Tag: mythos

Mister No voltou com tudo ao Brasil

 

O herói americano, feito na Itália, mais brasileiro de todos voltou com tudo ao Brasil, país onde seu criador, Sergio Bonelli desenvolve a grande maioria das aventuras do Piloto “cachaceiro”, Mister No. Além de chegar à quarta edição pela Editora 85, o herói tem uma série especial sendo publicada pela Panini e muito em breve sua série regular mensal voltará a ser publicada.

Mister No foi criado em 1975 por Guido Nolitta (pseudônimo de Sérgio Bonelli na época) e Galieno Ferri, mesma dupla que criou o herói Zagor. Projetado para ser uma minissérie de apenas cinco episódios, Mister No foi um imenso sucesso, ganhando assim uma série própria. Jerry Drake, vulgo Mister No, é um veterano da Segunda Guerra Mundial que abandonou sua pátria desiludido pela violência e as imposições da sociedade ocidental. Fugiu para Manaus, no coração da Amazônia, em busca de paz e um novo modo de vida.

Pilotando um velho avião Piper, passa a ganhar a vida como guia turístico. Honesto, sincero e corajoso é praticamente um alcoólatra e não perde a chance de correr atrás de uma mulher.  Mister No é um rebelde por natureza, se metendo em várias confusões pelo Brasil e pelo mundo. Um simpático herói que usa como pano de fundo a cultura brasileira, seus locais exóticos e o povo incrível que abrilhantam ainda mais essa obra.

Apesar de ser uma excelente história em quadrinhos, Mister No nunca foi sucesso no Brasil. Logo em 1976 foi publicado pela editora Noblet, em oito edições que correspondiam aos números 1 a 4 do original italiano. Retornou às bancas pela Record de 1990 a 1992 em 20 edições. Com o mesmo formato e ordem das edições italianas.

Voltou nos anos 2000 pela Editora Mythos que chegou a publicar 24 edições. A última, publicada em junho de 2004 trazia uma história de Tiziano Sclavi (criador de Dylan Dog) e desenhos de Roberto Diso, onde Mister No enfrenta um terror que toma conta do Teatro Amazonas.

Mister No pela Editora 85

Mesmo após estas tentativas, Mister No deixou muitas saudades, principalmente por ser um incrível personagem. Assim, a Editora 85 não se intimidou e retornou com a publicação de Mister No, agora lançando edições com histórias retiradas dos Speciale italianos do personagem. A 85 é a casa de Dampyr e Diabolik e está com campanha no Catarse para trazer Morgan Lost. O editor da 85, Leonardo Campos explica porque resolveu arriscar lançar este personagem, “antes de ser editora, sou apenas um leitor e lanço personagens dos quais gosto muito. Esse é o único motivo para lançar Mister No, meu gosto pessoal de leitor”.

A Editora 85 é uma das editoras que vem trazendo personagens Bonelli de volta como a Red Dragon Publisher com Lilith e Graphite com Brad Barron e logo Nathan Never. Como são editoras de pequeno porte elas tem algo em comum, usam a plataforma Catarse para angariar fundos e apoio dos fãs para conseguirem lançar estas obras.

As edições 1, 2 e 3 de Mister No lançadas pela 85 por exemplo, suas pré-vendas estavam inseridas nas campanhas que a editora criou para lançar Dampyr e Diabolik, somente a edição 4, “Zulu”, lançada em janeiro de 2020 teve Catarse próprio. “O contrato inicial com a Bonelli foram de cinco edições e a repercussão tem aumentado gradativamente. Talvez por estas edições não irem para as bancas, os leitores vão tomando conhecimento delas aos poucos”, ressalta Leonardo.

A Editora 85 vem publicando as Mister No Speciale na ordem, apenas pulou a nº4 italiana pois já tinha saído em Tex e Os Aventureiros, e a proposta da editora é publicar edições inéditas do personagem. Ainda neste semestre a editora irá anunciar a campanha para a 5ª edição e estuda uma maneira de fazer publicações com mais páginas e histórias, como faz com Dampyr que compilar 4 edições em um volume.

