziano Sclavi com desenhos de Werther Dell’Edera, artista que faz a série Something is Killing the Children, da Boom! Studios que é publicada no Brasil pela Devir.

A edição da Lorentz terá aproximadamente 100 páginas em papel off set. Capa dura, 16x24cm (formato americano).

Em 2019 o lançamento desta obra pegou de surpresa a todos os fãs de Sclavi, pois ele estava afastado dos quadrinhos há 9 anos devido a uma forte depressão e ao alcoolismo. Em 2007 ele se afasta totalmente e volta a escrever Dylan Dog em 2016 com a história Depois de um longo silêncio. Em 2017 sai mais uma história de usa autoria, No Mistério e em 2019 ele lança a Graphic Novel As Vozes da Água.

Em As Vozes da Água temos Stavros, um homem que sofre de diversas fobias, vagueia por uma cidade onde sempre chove. Tentando lidar com os traumas que sofreu e enfrentando seus medos, ainda tem que lidar com o fim do mundo, mesmo que seja ignorado por todos. Além dele, muitos outros personagens na trama parecem sofrer de fobias semelhantes. E além disso, Stavros começa a ouvir vozes em sua cabeça que falam com ele quando entra em contato com a água.

A narrativa avança com flashes carregados de existencialismo, do absurdo que caracteriza a vida de Stavros. O leitor acaba se sentindo um pouco como ele, atordoado, desorientado. O que as vozes da água querem dizer? Por que ele? A resposta não é óbvia, se é que existe.

Vemos alguns lampejos do Sclavi Dylandoguiano quando ele mostra um escritório como um dos maiores horrores. Com um diretor sem qualquer sentimento e um local sem condições de trabalho. Além de utilizar os pais como a origem dos problemas, provocando no leitor até um sentimento de piedade.

Werther Dell’Edera, autor de forte personalidade artística, tem o trabalho em perfeita harmonia com o tom surreal da história. Os desenhos sem margens, a ausência de fundos pretos, a chuva onipresente, entre outras qualidades que contribuem para a narrativa.

As Vozes da Água é uma das melhores obras de Sclavi se você aproveitar o momento e se eixar saborear pela história. As dúvidas que surgem sobre a obra desaparecem com uma leitura mais atenta. Temos aqui um Sclavi com sua brilhante ironia e sua extraordinária sensibilidade para lidar com temas difíceis e delicados.

Dylan Dog Gigante

Pra 2025 a Lorentz já prepara mais uma campanha de Dylan Dog que será a edição gigante. A Lorentz trará do tamanho da original, 29,5 x 21 cm (maior que um Tex Gigante) em capa dura e papel offset. Com prefácio de Sergio Bonelli. A campanha deve iniciar em janeiro ou fevereiro. Dylan Dog Gigante teve 22 edições na Itália, publicadas anualmente e se encerrando em 2013.

Dylan Dog Gigante #1

Publicado em 1º de janeiro de 1993 traz três histórias:

Totentanz

Roteiro de Tiziano Sclavi com a colaboração de Mauro Marcheselli. Desenhos de Giampiero Casertano.

Noite de Halloween, entre os túmulos, Dylan Dog conhece a jovem Hope, guardiã das almas perdidas. Junto a ela Dylan encontrará a história de vários fantasmas que vem ao seu encontro. Sem entender, Dylan se desespera ao longo da noite buscando saber o porquê ele estar neste local tão tenebroso e passando por esta situação.

Crimes de amor

Roteiro de Tiziano Sclavi com arte de Bruno Brindisi

O assassino e o detetive se encontram. Dylan sente uma raiva crescendo e tem o assassino, indefeso, na mira de sua arma. Mas será que conseguirá puxar o gatilho?

O Dia do Julgamento

Roteiro de Tiziano Sclavi com desenhos de Ugolino Cossu

Um anjo despenca, atingido por um míssil. Os mortos saem de seus túmulos em busca de alguém que julgue seus pecados. Monstruosidades e ataques homicidas começam a acontecer. É o dia do Juízo Final?

Almanaque do Medo

Almanaque do Medo de Dylan Dog é uma revista que foi publicada pela Bonelli anualmente, a partir de 1991. Idealizada por Alfredo Castelli (Martin Mystère), os três primeiros volumes foram lançados como suplementos da série de reimpressões de Dylan Dog. E a partir do quarto volume começam a fazer parte da Série Almanaque da Bonelli, onde publicava diversos personagens da Bonelli. Por exemplo, o Almanaque de Nathan Never era o Almanaque de Ficção Científica, o de Martin Mystère era o do Mistério, o do Tex era o do Oeste e o de Julia e Nick Raider era o Giallo, que remete à histórias de suspense e policial.

