Mister No e a Mad Maria

Sergio Bonelli era um aventureiro e muitas das histórias que escreveu com o pseudônimo de Guido Nollita saíram de suas aventuras. Em Mister No isso acontece ainda mais, pois Jerry Drake percorre por muitas vezes o caminho trilhado no mundo real por seu criador, Sergio.

Um exemplo disso é a relação de Sergio Bonelli com a Ferrovia Madeira-Mamoré, cuja história foi imortalizada no livro Mad Maria de Márcio de Souza. A intenção era construir uma estrada de ferro de 366 Km no meio da Floresta Amazônica para ligar Guajará-Mirim a Porto Velho.

A Bolívia havia perdido sua faixa litorânea no Pacífico para o Chile, durante a Guerra de Guano em 1883 ficando sem saída para o mar, meio fundamental para uma economia baseada na exportação. Por isso os bolivianos optaram trocar o Acre por uma ferrovia que fosse da fronteira do Brasil ao rio Mamoré e daí, de barco pelos rios Madeira e Amazonas, os produtos bolivianos chegariam ao Atlântico.

Em maio de 1905, o governo brasileiro abriu concorrência para a obra tomando por base o custo das ferrovias construídas em Minas, São Paulo e Rio e conseguiu apenas dois pretendentes. Venceu Joaquim Catrambi, um testa de ferro do empresário americano Percival Farquhar, que achava poder ganhar dinheiro explorando as riquezas naturais da região

Pelo contrato, madeira e outras coisas retiradas da floresta seriam de quem achasse. A obra começou em 1907. Em plena estação das chuvas, 14 sujeitos abriram a mata e construíram casas para trabalhadores, oficinas e escritórios que, mais tarde, viraria a cidade de Porto Velho.

Trens e equipamentos foram engolidos pela floresta.

A ferrovia deveria passar sobre rios que triplicam de volume na época da chuva, o que pode durar quase metade do ano. Os empreiteiros americanos logo descobriram que o ambiente insalubre e as doenças tropicais incapacitavam os trabalhadores num ritmo mais rápido do que eles podiam avançar com os trilhos.

Foi criado um processo de rodízio no qual cerca de 500 empregados chegavam todos os meses para substituir os doentes. Cerca de 22 mil operários chegaram e se foram. Segundo os registros do Hospital da Candelária, criado apenas para tratar os funcionários da ferrovia, 1.593 pessoas morreram lá dentro.

Seis anos e milhares de dólares depois, a obra ficou pronta. No mesmo ano de 1913 a exportação de borracha da Ásia superou a da Amazônia e o preço do produto despencou. Com o tempo a tão desejada saída para o mar passou a ser cada vez menos frequentada e ficou praticamente abandonada por quase 20 anos, até ser oficialmente desativada em 1966. Parte dos equipamentos foi vendida ou jogada no Rio Madeira. O exército incinerou os documentos oficiais sobre ela.

Mister No e suas aventuras com a Mad Maria

Em Mister No #111 e #112 Nolitta nos traz uma Nova Mad Maria, nome da empresa que o senhor Galvão cria pretendendo reconstruir a antiga ferrovia. Mister No e seu cliente, Almeida, um jornalista maltrapilho, visitam uma tribo de índios, que se enfurecem com os trabalhos da construção da Nova Mad Maria.

Mister No entra em conflito com os empreiteiros e descobre que Galvão não quer construir uma ferrovia na Amazônia, mas sim recuperar um baú de moedas de ouro escondido por seu pai e assim fraudar uma seguradora. Descobre também que Almeida não é um jornalista… o velho caso de clientes que enganam o bom Jerry Drake.

A edição #111, publicada em 1984 traz o título “A Lei da Violência” e a #112, “Caçada Humana”. Ambas com arte de Roberto Diso.

Em setembro de 1995 Nolitta (Bonelli) conta outra história sobre a Mad Maria, mas essa com fatos presenciados por ele mesmo. A história A Ferrovia do Diabo, publicada no Brasil em Tex e Os Aventureiros n.2 pela Mythos e originalmente publicada em Amico Treno n.8, da Ferrovia Estatal Italiana, leva Mister No ao local onde ainda existiam os restos da antiga ferrovia.

A história foi resultado de uma visita in loco de Sergio Bonelli à região. Em poucas páginas, o autor narra a trágica aventura da ferrovia fantasma tomada pela floresta, locomotivas enferrujadas e cemitérios improvisados ao longo do percurso.