A 85 quer publicar 3.104 páginas ainda inéditas no Brasil em 8 generosos volumes com cerca de 480 páginas cada um. A editora publicaria neste formato edições de Mister No Speciale, Mister No Maxi e Almanacco dell’Avventura. No facebook da editora vem acontecendo uma enquete onde este formato já tem 80% de aprovação dos fãs.

Independente de como vir, Mister No pela Editora 85 já se consolidou no mercado e perguntado se já é um sucesso, o editor Leonardo respondeu, “se você chama de sucesso um leitor apaixonado por fumetti ter a oportunidade de trazer de volta ao Brasil materiais que ele sente falta, então a 85 é um sucesso para esse leitor”.

Mister No pela Panini

Em 2019 a Panini surpreendeu a todos e trouxe Vietnã. Uma origem de Mister No recriada por Michele Masiero, que se passa na década de 1960. Ao invés de Mister No ser um veterano da Segunda Guerra Mundial, aqui ele luta na Guerra do Vietnã, onde mostra todas as atrocidades da guerra e como era sua vida neste período conturbado da história.

A Panini já anunciou os volumes 2 (Califórnia) e 3 (Amazônia) que completam essa minissérie em edição de luxo, capa dura, papel off-set colorido, formato maior e 144 páginas.

Em Mister No – Califórnia: Com roteiro de Michele Masiero, arte de Alessio Avalone, de volta aos EUA depois de suas trágicas experiências na Guerra do Vietnã, Mister No está vivendo o final da década de 1960 em São Francisco encontrando novos interesses amorosos e velhos amigos. Porém a vida de veterano não é fácil e Mister No tenta criar um novo modo de viver para si; mas ao ser usado, as consequências não serão fáceis de suportar. Como em “Vietnã”, a história é contada em duas linhas temporais, a do presente e acontecimentos do passado de Mister No e nesta edição vemos como era a relação com o pai dele e seu primeiro contato com a aviação.

E no terceiro e último volume, com 160 páginas, Mister No  – Amazônia, com roteiro de Michele Masiero, arte de Alessio Avalone, Matteo Cremona e Emiliano Mammucari, Mister No partiu à procura de um lugar distante, para fugir de seus traumas e escolheu a Amazônia. Em Manaus, busca trabalho em um país que está olhando para o futuro e governado com mão de ferro. A trama se desenrola focando na relação dele com uma mulher loira norte-americana e seus encontros com caras durões, defensores da paz e jovens arruaceiros. Mas acima de tudo, pessoas que estavam seguindo seus sonhos.

Mister No série regular voltará em breveMister No na Itália teve 379 edições, encerrando em 2006 com a aventura “Uma Nova Vida”, escrita por Nolitta e desenhos de Diso, que inclusive já foi publicada no Brasil no excelente “Especial Sergio Bonelli”, da Editora Mythos. Como já mencionado acima, o herói passou por poucas e boas com a publicação de sua série regular por aqui, mas em 2020 uma editora promete retornar com estas aventuras.

Ainda não pode-se revelar qual editora irá publicar por motivos contratuais, mas é confirmado que ela publicará material inédito. Não serão publicadas revistas em formato de 100 páginas mas sim em formato maior, com 400 páginas, compilando uma média de 3 a 4 edições.

Mister no retornou à Itália também

Michele Masiero, autor de Mister No Vietnã, também é o responsável por trazer de volta as aventuras de Jerry Drake à Itália em uma série regular que já chega a sua sétima edição. A nova série, “As Novas Aventuras de Mister No” conta histórias ocorridas antes do fechamento oficial do ciclo narrativo do personagem. “Não parecia certo voltarmos com a edição 380, em respeito ao criador da série Nolitta/Bonelli, então decidimos recomeçar do 1 e com o subtítulo “As Novas Aventuras”, comentou Masiero.


Adquira Mister No da 85 AQUI

Adquira Mister No da Panini AQUI

Reencontrando com Martin Mystère

Trilha pra você escutar enquanto lê:

Em março retorna mais um grande sucesso da Bonelli às bancas brasileiras. Martin Mystère, o Detetive do Impossível pela Editora Mythos. A primeira edição chega no final de março em formato italiano Bonelli.