São volumes de 160 páginas contendo uma ou duas histórias inéditas de Dylan Dog além de colunas e artigos dedicados a temas que envolvem terror no cinema, música, livros e Videogames. Inicialmente em preto e branco, a partir de 2007 as páginas das colunas passaram a ser coloridas.

O Almanaque do Medo foi até a 24ª edição. A partir de 2023 a nova editora de Dylan Dog, Barbara Baraldi resgatou a ideia desta publicação na Enciclopédia do Medo. E além de histórias curtas, ela também traz matérias e curiosidades.

Ainda em 2025 a Editora Lorentz trará o Almanaque do Medo no mesmo formato da edição Especial, mas com menos páginas, pois, segundo a editora a maioria dos artigos estão datados. Os que ainda forem publicáveis estarão na edição.

Almanaque do Medo #1

Publicado dia 1º de março de 1991.

Capa de Angelo Stano.

160 páginas

Depois do Grande Esplendor

Roteiro de Tiziano Sclavi com desenhos de Gabriele Pennacchioli, que hoje em dia trabalha como animador. Já trabalhou com a Dreamworks e hoje trabalha na Blur Studios que faz a série Love Death and Robots para a Netflix.

Uma grande luz virá para acabar com o mundo cobrindo tudo com chuva radioativa…Monstros vivem escondidos da humanidade, nascidos do pesadelo atômico querendo ter seu direito a viver.

A adega

Roteiro de Tiziano Sclavi com arte de Corrado Roi

O pequeno Jonas não quer descer pois lá embaixo, sob o alçapão abre-se um poço escuro, cheio de horrores. Um universo paralelo povoado por monstros e tentáculos. Será apenas a imaginação fértil de uma criança?

Almanaque do Medo #2

Publicado em 1º de março de 1992

94 páginas. História completa. Entre os extras está o Manual do Caçador de Fantasmas.

A máscara do diabo

Argumento de Tiziano Sclavi e Roteiro de Claudio Chiaverotti. Desenho de Gabriele Pennacchioli. Capa de Angelo Stano.

Uma máscara é roubada do antiquário Hutton e acaba tornando quem a usa um demônio assassino que Dylan Dog precisa destruir.

Editora Lorentz já foi a Casa de Dylan Dog no Brasil

A Editora Lorentz hoje se denomina a casa de Alvar Mayor, Avrack, Black Death e Loco Sexton, mas em 2017 era a casa de Dylan Dog. Foi através de seu editor, Adriano Lorentz que publicou do próprio bolso três edições em formato italiano de Dylan Dog. Retorno ao Crepúsculo, Manchas Solares e Mater Morbi.

Foi graças à esta iniciativa que Editoras como a própria Mythos, Editora 85, Red Dragon Publisher, entre outras começaram a publicar mais histórias da Bonelli em seu formato original.

Somente em 2019 a Editora voltou ao mercado editorial publicando Alvar Mayor e agora em 2024, a Lorentz retorna a Dylan Dog com um planejamento editorial muito bem definido para voltar a ser mais uma Casa de Dylan Dog no Brasil.

Mythos prepara Dylan Dog Omnibus #2 para Dezembro

Esta semana muito se falou sobre a Editora Mythos e buscando colher mais informações acabou surgindo uma excelente novidade. Por e-mail o Editor e sócio da Mythos, Dorival Vitor Lopes revelou que a editora já está preparando o segundo volume de Dylan Dog Omnibus para dezembro.

Dorival Vitor Lopes. Foto: texwillerblog.com

“Estamos firmes e fortes e já trabalhando no plano editorial do próximo ano. E nosso projeto mais imediato é fazer nossas vendas crescerem e preparar o Dylan Dog Omnibus nr. 2 para dezembro”, revelou Dorival.

O primeiro volume, lançado em agosto, superou as expectativas de vendas da editora que precisou fazer mais de uma tiragem para dar conta dos pedidos em pré-venda. Com 604 páginas, a edição traz as seis primeiras edições do Investigador do Pesadelo, todas com roteiro do criador do personagem, Tiziano Sclavi e desenhos de Angelo Stano, Corrado Roi, Gustavo Trigo, Montanari & Grassani, entre outros.

Todas as seis edições já haviam sido publicadas pela Editora Record no início da década de 1990 e a primeira, “O Despertar dos Mortos Vivos” foi publicada pela Editora Conrad em 2001.

E para o próximo Omnibus teremos as seguintes histórias:

Dylan Dog #7 – A Zona do Crepúsculo, com roteiro de Tiziano Sclavi e desenhos de Montanari & Grassani. A vida flui em Inverary, lenta e lamacenta como a água do pântano. Mabel Carpenter (referência a John Carpenter) experimenta uma angústia silenciosa enquanto os dias seguem preguiçosamente… Será sempre assim? Vai ser desse jeito todos os dias? Há algo estranho na neblina do lugar. Qual é o segredo que o Doutor Hicks esconde? Por que ninguém nasce e ninguém morre na eterna quietude de Inverary? Muitas perguntas certo? Somente o Dylan pra desvendar tudo.

Dylan Dog #8 – O Retorno do Monstro, roteiro de Tiziano Sclavi com arte de Luigi Piccatto. Leonora Steele é cega, mas pode ver com os olhos da memória. A morte chegou perto dela há muitos anos, quando sua família foi assassinada por um louco. Agora este monstro voltou! Damien, o gigante assassino fugiu do manicômio para matar Leonora e o único que pode impedi-lo é Dylan Dog. Esta edição também foi publicada pela Conrad em 2001.

Dylan Dog #9 – Alfa e Omega. Roteiro de Sclavi com desenhos de Corrado Roi. A noite se ilumina e um objeto estranho despenca do espaço. A jovem Amy Irving encontra uma força alienígena com um poder incrível: o poder de se moldar em formas infinitas. Os mistérios de todo o cosmos se abrem diante de Dylan Dog. Qual é o propósito secreto da criatura? Por que ele escolheu a Terra? E por que ele quer um filho com Amy? Eeeeepa!! Uma das primeiras e brilhantes histórias de Sclavi que tratam de ufologia.

Dylan Dog #10 – Através do Espelho. Roteiro de Sclavi com desenhos de Giampiero Casertano.

Aditrevid é etrom A… Sim, às vezes é preciso ler o livro do Destino de trás para frente para entender a trama. Uma cadeia de mortes sem explicação e sem culpados, monstros infernais que saem dos espelhos, portas abertas para outros mundos. Tudo começa na casa de Rowena durante um baile de máscaras, um baile em que ninguém é o que parece ser…

Dylan Dog #11 – Diabolô O Grande. Roteiro de Sclavi com arte de Luca Dell’Uomo.

Com um movimento ágil dos dedos, um manequim, sangue falso… e o voilá, o truque está feito! No espetáculo de Diabolô, a morte é encenada como uma ilusão perfeita, mas, na vida real, ninguém vê o truque… porque não existe! Um serial killer se move nos bastidores da magia e um caso difícil está no caminho de Dylan Dog: ele deve enfrentar todos os truques de mágica de uma mente perturbada.

Dylan Dog #12 – Killer! Roteiro de Tiziano Sclavi com desenho de Montanari & Grassani.

“Cão!” é a única palavra que escapa entre os lábios do assassino. O que isso significa? Um gigante invulnerável assola as ruas de Londres, matando com a frieza de uma máquina e ninguém consegue detê-lo. Sua força vem de uma antiga profecia, sua mente vazia tem um único propósito: Matar Sarah Connor! Não… semear a destruição, apenas. Adivinhem quem se coloca no caminho deste… Exterminador e quase acaba se dando mal? Dylan Dog!

Esta edição foi publicada pela Mythos em 2003 em Dylan Dog #6.

Aproveitando fica a dica de capa para o segundo volume com uma belíssima arte de Bruno Brindisi!

Para adquirir o primeiro volume você pode acessar: https://www.lojamythos.com.br/hq-s/pre-venda-dylan-dog-omnibus-vol-01-julho2024

E acompanhe também nossas matérias especiais sobre as edições do primeiro Omnibus de Dylan Dog:

O Despertar dos Mortos Vivos

Jack, O Estripador

As Noites de Lua Cheia

O Fantasma de Anna Never

Os Matadores

A Beleza do Demônio

Dylan Dog Omnibus – A Beleza do Demônio

Publicado no Brasil pela Record em 1991.

“A Beleza do Demônio” é a sexta história do Omnibus de Dylan Dog lançado pela Editora Mythos. Concluindo a série de matérias especiais que a Confraria Bonelli preparou para este material com o intuito de aprofundá-la através das várias referências ao cinema e à cultura geral presentes na obra de Tiziano Sclavi.

Para cada matéria foi criado um cartaz de filme, do qual tem alguma relação com a história mencionada. Em “A Beleza do Demônio”, o cartaz foi inspirado no do filme “A Beleza do Diabo” (1950), de René Sinclair.

Dylan Dog – A Beleza do Demônio. Publicado originalmente em Dylan Dog – La bellezza del Demonio de 1º de março de 1987. Roteiro de Tiziano Sclavi, arte de Gustavo Trigo e capa de Claudio Villa.

Para fazer o download do Pôster clique em BAIXAR.

Larry Varedo era o melhor assassino profissional antes daquele fatídico dia em 1945. Um assassino frio e calculista, mas quando lhe contratam para matar Mala Behemoth, seu gelo derrete. Ela era tão linda, inatingível, quase como um fantasma ou.. um demônio! Dylan Dog irá precisar mergulhar nas areias do passado e até mesmo alcançar as profundezas do inferno para poder encontrá-la para Larry.

Claudio Villa retrata na capa um demônio visto de costas. Este demônio poderia ser inspirado em O Senhor das Trevas, interpretado por Tim Curry em “A Lenda” (1985), filme de Ridley Scott estrelado por Tom Cruise.

O título da obra, como mencionado no editorial da edição original, é inspirado em “A Beleza do Diabo” (1950), de René Sinclair. O filme é uma adaptação cinematográfica do poema trágico Fausto, de Goethe. Fausto é mencionado na história: “Eu chamo o Diabo, e ali está ele, parece até aquele romance… como se chamava? FAUSTO”.

Nessa obra, o personagem Mefistófeles (o diabo) aposta com Deus que Fausto tem um preço para a sua alma, como qualquer outro humano. Assim, Mefistófeles faz um trato com Fausto: satisfará todos os seus desejos em troca de sua servidão após a morte.

O clássico detetive noir

Jerry Lace, o homem com o rosto de Humphrey Bogart.

O assassino profissional, Larry Varedo é inspirado em muitos personagens do cinema e da literatura noir. Porém a referência mais próxima pode ser Luca Torelli, o Torpedo. Personagem da série em quadrinhos de Enrique Sánchez Abuli com desenhos de Alex Toth e Jordi Bernet. Torpedo foi publicado no Brasil pela Editora Figura e pela JBraga.

A natureza fantasmagórica de Larry também pode se referir ao Humphrey Bogart interpretado por Jerry Lacy em “Sonhos de um Sedutor” (1972) de Woody Allen. Neste filme, o crítico de cinema Allan (Woody Allen) entra em depressão depois que sua esposa o abandona. Ele busca consolo nos filmes que ama enquanto imagina Humphrey Bogart (Lacy) lhe dando conselhos de como lidar com as mulheres, sendo que estes conselhos são desprovidos de qualquer sutileza. Seu amigo Dick e a esposa Linda o encorajam a conhecer novas mulheres, mas com a sua personalidade frágil nenhuma tentativa funciona. Tudo piora quando Allan começa a ter sentimentos por Linda, passando a se sentir culpado.

O sobrenome, Varedo, vem de um município da Lombardia, na província de Monza e Brianza, não muito longe de Broni, cidade natal de Tiziano Sclavi. Na página 9 Varedo usa a palavra “Pula”, uma gíria usada na Itália para se referir à Polícia Estadual. Além disso, o nome da protagonista feminina, Mala, refere-se tanto ao conceito de mal, quanto à gíria para “submundo” do crime.

É daí que surgiram as tais “Canzoni della mala”, ou Canções do Submundo, na Itália. Um repertório popular de canções que apresentam canalhas, policiais, criminosos, presos, etc…. Idealizadas por volta de 1957/59 por Giorgio Strehler, com alguns autores de prestígio, entre eles a cantora Ornella Vanoni que levou estas canções ao sucesso.

Amor de mãe

Henry Travis como Clarence Oddbody.

O homenzinho, o pobre diabo que contrata Varedo apenas para se arrepender, chama-se Clarence Oddbody, exatamente como o anjo enviado por Deus a George Bailey, interpretado por James Stewart no filme de 1946, A Felicidade Não Se Compra. No filme, Clarence é um espírito candidato a anjo que recebe a missão de ajudar um homem muito valoroso, porém desiludido. George Bailey está à beira do suicídio quando é salvo por Clarence, que lhe mostra como ele é importante na vida de muitas pessoas.

O cadáver embalsamado do homem é uma alusão ao filme “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock. Porém a mãe e o filho psicopata aqui estão com os papeis invertidos. A mãe obesa e possessiva de Clarence pode vir de vários personagens. Uma é a Mama Fratelli, de Os Goonies (1985), interpretada por Anne Ramsey, que terá papel semelhante em “Jogue a Mamãe do Trem” (1987), com Danny Devito e Billy Cristal.

Anne Ramsay como Mama Fratelli em Os Goonies.

Na página 53 Dylan cita um dos famosos aforismos de Oscar Wilde: “Nada do que realmente acontece tem a menor importância.

A música que Dylan ouve em seu estúdio, na página 63 é Phantom’s Theme, de Paul Williams. Música que faz parte da trilha sonora do filme “O Fantasma do Paraíso” (“Phantom of the Paradise”, 1974) de Brian de Palma.

Por sua conta e risco

Behemoth, criatura presente na Bíblia.

A mulher que Varedo quer encontrar, Mala Behemoth, tem um sobrenome peculiar. Não é um dos nomes do diabo como Dylan menciona, mas sim uma gigantesca criatura lendária, mencionada, entre outras fontes, no Livro de Jó, na Bíblia.

Mala está hospedada no Hell’s Hotel (Hotel do Inferno), que fica na Rua do Paraíso, número 666 (número da Besta, segundo o Apocalipse de São João). Em outras palavras, entre o céu e o inferno.

Os demais sobrenomes presentes nas caixas de correio do condomínio onde Mala mora referem-se a escritores famosos: Burroughs, pode ser William S. Burroughs (autor de Junky e Almoço Nu), ou Edgar Rice Burroughs (criador de Tarzan e John Carter). Stevenson seria Robert Louis Stevenson (autor de A Ilha do Tesouro) e Conrad para Joseph Conrad (Coração das Trevas). Wilde para Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Gray).

O feitiço recitado para evocar Mala, “Saday Agios Other Agla Ischiros Athanatos”, é a parte final de um feitiço de evocação contido no manuscrito denominado Opération des Sept Esprits des Planètes, guardado na Biblioteca do Arsenal, em Paris.

A invocação completa diz… leia por sua conta e risco:

“Eu te conjuro, N… (nome do demônio invocado), em nome do grande Deus vivo que criou o céu e a terra e tudo o que neles está contido e em nome de seu único Filho, redentor da raça humana, e do Espírito Santo, consolador benigno, e pelo poder do Empíreo Celestial, aparecer-me imediatamente e sem demora, e com uma aparência agradável, e sem ruído, e sem dano à minha pessoa e aos que me acompanham, e para que faça tudo o que eu lhe ordenar. Eu te conjuro, pelo Deus vivo, El, Ehome, Etrha, Ejel aser, Ejech, Adonay Iah Tetragrammaton Saday Agios outro Agla ischiros athanatos. Amém Amém Amém!”

Quando Dylan fala “Há quem diga que a vida de todo mundo é só um sonho”, ele pode estar se referindo a peça “A Tempestade” de Shakespeare, quando Próspero recita o famoso: “Nós também somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos; e nossa curta vida está contida no espaço de um sonho”.

Mas, mais provavelmente é apenas uma citação à peça teatral “A Vida é Sonho”, de Pedro Calderón de la Barca, que narra as aventuras de Segismundo, filho renegado de Basílio, rei da Polônia que ao nascer é trancado em uma torre. Seu único contato com o mundo externo é Clotaldo, seu guardião e fiel servo de seu pai.

Nosso Ariano Suassuna, intelectual, escritor, filósofo, dramaturgo, romancista, artista plástico, ensaísta, poeta e advogado brasileiro, autor de O Auto da Compadecida e que costumava usar camisa vermelha e blaser preto, em uma de suas várias palestras pelo Brasil já falou sobre esta obra:

“A Beleza do Demônio” lembra o filme “Coração Satânico” (1987), que parece ecoar por toda a história. Detetive, clima noir, sobrenatural, elevador com porta pantográfica idêntica… Porém, por ser lançado no mesmo ano da obra, dificilmente teve alguma influência na história de Sclavi, já que as histórias da Bonelli são sempre realizadas um ano antes. “Coração Satânico” é baseado no romance “Falling Angel” do escritor americano William Hjortsberg, também autor do roteiro de A Lenda, de Ridley Scott.

Na página 46, o último quadro faz uma alusão ao quadro “Lamentação sobre o Cristo Morto”, de Andrea Mantegna. O restante da página pode ser uma referência à obra de Alfred Kubin e Grandville, em particular “O Sonho de Crime e Castigo” de 1847.

“O Sonho de Crime e Castigo” de Alfred Kubin e Grandville.

O contraponto resultante do patriarcado

Sclavi nos traz uma discussão moderna e bem elaborada sobre o patriarcado usando as duas personagens femininas da história. A mãe e a sedutora. A primeira é amada, a outra desejada, mas nenhuma é respeitada como indivíduo. Ambos os papeis oprimem as mulheres e as reduzem ao aspecto da sua existência que serve para satisfazer apenas as necessidades dos homens.

Mala, a sedutora é literalmente um demônio. Fascina o assassino Larry, Clarence e naturalmente Dylan. “A Beleza…” é uma história policial noir, e Mala é a clássica Femme Fatale. Ela está na Terra pois foi “conjurada” em 1782 e está prestes a retornar ao inferno graças ao término do prazo da convocação. Sua aparência é belíssima, e seu rosto é desprovido de qualquer emoção. É um objeto, um prêmio a ser conquistado, e quando nega os homens, ela é demonizada por isso.

Sua antagonista é a mãe de Clarence. Uma mulher grande, obesa e feia. Por causa de seu amor possessivo e obsessivo, ela embalsamou o cadáver de Clarence quando ele morreu de câncer e fingiu que ele ainda estava vivo. Apesar de toda a dedicação e declarando todo seu amor pelo filho, ele a acusa de ser . “Seu amor me machucou. Me fez continuar sendo uma criança assustada. A culpa é sua mãe”, diz Clarence. Quais são as vontades da Sra. Oddbody? Seus sonhos, traumas, gostos ou sua história? Ela vive pelo seu filho e como indivíduo está reduzida à isso, como o papel de mãe que a sociedade patriarcal impõe.

O patriarcado é um sistema sociopolítico que coloca os homens em situação de poder, ou seja, o poder pertence aos homens. Com gênero masculino e a heterossexualidade como superiores em relação a outros gêneros e orientações sexuais. Por isso, é possível verificar uma base de privilégios para os homens.

Desta forma, o contraponto que Sclavi cria na história, da perseguida e linda Demônia, e da possessiva e cruel Mãe, e a relação delas com os homens da história reflete como a sociedade impõe valores, na maioria das vezes fruto do desejo dos homens, sem levar em consideração o desejo das mulheres.

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Dylan Dog Omnibus: Os Matadores

Os Matadores é uma crítica social pesada de Tiziano Sclavi em uma história cruel de Dylan Dog. Uma sociedade refém de um terror homicida onde assassinos podem surgir até nos lares mais “perfeitos”. O mal adormecido em cada um pode, se adequadamente estimulado, surgir com toda sua fúria.

A Confraria Bonelli está realizando matérias especiais sobre cada história que sairá no Omnibus de Dylan Dog publicado pela Editora Mythos. Com o intuito de aprofundá-las através das várias referências ao cinema e à cultura geral presentes na obra de Tiziano Sclavi.

Para cada matéria foi criado um cartaz de filme, do qual tem alguma relação com a história mencionada. Em “Os Matadores” o cartaz foi inspirado mais uma vez em um filme de George Romero. É “O Exército do Extermínio” (The Crazies), de 1973, do qual Sclavi se inspirou para criar sua trama homicida.

Dylan Dog – Os Matadores. Publicado originalmente em Dylan Dog – Gli Uccisori de 1º de fevereiro de 1987. Roteiro de Tiziano Sclavi, arte de Luca Dell’Uomo. Capa de Claudio Villa.

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Pode uma história de mais de trinta anos ainda ser social e politicamente atual? Relendo “Os Matadores”: certamente! Londres é invadida por uma onda de “violência e derramamento de sangue” (Violence and Bloodshed, como já dizia o Manowar no álbum Fighting the world), fobias desenfreadas, histeria coletiva, paranoia… Pessoas “normais” que de repente enlouquecem e, dominadas por um ímpeto incontrolável, matam qualquer um que esteja ao seu alcance, tornando-se os tais Matadores do título.

Não estamos nem na metade do primeiro semestre editorial de Dylan Dog, e Tiziano Sclavi já está em alto nível, firme em sua missão de revelar sua visão de mundo. De que o mal, a loucura, a centelha homicida está adormecida em cada um de nós e pode, se adequadamente estimulada, surgir com toda sua fúria.

O calor enlouquece homens e mulheres. E nada melhor do que o verão para sair matando. A estação convida a todos a sair de suas casas e se encontrar, mesmo na fria metrópole inglesa. Todos estão loucos, exceto um excêntrico Lord Inglês que bate à porta do Investigador do Pesadelo. Um dos personagens coadjuvantes mais queridos da série, Lord Wells.

Ele se apresenta como o inventor de um detector de maldade. Aparelho capaz de perceber a quantidade de mal presente nas proximidades. Munido de muito dinheiro e após irritar Groucho, o chamando de “mordomo” e “servo”, consegue chamar a atenção de Dylan.

Wells quer a ajuda de Dylan para impedir uma onda imparável de matança. O fim do mundo está praticamente sobre Londres e os meios de comunicação se aproveitam da situação para destilar mais medo na sociedade. Graças ao aumento da audiência e receitas recordes com publicidade, não medem esforços para aumentar o medo e a ansiedade da opinião pública.

Dylan e Lord Wells conseguem ligar a onda de assassinatos a uma sociedade secreta que tem o objetivo de criar uma nova ordem que os permita dominar o mundo. Segundo este grupo, é necessário obter o total controle e submissão da população e isso se consegue mais fácil e rapidamente através do medo.

Wells and Hells

David Niven.

Sir H. G. Wells é fisicamente inspirado em David Niven, ator inglês que ganhou um Oscar em 1959 por “Vidas Separadas”, mas que é muito lembrado por “Ingênua Até Certo Ponto” (1953) e “Vidas Separadas” (1958).

O nome é retirado do escritor Herbert George Wells, ou somente H.G. Wells, um dos pais da ficção científica moderna. Autor de numerosos romances como O Homem Invisível, A Máquina do Tempo, A Ilha do Doutor Moreau e Guerra dos Mundos.

A empresa responsável pela onda de loucura e morte chama-se Todd LTD. “Tod” em alemão significa “morte”. Também pode ser uma referência a Sweeney Todd, o lendário e suposto serial killer que operou em Londres no final do século XIX. Muitas obras de ficção foram dedicadas à sua figura. Entre elas o filme “O Diabólico Barbeiro de Londres” (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street), de 1936, dirigido por George King e estrelado por Tod Slaughter (de sobrenome singular que significa “Massacre”), um musical homônimo de 1979 e o filme musical de Tim Burton, estrelado por Johnny Depp.

Na página 54 aparece de relance o diretor Dario Argento. Na edição escrita pelo próprio Argento, publicada no Brasil em Dylan Dog Graphic Novel – Prelúdio para Morrer, ele comenta que seria inevitável não escrever uma história de Dylan Dog: “Comprei na banca uma edição depois que me falaram das citações de meus filmes nas histórias”, declarou o diretor de Suspiria e Profondo Rosso, do qual Sclavi é muito fã.

“Os Matadores” ganhou um jogo em 1992 para o Console Amiga, Commmodore 64 e MS-DOS. O jogo era acompanhado por uma história em quadrinhos inédita intitulada “O Retorno dos Matadores”, escrita por Sclavi com desenhos de Montanari & Grassani. Foi reimpressa em Dylan Dog Super Book #22, 10 anos depois. Os Matadores serve como um prólogo ao jogo.

Nesta história também vemos a estreia de Luca Dell’Uomo. Desenhista da Toscana que depois volta em Diabolô, O Grande, mas que deixa a série para ir trabalhar em Mister No. Um desenhista que ressalta os detalhes dos personagens, das ações e especialmente da cidade de Londres, com muita vida e publicidade nas ruas.

O homem é o lobo do homem

Sclavi tinha um objetivo muito claro com “Os Matadores”. Apresentar aos leitores a ideia de que o próprio homem é a causa principal dos seus problemas e que partindo desse ponto não há possibilidade de retroceder, apenas avançar rumo a um horror quotidiano sem fim.

Sclavi provavelmente se inspirou para esta história no filme de George Romero “O Exército do Extermínio” (The Crazies), de 1973. Onde uma arma bacteriológica causa uma epidemia de violência homicida em uma pequena cidade da Pensilvânia.

Survivors da BBC.

Além do filme de Romero, o editorial da primeira edição menciona a série de televisão britânica “Survivors”, exibida pela BBC de 1975 a 1977. O tema central do seriado é a luta pela sobrevivência de um grupo de pessoas que escapou da contaminação de um vírus misterioso que extinguiu cerca de 90% da humanidade.

Ernest Hemingway tem um conto chamado “The Killers”, de 1927, mas nada tem a ver com a trama de “Os Matadores” de Sclavi. Em “The Killers”, na época da Lei Seca, 1920, os assassinos Max e Al entram em um restaurante e depois revelam que foram mandados para matar um ex-lutador de boxe, que chegaria ao restaurante em breve.

Página de Mutus Liber.

Na página 91, Dylan e Wells mencionam o livro “Mutus Liber”, um livro mudo publicado na França em 1677. De autor anônimo, é um famoso livro alquímico e uma das mais belas produções do período medieval. O livro consiste de uma série de figuras que ilustram todo o trabalho alquímico.

Na página 84 Groucho nos informa quais são seus livros favoritos: A Bíblia, O Alcorão, O Capital de Marx, Todas as Histórias de Poe e Moby Dick de Herman Melville. Todos materiais volumosos que ele também usa como…colete à prova de balas.

Política nos meus quadrinhos!

O sequestro e o assassinato a sangue frio de Aldo Moro, Juiz italiano.

Como Dylan Dog é um quadrinho italiano que se passa em Londres, é difícil que o mundo italiano não reflita na Londres fictícia do universo do personagem. “Os Matadores” é uma das histórias mais políticas de Sclavi até este momento. A tensão em que a sociedade é colocada devido à violência que se instala, faz referências ao estado de tensão que a Itália viveu nas décadas de 70 e 80. Principalmente devido ao surgimento de grupos de extrema esquerda como as Brigadas Vermelhas, que foram as mais estruturadas e que tinham sindicalistas, juízes, jornalistas, policiais e líderes políticos na mira.

Mas a história também bebe muito da influência do governo neoliberal de Margaret Thatcher, a Dama de Ferro que exerceu o cargo de Primeira-Ministra do Reino Unido de 1979 a 1990. Thatcher transformava a economia britânica através de uma combinação de repressão política e liberdade empresarial. De 1984 a 1985 aconteceu a lendária greve dos mineiros, a última batalha do movimento operário na Grã-Bretanha, que após um ano de conflito, semelhante a uma guerra civil, foi derrotado pelo Estado.

Thatcher fez valer seu programa de fechar as minas, mas conseguiu mais do que isso. Daquele ponto em diante, todos os sindicatos do país sabiam que não era possível contestar o governo, e que o neoliberalismo e o enfraquecimento dos direitos trabalhistas estavam ali para ficar.

Policiais reprimem greve de mineiros. Inglaterra, 1984. Foto de John Sturrock.

Antes do confronto, os mineiros somavam 200 mil, espalhados por 130 minas de carvão. Hoje, não passam de 1.800, em apenas seis minas. Nenhuma trajetória expõe tão bem a visão econômica dos anos Thatcher quanto a dos mineiros britânicos, reduzidos a pó e por nada. Ou seja, os trabalhadores foram aniquilados pelos verdadeiros “Matadores” como uma “Nova Ordem” mencionada na história. Empresários que tiram vantagem e detém o controle da economia mundial, amparados pelo Estado.

A crítica à direita conservadora também aparece na história, como no primeiro assassinato que é na família modelo, com o pai que quer se tornar chefe da seção de transportes, a esposa, dona de casa perfeita e duas crianças loiras. Ou seja, o horror está até mesmo em locais que se dizem “perfeitos”.

O discurso de Todd na Câmara dos Lordes, mencionando que a doença iria se espalhar pelo mundo inteiro, “não é consequência natural da permissividade, do colapso de todos os valores, da anarquia desenfreada? Se não conseguirmos restaurar a ordem, seremos aniquilados”, destacando os que acham que tem a razão suprema e que suas ideias são superiores a todas as outras.

E por fim o anfitrião da festa no palácio que critica os bairros mais humildes como Soho e Islington, ressaltando Kensington, um bairro nobre de Londres. “Enquanto os mendigos se matarem, é melhor para nós!”

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