Nesta página é mostrado o Cemitério da Candelária.

Bonelli visitou o cemitério da Candelária, também mostrado na história, e escreveu assim no artigo da revista Amico Treno:

“A pé, de canoa, de carro ou num Piper alugado, tentei refazer o trajeto da Ferrovia do Diabo, e encontrei as marcas de uma das maiores derrotas sofridas pelo homem moderno e tecnológico… vagões cobertos pela vegetação, aqui e ali alguns metros de trilhos e fascinantes pontes de ferro que ainda unem as margens de um afluente do Rio Madeira. E à minha volta explodia, em suas mil cores a silenciosa como sempre, a exuberante floresta amazônica, o terrível e belíssimo Inferno Verde”.

E aqui, além da estação, um trem abandonado.

Para mais aventuras de Mister No na Amazônia

Está no ar a nova campanha da Editora 85 que traz os volumes Dampyr 6, Morgan Lost 2, Nick Raider 1 e Mister No Especial 6. Este Mister No traz uma história publicada originalmente em Mister No Speciale 7. 148 páginas de uma aventura escrita por Nolitta e desenhos de Roberto Diso pela Amazônia.

James Newman, autor de histórias em quadrinhos, apaixonado pelas tiras de “Terry e os Piratas” de Milton Caniff, procura Mister No para que ele seja seu guia pela selva amazônica a fim de encontrar ideias para suas novas histórias. Mas nesta aventura ele acaba vendo que a realidade é bem diferente da ficção.

Parece mais uma aventura vivida por Sergio Bonelli em terras brasileiras.

Para apoiar acesse o link: www.catarse.me/85001

 

Fonte: Aventuras na História

Tex Willer colorido fracassa nas livrarias italianas

A Itália foi um dos países mais atingidos pela Covid-19, logo, prejudicando economicamente a Sergio Bonelli Editore fazendo com que os planos de publicações sejam muito bem avaliados no futuro. Ao que tudo indica, uma das edições que não terá mais continuidade, devido ao custo e às baixas vendas são as edições encadernadas coloridas de Tex Willer. São edições encadernadas que compilam as aventuras do jovem Tex com mais de 250 páginas  vendidas especialmente em livrarias.

Faroestes “brasileiros” com DNA Bonelli serão publicados pela Pipoca & Nanquim

Agora é oficial: Trilogia Gatilho em cores e volume único, de Carlos Estefan e Pedro Mauro, e outro quadrinho inédito de faroeste (The Solicitor), de Gianfranco Manfredi e Pedro Mauro, serão publicados pela Pipoca & Nanquim (PN).

Tex Gold da SALVAT não será mais distribuído em Bancas

Como já informamos antes, a DINAP/Treelog não irá mais distribuir em bancas, revistas, quadrinhos e afins a partir de janeiro de 2021. Isso prejudica em especial a chegada de Tex aos leitores de todo o Brasil. Pois a Editora Mythos realiza sua distribuição através da DINAP e agora, em comunicado oficial, a Editora Salvat que lança a coleção Tex Gold anunciou que também não terá mais suas coleções distribuídas nas bancas.

A Coleção Tex Gold iniciou em 2017 com o lançamento de O Profeta Indígena com o primeiro volume custando o valor promocional de R$ 9,90. Os valores foram sofrendo reajustes chegando hoje a R$64,90. As edições da coleção são em capa dura, coloridas, papel de qualidade e geralmente com mais de 200 páginas. A série possui assinatura e era distribuída em bancas.

Das Terras Frias a mais nova casa da Bonelli no Brasil: Editora Saicã

E vem da Terras Frias a mais nova editora a publicar quadrinhos italianos (Fumetti) da nossa querida Sergio Bonelli Editore. Com sede em Rosário do Sul, RS, idealizada e criada por um grande colecionador e fã de quadrinhos Bonelli. A Editora Saicã, recém criada, fará suas primeiras publicações em 2021 por meio de financiamento coletivo, também conhecido como crowdfunding. A plataforma escolhida é o Catarse, a exemplo das várias editoras que surgiram nos últimos três anos e que publicam Bonelli.

A influência de Alien na série Legs Weaver

A Editora Graphite está com uma campanha aberta no Catarse para trazer ao Brasil a personagem Legs Weaver.

A personagem surgiu em Nathan Never n.1 em 1991 e em 1995 ganhou sua série própria. Inicialmente era para ser uma imitação da série original Nathan Never, inclusive compartilha seus personagens, mas o grande diferencial é que a atmosfera da história tem um tom mais irônico e engraçado, contrastando com o cenário profundo e envolvente de Nathan Never.

Quem eram os Justiceiros de Vegas?

Será publicado pela Panini Comics ainda este mês de novembro o primeiro volume da Biblioteca Tex: Os Justiceiros de Vegas. A edição, escrita por Mauro Boselli, com desenhos e capa de Corrado Mastantuono, terá 224 páginas coloridas pela GFB Comics. Terá o mesmo formato das edições da Salvat e virá no preço de R$ 84,00.

Na trama, Tex e seus pards descobrem alguns bandidos que foram enforcados em Vegas, mas as contas não batem quando ele percebe que a mesma gangue havia assaltado uma diligência depois de dados como mortos. Para esclarecer a situação, os pards devem enfrentar Hoodoo Brown e Dave Mather, respectivamente prefeito e xerife da cidade, aparentemente, livre de crimes.

Hoodoo e Mather são personagens reais, que fizeram história no velho oeste americano e é deles que vamos falar hoje. Os Justiceiros de Vegas.

Dave Mather, mais conhecido como “Mysterious Dave”

 Homem misterioso em vida e também na morte. Cruzou a linha entre homem da lei e fora-da-lei diversas vezes, porém deixou poucos documentos confiáveis para descobrirmos com certeza como foi sua vida.

O que se sabe é que Mather (à esquerda) nasceu no nordeste dos Estados Unidos em 1851, seus pais morreram quando ele tinha 16 anos, obrigando ele e seu irmão, Josiah a se mudarem para o oeste. Em 1873, supostamente roubava gado com Dave Rudabaugh antes de fugir do estado do Arkansas. Se envolveu também na caça de búfalos. Em 1878 vendeu barras de ouro falsas para cidadãos ingênuos em Mobeetie, Texas. Na época, seu parceiro de crime, segundo alguns, era a futura lenda Wyatt Earp.

Não existe registro fotográfico de Hoodoo Brown, porém em 2005, Hoodoo apareceu no game Gun. Usando o mesmo nome e as feições do personagem real, aqui, Hoodoo era prefeito da cidade fictícia de Empire City, Novo México.

Hoodoo Brown

Hoodoo foi considerado o cowboy mais malvado de todos por Harold Thatcher, curador do Rough Rider Museum em Las Vegas. Alto, magro e com bigode fino, não há registro fotográfico. Seu nome original era Hyman G. Neil, natural de Lexington, Missouri. Seu pai tinha vindo para Lexington do Condado de Lee, Virgínia, na década de 1830, advogado, ingressou na Confederação quando a Guerra Civil Americana começou, porém, decidiu não negar seu juramento de apoiar a Constituição e acabou ingressando na União. Por causa dessa decisão, ele e sua família se mudaram para Warrensburg, Missouri após a Guerra.

Hoodoo saiu de casa ainda adolescente e em 1872 caçava bisões e transportava madeira. Era conhecido por ser um jogador e trapaceiro. No Colorado trabalhou em minas de prata com um amigo e juntos montaram uma companhia de ópera no México.

 

A Gangue de Dodge City

Mather mudou-se para Las Vegas e encontrou trabalho como vice xerife. Sua reputação como pistoleiro começou nessa época, quando se envolveu em um tiroteio em 22 de janeiro de 1880. Ele e seu chefe, Xerife Joe Carson se envolveram em um tiroteio com quatro homens no Variety Hall de Close & Patterson, na Rua Principal. Carson foi morto, Mather matou William Randall e feriu gravemente James West. Ele também feriu Thomas Jefferson House e John Dorsey, mas os ferimentos foram leves e eles fugiram do local. Devido a esse acontecimento, Mather foi promovido à xerife.

Ao chegar em Las Vegas, Hoodoo descobriu que estava desenvolvendo uma reputação em um lugar sem lei, cheio de foragidos, trapaceiros, assassinos e ladrões. Seu descontentamento levou à sua eleição como Juiz de Paz de Las Vegas. Serviu também como legista e prefeito da cidade e recrutou vários ex-atiradores do Kansas para formar uma força policial. Porém este grupo era pior do que os criminosos da cidade. Chamada de “Dodge City Gang” (imagem acima), a gangue incluía o xerife da cidade, Mysterious Dave Mather, Joe Carson, “Dutchy” Schunderberger e Dave Rudabaugh.

Foi nesta época que Boselli resolveu contar a história do encontro entre estes personagens reais e os nossos heróis.

De 1879 a 1880, a Gangue de Dodge City roubava diligências e trens, realizava assassinatos, furtos e corrupção municipal. Hoodoo era o prefeito e a gangue foi oficializada como Júri. Eles mesmos determinavam se as mortes eram ou não em legítima defesa. Com isso, Hoddoo conseguiu encobrir a maioria dos crimes da gangue.

Em fevereiro de 1880, os dois homens que sobreviveram no tiroteio no Variety Hall, House e Dorsey foram capturados. Sob a supervisão de Mather, uma turba de linchadores os tirou da prisão junto ao colega pistoleiro James West e os enforcou. No mês seguinte, houve dois assassinatos no mesmo dia e o público começou a suspeitar que Mather tinha ligações com o chefe da máfia da cidade. Mather renunciou ao cargo de xerife em 3 de março de 1880.

Rivalidade em Dodge City

Mather foi substituído como xerife por Tom Nixon, iniciando uma rivalidade entre os dois. Que piorou quando foi aprovada a “Portaria nº 83”, que proibia salões de dança em Dodge City. A lei foi aplicada contra o Opera House, impedindo dança no saloon, cujo dono era Mather, mas não contra o Lady Gay Saloon, de Nixon. Mather iniciou uma guerra de preços de cerveja. Cobrava apenas 5 centavos o copo, metade do preço de seus concorrentes.

Nixon e os outros proprietários de bares em Dodge City pressionaram os atacadistas de cerveja a cortar o fornecimento de Mather. A rivalidade resultou em um tiroteio no dia 18 de julho de 1884, quando Nixon atirou em Mather, mas apenas o feriu levemente. Nixon pagou fiança sob acusação de tentativa de homicídio.

Três dias depois, Mather e Nixon entraram em outro confronto e Mather atirou e matou Nixon. O caso de Mather foi enviado a julgamento que durou apenas três dias. O júri deliberou apenas sete minutos antes de declarar Mather inocente. O jornal Kinsley Mercury escreveu que “o veredito foi adequado, pois o peso do depoimento mostrou que Nixon foi o agressor na contenda e que Mather tinha justificativa para o tiroteio”. O Dodge City Times observou que “a leitura do veredito, pelo tribunal, foi interrompida por manifestações de aprovação da audiência”.

Após a absolvição, Josiah, o irmão de Mather o encontrou. Eles estavam no Junction Saloon em Dodge City jogando cartas com David Barnes. Após uma discussão e tiroteio Barnes foi morto. O xerife Pat Sughure prendeu os dois irmãos.

Um exame preliminar para os irmãos foi realizado em Dodge City 12 dias depois, em 22 de maio. Os dois irmãos foram presos para julgamento sem fiança. Imediatamente, eles solicitaram habeas corpus. Em 2 de junho de 1885, o juiz Strang permitiu que os réus pagassem uma fiança de $ 3.000 e eles foram libertados. Seus advogados adiaram seus casos até o termo do tribunal em dezembro de 1885. Os dois réus saíram sob fiança e nunca foram julgados.

As mortes de Hoodoo e Mather

Cansados da corrupção de Hoodoo, foi organizada uma equipe de vigilantes para derrubar o prefeito. Hoodoo não foi morto mas sim expulso do estado. Um dos delegados de Hoodoo havia sido morto dois meses antes e a viúva, ao ir fazer a exumação do corpo do marido para transferi-lo para Houston descobriu que Hoodoo estava preso. Ela visitou Hoodoo na prisão e o jornal local relatou que “o encontro entre os dois foi um tanto mais afetuoso do que seria de se esperar dado às circunstâncias”. Hoodoo estava preso por assassinato e roubo e contratou dois advogados locais. Foi libertado e nem ele nem a viúva foram mais vistos.

Hoodoo morreu em Torreón, no México e deixou esposa e um filho. Seus irmãos levaram seus restos mortais para Lexington e ele foi enterrado lá com o nome de Henry G. Neil.

Já Mather (à esquerda) se tornou xerife da cidade de New Kiowa, Kansas e o último registro dele foi em 1885, onde retirou $ 300 dólares para ajudar um amigo, Dave Black, acusado de assassinar um soldado. Ele fugiu de New Kiowa ao ouvir rumores de que a Companhia do Soldado poderia vir atrás dele por defender o assassino de seu companheiro.

Em 1902, a revista Everybody’s Magazine afirmou que Mather havia se alistado na Polícia Montada Real Canadense (RCMP) onde trabalhou até 1922, fato negado pela Polícia Montada. Seu irmão Josiah disse que Mather foi morto por Moonshiners no Tennessee, porém este relato é contraditório pois Josiah contou aos filhos que ele nunca mais viu ou ouviu falar do irmão após o incidente com Barnes em Dodge City.

Por fim, o “Mysterious Dave” teve um fim misterioso em uma vida conturbada, porém cheia de histórias incríveis.

Não deixe de vê-lo e também Hoodoo Brown na Biblioteca Tex: Os Justiceiros de Vegas.

 

Imagem da Capa da edição retirada do site Tex Willer Blog.

Fonte informações: PeoplePill

Conheça Lavvender. Um Thriller paradisíaco da Bonelli

Giacomo Bevilacqua, recém premiado pela sua série Bonelli “Attica” na Lucca Comics & Games 2020, começou a trabalhar na editora milanesa com a história “Lavvender”. Publicada em Le Storie Especial 4, em 2017, Lavvender mostra as aventuras dos jovens Gwen e Aaron em uma ilha deserta paradisíaca, com águas cristalinas e muitos mistérios.

Esta história poderia muito bem ser publicada no Brasil no formato de Monolith, Mister No: Revolução e até mesmo Chambara. Lavvender tem roteiro, arte, capa e cores de Giacomo Bevilacqua. Publicado inicialmente em Le Storie n. 4 (2017), em 130 páginas ganhou uma edição especial em formato maior com 144 páginas coloridas.

Um Thriller de terror na praia

Lavvender é a primeira obra de Giacomo Bevilacua para a Editore Sergio Bonelli. A edição cheira a verão, e até mesmo por isso foi publicada no Le Storie especial de verão. O começo da história lembra muito os filmes de terror/suspense: Jovem casal despreocupado chega a uma bela ilha deserta da qual serão donos por onze dias, a menos que queiram voltar para casa mais cedo. Tudo temperado com algumas frases soltas e insinuações para prender a atenção do leitor.

Em uma história sem muita ambição, porém sólida, um enredo simples e perspicaz. Bevilacqua nos traz bases de filmes de terror adolescente e filmes de horror na praia como Tubarão (Jaws, Steven Spielberg, 1975), Do Fundo do Mar (Deep Blue, 1999) e principalmente A Praia (The Beach, 2000).

Os detalhes com filmes ou romances do gênero não param por aí, de forma evidente e consciente pelo autor. Como por exemplo, não ter sinal telefônico e o único meio de comunicação é o celular via satélite. Mas isso não é problema, pois os dois estão querendo aproveitar aquele “paraíso” com total despreocupação.

Até que o casal comete o maior erro que poderiam cometer, já que estamos em uma espécie de filme de terror, eles começam um “rala e rola” na floresta e alguns barulhos sinistros já começam a ser percebidos no farfalhar das folhas. Bevilacqua aqui já mostra que está jogando com as cartas abertas. Nos apresenta o gênero da história que quer apresentar e daqui pra frente começa a nos mostrar as reviravoltas que ele quis apresentar desde o começo.

Os protagonistas são Gwen, bonita e intelectual, recentemente passou por um luto que a fez entender a importância de ficar com ela mesma. O rapaz é Aaron, simpático, um advogado de pouco sucesso. Os dois são jovens bem estereotipados mas com pés plantados no presente, com o tênis da moda e redes sociais atualizadas.

Bevilacqua se concentra mais em Gwen, com seu corpo curvilíneo e bronzeado, em sua expressividade alegre e curiosa, que com o tempo se torna mais sombria e assustadora. A ilha sem nome é amiga e inimiga, com sua beleza deslumbrante, as cores do mar e do céu variam em intensidade dependendo da hora do dia, e o encanto da natureza esconde perigos e mistérios.

A ilha cartão postal, personagens simples de se identificar, são ferramentas essenciais para o desenvolvimento da trama, deixando o autor livre para focar nas imagens, expressividades e enredo. A história a princípio segue em um ritmo lento e reflexivo, depois cada vez mais acelerado à medida que a tensão aumenta.

O traço sutil deixa a colorização fazer todo o seu show, definindo tons e volumes. O cenário é incrível, com um trabalho de luzes bem elaborada, dando a sensação ao leitor de praia, calor, água, umidade. A sequência “subaquática” merece um destaque especial, pois a colorização fez com que os reflexos do sol fossem reproduzidos no fundo do mar de forma verdadeira.

Esta aventura subaquática é um ponto de virada importante na história, tudo fica melhor. Os personagens começam a planejar, dar ritmo à trama e tudo funciona muito bem. No final, o autor reduz drasticamente o texto e deixa o desenho contar a história de forma dramática e com mais autenticidade.

A história segue sem problemas, chegando a um final bem construído, com uma reviravolta que é tão ‘técnica’ (da qual bastaria falar muito pouco, para estragar a surpresa) como imprevisível. O mistério da ilha é revelado e ao final da leitura, uma sensação agradável permanece mostrando que Lavvender vale a pena.

A seguir imagens da edição:

 

Divulgada a capa do crossover entre Flash e Zagor

Foram divulgadas as capas do crossover entre Flash e Zagor em mais uma parceria entre a DC Comics e a Sergio Bonelli Editore. A arte da capa foi realizada por Carmine Di Giandomenico e, em 10 de dezembro será publicado o número Zero, escrito por Giovanni Masi e Mauro Uzzeo, com desenhos de Davide Gianfelice. O título da edição será “The Hatchet and the Lightning” (“A Machadinha e o Relâmpago”).

As capas divulgadas são de duas edições limitadas. Uma destaca Zagor com Flash ao fundo e a outra o contrário. Carmine Di Giandomenico (à direita) já desenhou Conan, o Bárbaro para a Marvel Itália (1997), e sua mais recente obra para a Marvel foi Homem Aranha: Noir. Giandomenico desenhou o Flash na fase Renascimento e hoje trabalha na revista da Liga da Justiça.

A edição número 0, “The Hatchet and the Lightning”, terá 32 páginas coloridas no formato 16x21cm. Além da história, a edição terá muitas curiosidades e bastidores deste novo crossover entre os heróis da DC e os da Bonelli. Lembrando que este encontro entre as duas editoras já aconteceu no especial Dylan Dog/Batman: Relações Perigosas, lançado em 2019.

O encontro entre Dylan Dog e Batman teve argumento de Roberto Recchioni com desenhos de Gigi Cavenago e Werther Dell’Edera. A edição também conta com a participação dos vilões Coringa e Xabaras.

O encontro de Flash e Zagor é o segundo de três encontros entre os personagens da DC e da Bonelli. O terceiro, ainda sem data definida já foi anunciado na Lucca Comics & Games 2019 e será entre Nathan Never e Liga da Justiça.

Em breve você pode acompanhar mais informações aqui mesmo no site da Confraria Bonelli.

Fonte: https://www.sergiobonelli.it/news/2020/11/19/gallery/flash-corre-a-darkwood-1008928/

Distribuição da Bonelli em bancas está ameaçada

O ano de 2020 não está fácil para ninguém. A pandemia acelerou processos de comunicação e trabalho, e a compra de quadrinhos online teve um aumento significativo, porém outros setores que já não estavam bem sofreram uma aceleração em seu desgaste e tendem a piorar ou se encerrar, como a venda em bancas de jornal.

A Dinap e a Treelog, empresas integrantes do Grupo Abril, responsáveis pela maior parte da distribuição de revistas no país informaram às editoras no dia 6/11 estar rompendo unilateralmente todos os contratos de distribuição nas modalidades consignação praticados nas últimas décadas. O motivo alegado é a retração provocada pela pandemia de Covid-19.

Os leitores Bonelli que costumam comprar as edições da Mythos e Salvat em banca, podem não encontrar Tex no início de 2021.

Esta situação ligou um alerta na Editora Mythos que distribui grande parte dos seus quadrinhos para todo o Brasil usando exclusivamente a Dinap/Treelog. No TexWillerBlog, o Editor e sócio/proprietário da Mythos, Dorival Vitor Lopes comentou que a editora está em busca de novos distribuidores.

“Gente, tenho uma péssima notícia… a Dinap – única distribuidora a nível nacional – está para encerrar as atividades. Estamos procurando distribuidores, mas até agora só achamos dois que fazem apenas São Paulo e Rio. Queremos alternativas para as outras regiões do Brasil, mas até agora não temos. Ainda não é oficial, por isso, rezem pra todos os santos pra Dinap continuar”.

E Dorival complementou que as vendas pela internet irão se intensificar cada vez mais, “de qualquer forma, quem puder comprar pela internet, não deve esperar mais: nosso site está cada vez melhor, com muitas ofertas, e como eu já informei, temos um novo galpão de 500 m2 pra atender os pedidos”. As compras pelo site da Mythos são entregues usando os serviços dos Correios.

Com a Mythos parando de usar os serviços de distribuição da DINAP/Treelog, muitos leitores podem deixar de comprar em bancas as revistas Tex, Tex Gigante, Tex Platinum e Ouro, além de outras edições publicadas pela editora. Existem leitores que somente compram Tex em banca e nunca compraram revistas online.

Situação da Distribuição em Bancas e Comunicado da DINAP

COMUNICADO DINAP:

Caras Jornaleiras e Jornaleiros!

Na última 6ª feira a Dinap/Treelog enviou um comunicado aos Editores informando que cessará a prestação de serviços em consignação a partir de 2021, por desequilíbrio financeiro entre os custos de distribuição, obstáculos operacionais ocasionados por medidas restritivas e as receitas que declinaram durante a pandemia.

É importante esclarecer que esta decisão não representa o encerramento da operação da Dinap/Treelog, que continuará distribuindo revistas impressas da Editora Abril para os pontos de venda. Não haverá desmobilização da empresa, portanto todas as operações fiscais e financeiras (Contas a Pagar e Contas a Receber) continuarão normalmente.

As revistas fazem parte da história da DINAP, levando cultura, entretenimento e conteúdo de qualidade aos leitores por intermédio dos pontos de vendas e pretendemos continuar com esta missão.

Agradecemos a compreensão e continuamos emprenhados em servir com soluções que sejam sustentáveis para prosseguir com a prestação de serviços.

Atenciosamente

Equipe Dinap

Hoje, o jornaleiro recebe as revistas em consignação. Vende a revista e fica com 30% do valor de capa. 70% é pago à distribuidora. Esta porcentagem varia dependendo da negociação com a distribuidora, a grande maioria não chega a receber 30%. As revistas que não foram vendidas são trocadas por revistas novas. O comunicado da DINAP destaca que a empresa” cessará a prestação de serviços em consignação a partir de 2021”. Embora não se saiba ainda de possíveis alternativas para os jornaleiros face a situação, uma das alternativas é a de que o jornaleiro compraria a revista por 70% do preço de capa, se vender ganha 30%, se não vender fica com a revista em banca.

Este modelo já é realizado por algumas Comic Shops nacionais, que também negociam diretamente com as editoras (Devir, Panini, Mythos) sem usar o modelo de consignação. O que não vender no momento, continua à disposição, não é recolhido.

Se o jornaleiro já tem um público cativo, isto pode não ser problema, porém a porcentagem deve ser renegociada, já que a distribuidora terá menos trabalho e as editoras terão perda zero. Em um mercado já fragilizado, o jornaleiro terá que ter um bom caixa para bancar as compras, o que irá reduzir a oferta e impactar em toda a cadeia produtiva como Editora e Gráfica.

No comunicado, a DINAP também esclarece que, “continuará distribuindo revistas impressas da Editora Abril para os pontos de venda”. A DINAP pertence ao Grupo Abril e é natural que mantenha este comportamento. Metade da receita do Grupo Abril vem de seu negócio de mídia, a Editora Abril. A outra metade, de seus negócios de logística, a DINAP/Treelog, que entrega revistas e a Total Express, que entrega encomendas.

O Grupo Abril se arrasta em uma crise há anos estando em recuperação judicial com uma dívida que chega a R$ 1,6 bilhão. Em 2018, o então presidente da Abril, Marcos Haaland em entrevista à Istoé Dinheiro já dava uma ideia do enorme problema que era a Dinap. “Importante destacar que boa parte do problema da Abril está na Dinap. O modelo de negócio não é sustentável. A Dinap, quando faz o recolhimento do que foi vendido, repassa o dinheiro para as editoras e fica com uma parte como remuneração. O que não é vendido, a Dinap recolhe e devolve às editoras, sem cobrar nada por isso. Então, ela faz um serviço de levar e buscar sem ser remunerada. E o custo logístico é imenso. O segundo problema é que a Dinap absorvia a inadimplência da cadeia. O que não recebe dos distribuidores, cobre e paga às editoras. Então, o rombo da Dinap é gigantesco”. Na época foram demitidos 800 funcionários do grupo Abril, várias revistas encerradas e inclusive a linha Disney foi descontinuada e seus direitos foram adquiridos pela Culturama e Panini Comics.

Em 2019 o Grupo Abril foi vendido e quem assumiu a presidência foi Fábio Carvalho, especialista em assumir empresas em dificuldades.

A Pandemia e a busca por soluções

Em nota enviada às editoras, a Dinap/Treelog destacou que a grande culpada pelo rompimento de contratos por consignação é a pandemia de Covid-19. “A pandemia gerou uma disruptura sistêmica na cadeia de distribuição, atingindo de forma dramática a estrutura em que se assenta o negócio da Dinap/Treelog de distribuição de revistas e congêneres, mediante redução drástica da receita de parte substancial das vendas, ocasionada pela queda na circulação de pessoas nos canais de vendas, oriunda de medidas governamentais de distanciamento”, e reiterou, “apesar de todos os esforços feitos para a regularização da rede de distribuição, a Dinap/Treelog não passou incólume pelos efeitos devastadores e sem precedentes que a pandemia do Covid-19 provoca e continuará provocando pelos próximos meses”. Segundo algumas fontes, esta mudança da Dinap/Treelog será irreversível.

Em outubro deste ano, a DINAP já havia emitido um comunicado relacionado à Editora Globo, onde anunciou que deixou de distribuir publicações da mesma, como Época, Marie Claire, Globo Rural, Autoesporte, Vogue, entre outros títulos. As edições foram recolhidas até o final de outubro.

Em abril, devido à pandemia, a Editora havia suspendido a produção impressa de suas revistas, menos Época por ser focada em noticiário e Marie Claire por ser bimestral e retornou apenas em julho. A Editora afirmou que ainda era seguro continuar lendo o impresso, porém o medo da contaminação das revistas, ao serem colocadas no chão da rua pelas equipes de distribuição, ou nos corredores dos prédios dos assinantes, levou a que muitos assinantes suspendessem suas assinaturas.

Após a DINAP encerrar a distribuição, a Editora Globo começou a usar os serviços da Distribuidora Brancaleone.

Em 2017 a Editora Panini, responsável por publicar quadrinhos no Brasil da Maurício Produções, Marvel e DC parou de distribuir pela DINAP/Treelog e iniciou um serviço próprio de distribuição.

E a Mythos?

A Mythos mesmo vendo a DINAP ruir há anos não deixou de usar o serviço, pois há leitores Bonelli em muitos cantos do Brasil que somente a distribuidora poderia chegar. Ela vem trabalhando em deixar cada vez melhor as vendas pelo site, mas ainda gera reclamações por parte dos leitores que compram online, em especial devido ao processo de entregas.

Porém outro fator que atrapalha o crescimento das vendas pelo site é o frete que se torna muito alto dependendo da quantidade e distância que será entregue. Por usar os Correios, a Mythos se coloca na posição desconfortável de ter que depender dos valores aplicados pela instituição.

Neste mês de novembro por exemplo, onde está acontecendo uma ótima campanha de Black Friday, muitos leitores reclamam que ao chegar ao final da compra o valor do frete encarece demais e assim acabam desistindo. É necessária a fidelização dos clientes para que, caso haja problemas na distribuição em 2021, exista outra alternativa para vender os quadrinhos Bonelli para todo o Brasil.

E a Salvat?

A Editora Salvat publica Tex Gold e também pode sofrer mudanças devido à estas alterações em relação aos consignados pela DINAP/Treelog, já que suas coleções são distribuídas pela mesma. Lembrando que em 2018 a editora parou de distribuir por um tempo pois o cronograma de distribuição da DINAP havia parado. A distribuição parou em agosto e retornou somente em novembro de 2018.

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Aos Bonellianos resta aguardar e acompanhar os próximos passos da Editora Mythos e que não falte Tex para os leitores em 2021.

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As fontes das informações estão linkadas ao longo da matéria.

Foto de Capa José Carlos Francisco.

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