 

Muito mais que apenas histórias de um Antropólogo Aventureiro, Martin Mystère é um portal para histórias da própria humanidade, porque Alfredo Castelli, o criador desta série Bonelli, é um gênio. Imagino que ao começar a escrever uma história de Martin, Alfredo se enche de milhares de referências, estudos, embasamento profundo sobre os assuntos abordados.

Se fala sobre o Reino perdido de Atlântida? Está lá em uma simples história em quadrinhos muitas informações fruto de pesquisas importantes. Uma história sobre o Rei Arthur? Tome mais uma porrada de estudos e aprendizados que o leitor receberá sem querer, pois estará se divertindo com Martin Mystère!

Criado em 1982 por Alfredo Castelli (acima), um experiente roteirista de quadrinhos que já havia trabalhado com Diabolik, Mickey, Zagor, Mister No, Corriere dei Ragazzi, entre outras, Alfredo deu vida à Martin Mystère, um gênio e herói. Em sua carteira de trabalho consta: professor, pesquisador, antropólogo de fama internacional, escritor e apresentador de TV. Martin é como indiana Jones, ao invés do conforto de um escritório, analisando algum objeto, ele mergulha de cabeça em aventuras em busca de Mistérios.

Mystère tem como parceiro um homem de Neanderthal, Java, encontrado em uma de suas aventuras e sua eterna noiva Diana Lombard.

Giancarlo Alessandrini foi quem idealizou graficamente Mystère, o fazendo com as feições de um Brick Bradford mais velho. Brick Bradford era uma hq da década de 1930 publicada pela King Features. No Brasil foi publicada com o nome de Dick James.

Alessandini trabalhou em várias histórias e também fez capas para a série. Castelli ainda está a frente das histórias de seu personagem, revezando-se poucas vezes com outros autores como Pierfrancesco Prosperi, Tiziano Sclavi e Alessandro Chiarolla.

Mystére é um grande sucesso da Sergio Bonelli Editore desde seu início. Além da série regular, o herói tem como publicações Martin Mystère Special (Anual), Gigante (Anual) e Martin Mystère: Almanacco del Mistero (Anual). Tem também a republicação da série regular em Tutto Mystére que iniciou em 1992.

Chegou a ganhar uma famosa série de desenhos animados que passou na Rede Globo, ao estilo de Três Espiãs Demais. Porém apesar de ter Mystère mais jovem, Java e Diana, a série nada se compara aos quadrinhos.

Martin Mystère é um verdadeiro “tudólogo”: é laureado em antropologia, fez diversas especializações (arqueologia, história da arte, cibernética) e é também um profundo conhecedor da chamada “cultura de folhetim”, Martin adora deixar seus interlocutores espantados com sua sabedoria, mas é uma personagem que está longe de ser um pedante ou vaidoso acadêmico. Por um certo período viveu em um monastério tibetano, onde aprendeu diversos segredos esotéricos e ganhou o místico “terceiro olho”. Seus estudos e pesquisas seguem por caminhos costumeiramente esnobados e ridicularizados pela ciência oficial.

Quadrinhos e Conhecimento

Como já mencionado antes, as histórias de Mystère são altamente criativas, com temas que passeiam pela literatura, história, geografia, antropologia e sociologia. Cada episódio é fonte de informações dos mais variados tipos. Castelli é um ótimo contador de histórias e sua base é muito culta, com interesses em diversas áreas de conhecimento, sempre preocupado em detalhar fatos e acontecimentos dando suporte, credibilidade e fundamentação científica às histórias.

O ritmo da história torna-se lento, porém a trama nos mantém presos para saber o desfecho em cada edição. A maioria dos leitores acaba concluindo que a persistência vale a pena e a quantidade de conhecimento adquirido pela leitura de Martin Mystère é incrível.

No Brasil

A Editora Rio Gráfica foi a primeira a trazer Martin ao Brasil publicando treze números de 1986 a 1988. Em seguida veio a Record com dezessete números de 1990 a 1992, além de um crossover com Dylan Dog. Na Editora Globo, Martin apareceu no Especial Fumetti: O melhor dos quadrinhos italianos, em 1993.

O personagem foi publicado pela Editora Mythos de 2002 a 2006 em 42 números mensais. O formato foi o mesmo de Tex, menor.

Mystère foi publicado também nas seis edições de Tex e os Aventureiros, em 2005.

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén