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Dylan Dog e Twin Peaks

As edições #64 (Os Segredos de Ramblyn) e #65 (O Animal das Cavernas) de Dylan Dog tem clara referência à série de terror e suspense da década de 90: Twin Peaks. Dylan está investigando os mistérios de uma pequena aldeia nas montanhas do País de Gales (Ramblyn), onde uma menina chamada Katinka desaparece. Praticamente a mesma trama e o principal foi a inserção de personagens tão ou mais bizarros como os da série.

Twin Peaks é uma série criada por Mark Frost e David Lynch. A trama mostra a investigação do agente do FBI Dale Cooper sobre o assassinato da popular estudante do colegial Laura Palmer. O título da série provém de seu cenário principal, a cidade fictícia de Twin Peaks, em Washington. A série iniciou em 1990 e teve duas temporadas. A primeira com sete episódios e a segunda com 22.

Twin Peaks possuía uma história complexa nunca vista em uma série antes, personagens estranhos e excêntricos, tramas cheias de mistérios, sendo difícil categorizá-la, pois possuía momentos alternados entre suspense, surrealismo, drama, policial, humor e terror psicológico. A misteriosa morte de Laura Palmer, a música tema de Angelo Badalamenti, assim como a forma como cada habitante de Twin Peaks estava envolvido com a morte de Laura Palmer, ajudaram a segurar o trama e a tensão e ter uma 1ª temporada aclamada pelo público e crítica até os dias atuais.

Em 1992, a série teve um prequel que mostrava os últimos dias de Laura Palmer, o filme Twin Peaks: Fire Walk with Me e em 2017 a série retornou como uma série limitada de 18 episódios no canal a cabo Showtime.

O próprio Dylan é um grande fã do gênero terror, tem vários pôsteres de filmes em seu escritório e sempre ao ir no cinema assiste à algum filme como Lobisomem Americano em Londres, um que ele adora (gosto duvidoso, realmente). Os próprios roteiristas colocam várias referências à filmes do gênero nas edições. Já vimos referência ao filme Psicose, de Alfred Hitchcock, com a famosa cena do assassinato no chuveiro praticamente quadrinizada por Corrado Roi na Edição Italiana #20 (Dal Profondo, publicada no Brasil na edição #9 da Mythos).

Além da primeira edição de Dylan Dog ser uma clara referência aos filmes de George Romero. Inclusive na edição Horror Paradise, onde  a Mythos retoma a publicação de DyD no Brasil agora em março, Dylan enfrenta uma série de personagens de terror, como Alien e Freddy Krueger.

Como mencionado antes, as edições 64 e 65 tem várias referências à Twin Peaks, e em Dylan Dog Color Fest n.13 (acima), um jovem Dylan é mostrado assistindo ao filme “Estradas Perdidas” de 1997, onde é forçado a parar para ver quem estava gritando na casa do vizinho.

“Eu adoro esse filme”, comenta Dylan assistindo a uma das cenas mais perturbadoras do cinema, realizada por David Lynch.

10 Episódios memoráveis de Zagor

Com mais de 50 anos e 600 edições, não é fácil escolher 10 episódios marcantes da série da Bonelli Zagor. Vários fãs  tem ligações pessoais com as histórias e as 10 melhores histórias pra um não são para outro. Portanto aqui iremos apenas citar 10 momentos marcantes, especialmente para possíveis novos leitores que queiram vir a conhecer a série agora. E para os mais longevos fãs, é apenas um retorno à boas memórias junto ao Espírito da Machadinha.

Irei dar importância apenas para edições publicadas no Brasil.

1 – Iron Man

Publicado originalmente em Zagor #14 e #15 na Itália. No Brasil pela Editora Record em Zagor #05 e Zagor Especial Mythos #19, da Editora Mythos.

História de Guido Nolitta e desenhos de Gallieno Ferri.

Vemos aqui o herói criado por Guido Nollita (pseudônimo de Sergio Bonelli) ser derrotado por um guerreiro mais forte do que ele, mais perspicaz e usando seus próprios truques. Chico leva Zagor nos ombros, ferido, até seu abrigo, humilhado, anulado. O que nunca poderia ter acontecido com Tex, acontece com o personagem de Sergio.

Depois Zagor busca vingança, que além de restabelecer o equilíbrio, proporciona um caráter mais articulado com mais profundidade do que pode parecer. A estrutura narrativa típica é confirmada com um tom de humor e um drama de ação.

Zagor aqui já mostra que é um personagem diferenciado, que apesar de ser um mito lendário, é apenas um humano. E um herói Bonelli que tende a errar também.

 

2 – A Origem de Zagor (Zagor Racconta)

Publicada originalmente na Itália em Zagor #55 e #56. No Brasil saiu nas edições da Vechi Zagor #01, da Record Zagor #01 e em Zagor em Cores #01 pela Editora Mythos.

História de Guido Nolitta e desenhos de Gallieno Ferri.

Nesta história como o nome já diz, vemos a origem de Zagor, mas também toda a originalidade que Nollita deposita em sua criação. A história conta desde a infância serena de Zagor com os pais na cabana de Clear Water até a grande tragédia de sua vida.

Zagor fica orfão ainda bebê, quando seus pais — Mike Wilding, um ex-oficial do exército americano (que largara tudo para viver como um desbravador), e Betty — são massacrados por um grupo de índios (abenakis), liderado por um renegado chamado Salomon Kinsky. Antes de morrer, Mike joga Zagor no riacho que passa atrás de sua casa. Recolhido e salvo por um andarilho, Wandering Fitzy, o rapaz cresce com um único pensamento: vingar o pai matando quem o matou.

Até aí nada de original, temos referências de várias histórias se mesclando, mas é aí que Nollita arregaça as mangas e mostra porque foi um dos maiores nomes do Fumetti italiano e mundial.  Em sua busca por vingança, Zagor capta os ensinamentos de Wandering Fitzy, este homem que o encontra e se torna seu mentor.

Um poeta, um filósofo e um homem livre das convenções e hipocrisias dos civilizados. Ele havia renunciado até mesmo às armas e defende-se e caça usando apenas uma machadinha, um símbolo que viria marcar o futuro herói. E a figura desse conselheiro acabaria por se transformar, aos olhos de Zagor, na imagem do herói moderno na sua busca incansável da própria identidade.

Quando Zagor consuma a sua vingança, ela tem um sabor amargo e cruel, pois descobre que o pai que ele tanto idealizou odiava os índios e, enquanto servia no exército, fora um dos mais ferozes exterminadores.

Como para se redimir do sangue inutilmente derramado para satisfazer seu espírito de vingança, Zagor consagra à sua vida a tarefa de “contribuir para que a paz reine neste grande país atormentado pela violência”. Zagor passou a dedicar sua vida à defesa da paz e da ordem na imaginária floresta de Darkwood, situada na região dos Estados Unidos conhecida por “As 13 Colônias”. Com a ajuda da família acrobata Sullivan (o pai Tobia e os filhos Romeu e Horace), Patrick Wilding (o real nome de Zagor) inicia a lenda do Espírito da Machadinha, Rei de Darkwood e enviado do Grande Espírito. Uma auto-designação que, em sua opinião, não é a exploração da ingenuidade de um povo primitivo, mas uma forma de respeito pela sua cultura.

3 – Odisseia americana (Odissea americana)

Publicada originalmente em Zagor #87, #88 e #89. No Brasil foi publicado pela Vecchi nos números #05 e #06. Pela Record no número #17.

Roteiro de Guido Nolitta e arte de Gallieno Ferri.

A viagem do barco “Athena” ao longo do rio Tallapoosa manteve-se gravada na imaginação dos leitores. Quando foi pedido para que fosse criado um jogo de tabuleiro de Zagor, a história indicada foi: Odisseia Americana.

Mais do que uma história, foi um período editorial em que Zagor permaneceu fora de sua Ítaca (Darkwood) e se envolveu em uma série de aventuras que se desenrolaram da edição #85 (Angústia) a #107 (De volta a Darkwood). Dois anos de vida editorial. Aqui conhecemos também o belo e trapaceiro Trampy, que vive com truques inteligentes para conseguir almoço e acaba envolvendo Chico em seus golpes acabando em várias confusões.

  1. A marcha do desespero (La marcia della disperazione)

Publicada originalmente na Itália nas edições #112 a #116. No Brasil saiu pela RGE em Zagor #06 e #07.

História de Guido Nolitta e arte de Gallieno Ferri.

Neste período, as histórias narrativas tendem a durar mais tempo. Bonelli coloca Zagor contra personagens com fortes motivações. Vemos vários temas clichês e ambientes de impacto: o deserto, o embate entre brancos e índios, a morte, o sacrifício, a poesia e até o amor. Vemos Zagor encontrando chefes tribais e mostrando todo o seu prestígio entre os nativos americanos e os militares.

Temos de um lado, Winter Snake, chefe da tribo Kiowa, um dos melhores vilões de Zagor e do outro Frida, uma das poucas e fundamentais mulheres da saga de Zagor.

A história mostra a arrogância dos brancos e seu desprezo pelo estilo de vida dos nativos. Zagor em toda a sua essência se indigna, enfurece e vai fundo em promover a paz e a salvação dos mais fracos. Zagor vive sua primeira história de amor com Frida Lang e encontramos o engraçado feiticeiro Mohawk, Many Eyes. Bizarro e simpático, usa óculos e um relógio como colar.

  1. Adeus irmão vermelho (Addio fratello rosso)

Publicada originalmente em Zagor #119 a #122. No Brasil foi publicado como “O Aventureiro” pela RGE, edição #02.

História de Guido Nolitta e desenhos de Franco Donatelli.

Mais um embate mortal entre americanos e nativos, reavivado com violência irredutível.

Zagor é forçado a enfrentar uma comunidade inteira para levar à justiça um jovem homem branco responsável pela morte da esposa de Sakem Wakopa. Nolitta apela para a emoção do leitor e quebra em pedaços os corações, nos fazendo enfrentar a complexidade do conceito de justiça.

  1. Terror do sexto planeta (Terrore dal sesto pianeta)

Publicado originalmente na Itália de Zagor #178 a #182. No Brasil foi publicado pela Record em Zagor #06 – O Raio da Morte

História de Guido Nolitta e arte de Ferri e Franco Bignotti.

Esta é a última grande história de Guido Nolitta, uma pequena obra-prima, apesar do bizarro tema. Nolitta traz ao extremo o que é Zagor: Western, fantasia, misticismo e ficção científica. Características primordiais da série que aqui consegue nos levar a uma aventura incrível elevando Zagor a uma figura mítica.

Nesta aventura vemos o confronto de Zagor com seu maior inimigo, o Professor Hellingen, cientista louco e brilhante, inventor de futuristas armas e máquinas que periodicamente retornam para ameaçar o Espírito da Machadinha, que para Hellingen é “um homem ignorante da floresta”. É a quarta aparição do vilão e a mais perigosa devido aos seus aliados, os extraterrestres com tecnologia avançada: Akkronians.

Existe toda uma atmosfera de tensão e mistério na primeira parte da história e em seguida cresce uma terrível ameaça dos adversários aparentemente insuperáveis. A magia dos índios desempenha um papel importante neste caso e agora surge como um dos grandes heróis e defensores do povo vermelho. Desta vez, de verdade.

Aqui também conhecemos amigos importantes de Zagor como o coronel Perry (médico oficial do Forte Pitt), Barão Ícaro la Plume (inventor bizarro e aviador) e Tonka (Mohawk e irmão de sangue de Zagor). É a história que Nolitta se despede de seu personagem.

Depois disso Hellingen apareceu apenas mais três vezes em quase 37 anos.

  1. Oceano

Publicado originalmente em Zagor #95 a #99. No Brasil foi publicado pela RGE em Zagor #24 e pela Globo na edição #25 como “Bandeira Negra”

Tem vários motivos que tornam Oceano uma leitura indispensável de Zagor e em seu campo específico, insuperável. É, e permanece a melhor história de viagem de navio no oceano e a melhor caça ao tesouro da série. Para os zagorianos, as viagens pelo oceano trazem a memória o capitão Fishleg, com uma perna artificial feita com um osso de baleia. É um dos amigos mais famosos de Zagor e Chico, e comandante da caça à baleia na “Golden baby”. De tripulação variada e multiétnica (com o fakir Ramath, que reaparecerá em outras edições).

E por tratar de tesouro, a trama traz Digging Bill, que busca o tesouro apenas pela satisfação de estar em uma busca e não para enriquecer. Ele acaba se tornando um dos mais famosos amigos de Zagor. A atmosfera aventureira desta história não cansa o leitor, mesmo que se estenda por algumas edições.

  1. Liberdade ou morte (Libertà o morte)

Publicada originalmente nas edições #82 a #92 na Itália. No Brasil saiu pela Vecchi em Zagor #47 – Liberdade ou Morte

História de Guido Nolitta e arte de Donatelli.

Uma história densa que mostra como Zagor para alguns leitores não é apenas um herói que vive em um lugar imaginário, muitas vezes se afastando da realidade histórica, ou que a presença de Chico ou outros personagens deixam as tramas mais simplórias e ingênuas. Liberdade ou Morte é de fato a melhor história da série que pode ser lida para entender que tais características não impedem episódios ambiciosos, que mesmo com personagens e eventos imaginários, se inspire na lógica implacável que governa a sociedade do homem branco.

Aqui, Zagor enfrenta uma de suas principais lutas, a contra todas as formas de escravidão, pela liberdade dos homens de qualquer raça e cor. Surgem também personagens fundamentais da série como Manetola, líder dos Seminoles e Liberty Sam, escravo fugitivo que se juntou a causa de Zagor.

  1. Zagor contra Supermike

Publicada originalmente em Zagor #123 e #124. No Brasil foi publicado pela RGE na edição #03 – Zagor contra Supermike

História de Nolitta e desenhos de Ferri

Zagor quando está lutando contra injustiças e maldade, se torna uma fúria, e tem entre seus maiores inimigos figuras não menos excepcionais que ele, dotadas de extraordinários poderes intelectuais ou sobrenaturais. O adversário, no entanto, mais irritante, é um homem sem poderes, mas com habilidades extraordinárias que o fazem superar todas as atividades que se propõe a realizar. É Mike Gordon, conhecido como Supermike. E adivinha qual a próxima missão que ele decidiu superar? Tornar-se o “Perturbador de Darkwood”.

Com um traje colorido e um grito de batalha, para mostrar ser superior ao Espírito da Machadinha, humilhá-lo para quem sempre o valorizou e forçá-lo a entrar na briga. O ponto é que ele realmente consegue tirar Zagor do sério e colocá-lo em sérios problemas.

Supermike se tornou um inimigo muito popular, porém seu único retorno, pós-Nolitta, não foi muito bem aproveitado.

 

  1. Il mio amico Guitar Jim

Publicado originalmente na centésima edição de Zagor na Itália. No Brasil saiu pela Vecchi em Zagor #02 – Guitar Jim

História de Nolitta e desenhos de Ferri

Este foi o único centenário assinado pelo criador da série, Guido Nolitta. Nos mostra um amigo histórico do Espírito da Machadinha, embora nem sempre confiável.

Guitar Jim, é um rapaz bom, porém é um cantor fora da lei que esconde uma arma na caixa inseparável de seu violão. Inicialmente ele luta com Zagor que é enganado por Jim e determinado vai em busca de justiça (mesmo acontecendo uma simpatia mútua entre os dois).

Nolitta nos mostra como Zagor fica zangado quando traem a sua confiança.

Nas aparições posteriores de Guitar Jim, elas não tem resultados tão convincentes.

Menção honrosa pois sei que está na lista de vários Zagorianos:

Zagor contra o Vampiro

Publicada originalmente nas edições #85 a #87. No Brasil foi publicado pela Vecchi em Zagor #10 e #11. E pela Record em Zagor #14.

História de Nolitta e desenhos de Ferri.

Nolitta, um apaixonado pelos clássicos do cinema de sua época,  não podia deixar faltar uma história com vampiros. Guido concebe um enredo que começa como um épico ocidental, estabelecido no imaginário comum e depois entra casualmente nos elementos de terror com vários mistérios.

O núcleo principal da trama acontece em uma residência escura, onde nos deleitamos com momentos hilários de Chico. Nesta história vemos a estreia do Dr. Metrevelic, grande especialista no assunto que em outras aventuras ajudará Zagor contra outras criaturas “impossíveis”.

É o início do que os fãs de Zagor chamam de Idade do Ouro: cinquenta e quatro edições consecutivas com uma história mais inesquecível do que a outra.

Viva Bonelli!

Com Horror Paradise Mythos retoma Dylan Dog no Brasil

A Editora Mythos anunciou através de seu blog parceiro TexWillerBlog.com o checklist de março. E nele estava a tão aguardada divulgação das histórias, preços e formatos das novas edições de Dylan Dog e Martin Mystere que a editora irá lançar este ano.

Dylan Dog e Martin Mystère serão publicadas neste mês de março ao preço de R$ 26,90, formato italiano Bonelli, papel Offset 90g e miolo preto e branco com 100 páginas. Os fãs que aguardavam ansiosamente pelas edições ficaram decepcionados com o valor das edições, que serão, segundo a Mythos, distribuídas apenas em algumas capitais, livrarias e comic shops, além da venda pelo próprio site da Mythos.

É provável que este valor diminua consideravelmente com promoções e descontos, possibilitando assim a compra com um preço razoável das edições. Mas o que chama a atenção principalmente nestas novas edições é a escolha das histórias. Tirando Dylan Dog, que foi publicado em 2017 pela Editora Lorentz em três edições, nenhum dos outros personagens anunciados, Martin, Nathan Never e Nick Raider havia sido publicado nos últimos anos. A última publicação dos mesmos faz mais de 10 anos pela própria Mythos.

Dylan Dog por exemplo, a Mythos anunciou a história Horror Paradise, publicada na edição n. 48 em 1990, escrita por Medda, Serra e Vigna, com desenhos de Claudio Castellini. A sinopse conta o seguinte: “Um péssimo despertar para Dylan Dog, que não se recorda como e nem por que alguém o jogou numa espécie de parque de diversões de filme de terror. Enquanto foge de demônios, monstros e alienígenas famintos, o Investigador do Pesadelo deve reencontrar o fio da memória. Tudo começou poucos dias antes, ao seguir os rastos ensanguentados de Alfred Hotchkiss, o diretor maldito, o gênio do terror, que foi desta para a melhor em circunstâncias misteriosas”.

Para entender melhor porque a editora irá publicar esta edição primeiro, é bom dar uma olhada em toda a trajetória de Dylan pelo Brasil.

Começando pelo final. Pela Editora Lorentz que publicou três edições de períodos distintos em homenagem aos 30 anos do Detetive do Pesadelo.

  • Lorentz 01 – Retorno ao Crepúsculo – Dylan Dog n° 57/1991
  • Lorentz 02 – Manchas Solares – Dylan Dog n° 192/2002
  • Lorentz 03 – Mater Morbi – Dylan Dog nº 280/2009

Em 1991 a Editora Record lançou a primeira edição de Dylan Dog no Brasil.

Em ordem cronológica ela foi até o número 11, quando encerraram a série. Todas as edições foram lançadas similares às italianas, mesmo formato, mesmo desenho de capa, mesmo estilo. Muito fieis à original.

Dylan voltaria a ser publicado no Brasil apenas em 2001 pela Editora Conrad, em seis edições que foram baseadas nas lançadas pela editora Dark Horse nos EUA. As capas eram de Mike Mignola, criador de Hellboy, papel offset e formatinho similar aos mangás publicados pela editora na época. A Conrad repetiu duas edições publicadas anteriormente pela Record. O Despertar dos Mortos Vivos e O Retorno do Monstro.

A edições eram consideradas as melhores de Dylan Dog até então:

  • DYD-001 – Johnny Freak –   Dylan Dog n. 81 /06/1993
  • DYD-002 – O Despertar dos Mortos Vivos – Dylan Dog n.01/ 10/1986
  • DYD-003 – Memórias do Invisível – Dylan Dog n. 19 / 04/1988
  • DYD-004 – Morgana – Dylan Dog n.25 / 10/1988
  • DYD-005 – O Retorno do Monstro – Dylan Dog n.8 / 05/1987
  • DYD-006 – Depois da Meia-Noite – Dylan Dog n.26 / 11/1988

Em novembro de 2002 a Mythos inicia sua publicação de Dylan Dog no Brasil. Mesmo formatinho de Tex, papel jornal, a arte da capa tinha algumas peculiaridades que a diferenciavam da original italiana e os números eram totalmente variados. Tanto é que ela inicia pela número 100, uma edição que fala do passado de Dylan mas sem contexto se torna muito confusa.

Pela lista a seguir você pode acompanhar a miscelânea que a Editora fez, sem um critério específico de publicação:

  • DYD-001 – A História de Dylan Dog, julho/2002 – 10/1994 – n.100
  • DYD-002 – Cagliostro!, setembro/2002 – 03/1988 – n.18
  • DYD-003 – O Túnel do Terror, outubro/2002 – 07/1988 – n.22
  • DYD-004 – Partida com a Morte, novembro/2002 – 03/1992 – n.66
  • DYD-005 – O Longo Adeus, dezembro/2002 – 11/1992 – n.74
  • DYD-006 – Assassino!, janeiro/2003 –  Dylan Dog n° 12/1987
  • DYD-007 – Entre a Vida e a Morte, março/2003 – Dylan Dog n° 14/1987
  • DYD-008 – Um dia Maldito, maio/2003 – Dylan Dog n° 21/1988
  • DYD-009 – Nas Profundezas, julho/2003 – Dylan Dog n° 20/1988
  • DYD-010 – A Ilha Misteriosa, agosto/2002 – Dylan Dog n° 23/1988
  • DYD-011 – Canal 666, setembro/2003 – Dylan Dog n° 15/1987
  • DYD-012 – O Castelo do Medo, outubro/2003 – Dylan Dog n° 16/1988
  • DYD-013 – A Dama de Negro, novembro/2003 – Dylan Dog n° 17/1988
  • DYD-014 – Visões Mortais, dezembro/2003 – Dylan Dog n° 27/1988
  • DYD-015 – Terror do Infinito, janeiro/2004 – Dylan Dog n° 61/1991
  • DYD-016 – Grand Guinol, fevereiro/2004 – Dylan Dog n° 31/1989
  • DYD-017 – Obsessão, março/2004 – Dylan Dog n° 32/1989
  • DYD-018 – Jekill, abril/2004 – Dylan Dog n° 33/1989
  • DYD-019 – Aconteceu Amanhã, maio/2004 –  Dylan Dog n° 40/1990
  • DYD-020 – O Mal, junho/2004 – Dylan Dog n° 51/1990
  • DYD-021 – Uma Voz Vindo do Nada, junho/2004 – Dylan Dog n° 38/1989
  • DYD-022 – Golconda!, agosto/2004 –  Dylan Dog n° 41/1990
  • DYD-023 – Quando Caem as Estrelas, setembro/2004 – Dylan Dog n° 131/1997
  • DYD-024 – A Casa Assombrada, outubro/2004 – Dylan Dog n° 30/1989
  • DYD-025 – Eles Estão Entre Nós, novembro/2004 – Dylan Dog n° 13/1987
  • DYD-026 – Coelhos Assassinos, dezembro/2004 – Dylan Dog n° 24/1988
  • DYD-027 – O Fio da Navalha, janeiro/2005 – Dylan Dog n° 28/1989
  • DYD-028 – Quando a Cidade Dorme, fevereiro/2005 – Dylan Dog n° 29/1989
  • DYD-029 – O Escuro, março/2005 – Dylan Dog n° 34/1989
  • DYD-030 – O Recife dos Fantasmas, abril/2005 – Dylan Dog n° 35/1989
  • DYD-031 – Pesadelo de uma Noite de Verão, maio/2005 – Dylan Dog n° 36/1989
  • DYD-032 – O Sonho do Tigre, junho/2005 – Dylan Dog nº 37/1989
  • DYD-033 – O Senhor do Silêncio, julho/2005 – Dylan Dog n° 39/1989
  • DYD-034 – O Hiena, agosto/2005 – Dylan Dog n° 42/1990
  • DYD-035 – A História de Ninguém, setembro/2005 – Dylan Dog n° 43/1990
  • DYD-036 – Reflexos de Morte, outubro/2005 – Dylan Dog n° 44/1990
  • DYD-037 – O Duende, novembro/2005 – Dylan Dog n° 45/1990
  • DYD-038 – Infernos, dezembro/2005 – Dylan Dog n° 46/1990
  • DYD-039 – Escrito com Sangue, janeiro/2006 – Dylan Dog n° 47/1990
  • DYD-040 – O Mistério do Tamisa, fevereiro/2006 – Dylan Dog n° 49/1990

A Mythos então, pretende iniciando a republicação de Dylan Dog no Brasil retomar a coleção de onde parou. Mesmo publicando de forma totalmente variada as edições na vez passada, ela conseguiu que todas as edições originais de Dylan Dog fossem publicadas no país, contando as edições publicadas pelas outras editoras

Do 1 ao 11 pela Record, e da 12 até a 47, pela Mythos, fora os números 26 e 27 que a Mythos não republicou e saíram pela Conrad. A edição que lança agora em Março, n. 48, Horror Paradise, era a que faltava para que a cronologia do Detetive fosse totalmente respeitada no Brasil, pois a Mythos pulou ela, encerrando sua coleção na edição n. 49.

Para os colecionadores isso é ótimo. Pois mesmo em formatos diferentes, poderão ter até a número 49 e depois dela a 51, 61 e 131.

Das quatro edições programadas para este ano então podemos esperar que sejam continuações, sendo a próxima:

Al confini tel tempo n.50/1990

“Ao Confim do Tempo” (Tradução Livre), é escrita por Tiziano Sclavi, desenho de Luigi Piccatto e capa de Angelo Stano.

No Skyglass, o arranha-céu mais impressionante de Londres repentinamente é povoado por animais bizarros, antigos, extintos a milhões de anos. Dylan Dog deve ldar com homens das cavernas e dinossauros do passado mais remoto e fechar a passagem secreta que está ligada aos confins do tempo.

A número 51 já foi publicada pela Mythos na edição n. 10 – O Mal e pulamos pra:

Il Marchio Rosso (A Marca Vermelha) – n.52/1991

História de Tiziano Sclavi e desenhos de Gianluigi Coppola. Capa de Angelo Stano.

Yuri Wolkoff não entende por que o acusam de crimes tão monstruosos. Mas com o rosto marcado pela pobreza, é para todos o candidato perfeito: só pode ser ele o assassino, o terrível Marca Vermelhla! Após sua morte, no entanto, a dúvida surge, serpenteando na névoa como um fantasma. Um fantasma que retorna para matar…

La Regina Delle Tenebre (A Rainha das Trevas) – n.53/1991

Roteiro de Claudio Chiaverotti, desenhos de Montanari & Grassani. Capa de Stano.

A jovem Pam é possuída por um demônio. Médicos, sacerdotes e psiquiatras jogam a toalha: não há nada a fazer, pois a garota está ficando cada vez mais louca. Mas algo terrível se esconde por trás desta maldição, mas o quê? A Rainha das Trevas não é apenas uma alucinação, mas um monstro de carne e osso!

Claro que tudo isso passa apenas de especulação, mas pelo que foi feito me parece o mais correto a dizer que a Editora irá fazer.

Viva Bonelli!

Conhecendo Adam Wild

Dica de trilha para escutar enquanto lê. Nada melhor do que a trilha de “As Minas do Rei Salomão”, clássico da Sessão da Tarde que conta uma grande aventura na África:

Gianfranco Manfredi (à direita), é um dos gênios da Sergio Bonelli Editore, criador de séries como Mágico Vento e Face Oculta. Em 2014 o italiano deu vida à mais uma série Bonelli: Adam Wild. Para nós esta série teve algo muito especial, em sua equipe de desenhistas estavam dois brasileiros: Ibraim Roberson e Pedro Mauro.

Ibraim Roberson já desenhou para Marvel e DC, além de ter feito a versão em quadrinhos do Guia de sobrevivência aos zumbis – Ataques registrados, lançado no Brasil pela Rocco. E Pedro Mauro é um desenhista muito experiente que voltou com força total. Começou na editora Taika, de Jayme Cortez ajudando Ignacio Justo em histórias de guerra. Meses depois assinava a arte da revista Pancho, um western spaguetti. Depois deixou as HQs para fazer storyboards para publicidade. Em 2017 Pedro lançou junto ao roteirista Carlos Estefan a hq independente “Gatilho” contando a história de um caçador de recompensas que chega a uma cidade abandonada em busca de justiça.

Voltando à Adam Wild, a obra foi lançada em outubro de 2014 com a primeira edição intitulada “Os Escravos de Zanzibar”. Os roteiros são de Gianfranco Manfredi e as capas são de Darko Perović. A realização gráfica do personagem ficou a cargo de Alessandro Nespolino. A série acontece no final do século XIX e suas histórias são histórico-aventureiras que ocorrem na chamada África negra, do Quênia à África do Sul, com uma “localização” prevalecente na Tanzânia, incluindo países como Congo e Nigéria.

Como em Mágico Vento, Face Oculta, entre outros de seus trabalhos, Manfredi escreve com muita base em pesquisa histórica. Adam Wild é um homem de ação, que prefere o contato com a natureza e a viver em Londres.

Em suas missões, Adam está sempre acompanhado de amigos e de Amina, a princesa guerreira Bantu que luta ao seu lado. Suas características o fazem parecer Errol Flynn (imagem abaixo), Clark Gable e Douglas Fairbanks.

Adam Wild é um homem ousado, positivo e amante da natureza. É um explorador escocês, membro da Royal Geographical Society de Londres. Em suas aventuras combate as mais diversas ameaças da exploração colonial na África como o poder de empresas ocidentais, a exploração nas minas de ouro e diamantes e as guerras tribais induzidas pela política europeia.

Em entrevista a Alfredo Castelli, criador de Martin Mystère, Manfredi comenta que Adam Wild nasceu como um projeto dedicado aos leitores de longa data da Bonelli. “Os leitores Bonelli estão a décadas conosco, são leitores para a vida toda. Em épocas de crise chegamos a vender 28 milhões de cópias e temos muito a agradecer aos fieis leitores. Enquanto no passado, quando a tradição da Bonelli era vista como conservadora, eu e outros autores tentávamos propor coisas inovadoras (devido à estabilidade assegurada por Tex, Dylan Dog e Martin Mystère), agora penso que alguém deveria cuidar não só de encontrar novos leitores, mas manter os que continuam conosco, pois se os perdermos, estamos ferrados”, comentou Gianfranco.

Foi Manfredi quem encontrou a arte de Pedro Mauro no Facebook e o convidou a fazer parte do projeto (arte de Pedro Mauro à direita). Em entrevista ao site Mania de Gibis, Pedro Mauro comentou sobre Gianfranco, “ele é muito organizado: manda todas as referências, quadro a quadro, e tem um roteiro bem fácil de seguir”. Já Ibraim Roberson chegou a Manfredi por meio do seu representante na Itália.

Segundo o desenhista, Manfredi nunca fez um retoque sequer nas sequências narrativas. “Ele parece desenhar cada detalhe das páginas no momento em que está escrevendo. O meu trabalho fica facilitado, pois é exatamente como uma tradução, em vez de uma adaptação”, diz Roberson. “Toda a energia de um texto incrível está visível em cada painel de Adam Wild”.

Em Adam Wild, Manfredi diz que tentou mostrar a raiz histórica de problemas que reapareceram fortemente hoje em dia, como a escravidão. “Adam Wild não é um explorador normal, ele é um libertador de escravos que mais tarde se envolve em guerras coloniais. É uma série que continuou o discurso aventureiro e histórico das obras de Arthur C. Clark (2001: Uma Odisseia no Espaço), ou do personagem Indiana Jones, etc.

Ao falar do encerramento da série na 26ª edição, Manfredi comenta que poderia ter abordado muito mais assuntos. “Adam Wild passa por cerca de quinze países africanos subsaarianos. Passagens pelo Congo, alusões ao Sudão e nem mencionamos Angola. Em suma, haveria muito a contar”, e destaca que agora com a série concluída, não mudaria nada em sua trajetória, “após ter passado pela falta de clareza no início da série, pois não sabíamos se seria longa ou não, tudo se encaixou depois e a série é muito clara em sua proposta”.

Viva Bonelli!

Séries Bonelli que talvez nunca vejamos no Brasil: Morgan Lost

A Sergio Bonelli Editore se modernizou bastante nas últimas séries lançadas, como exemplo cito Orfani, primeira série Bonelli totalmente publicada a cores. Em Morgan Lost, mais uma grande novidade foi explorada. O personagem sofre de um problema de visão, fazendo com que enxergue em escalas de cinza e vermelho, por isso em todas as edições da série, fora a capa, enxergamos da mesma maneira que Morgan, em apenas tês cores.

Conhecendo a série

Morgan Lost começou a ser publicada em 2015. A série é uma criação de Claudio Chiaverotti (ao lado), autor que já trabalhou com Dylan Dog em alguns especiais, Dylan Dog Gigante e almanaques.

Em 1998 criou Brendon, um mercenário em uma terra pós-apocalíptica. Série também publicada pela Bonelli. Escreveu algumas edições de Martin Mystère até criar Morgan Lost. Morgan é um caçador de Serial Killers de New Heliopolis, uma versão alternativa de Nova York dos anos 1950, onde a Segunda Guerra Mundial nunca aconteceu.

A cidade é cheia de assassinos em série e a polícia criou um Grupo Especial dedicado a apenas capturar este tipo de criminosos. O personagem nasceu no final dos anos 1920 e logo ficou órfão acabando em um orfanato. Ele cresce e torna-se proprietário de um cinema chamado, o Império. Junto à sua namorada, Lisbeth Connor eles administraram o local por um tempo. Uma noite os dois foram sequestrados por homens mascarados que os torturaram. Os bandidos tatuaram uma máscara preta no rosto de Morgan. Lisbeth morre e Morgan se salva.

Ele vende o cinema ao seu velho amigo Fitz e inicia uma carreira de caçador de Serial Killers. Seis anos depois da tragédia, ele vive em um pequeno apartamento no topo de um arranha-céu. Vive atormentado por traumas passados e sofre de insônia. Durante suas investigações descobre seus captores e que Lisbeth não está realmente morta. Ela também se tornou uma assassina em série!

Junto a uma criminóloga, Pandora Stillman, Morgan encontra Lisbeth e descobre que o médico que cuidou dela, (atenção agora que é bizarro) descobriu que Lisbeth tinha a mesma doença que o Diretor do Templo da Burocracia, fingiu a morte de Lisbeth e a vendeu para que os cientistas do Diretor pudessem achar uma cura para ele. A cura não foi encontrada e o Diretor fez de Lisbeth sua parceira, pois ela é a única mulher que pode se relacionar com ele, sem matá-lo!

Características do personagem

Como mencionei acima, Morgan sofre de um problema de visão que o faz enxergar em escalas de cinza e vermelho. Quando se encontra em situação de forte estresse psicológico, ele gagueja, problema que traz desde a época que estava no orfanato.

Ele sofre de insônia, que o faz ficar sem dormir por dias, o que provoca fortes enxaquecas que tenta resolver com analgésicos. Quando está perto do mar, Morgan tem visões estranhas com os assassinos que caçou e matou, sentados em cadeiras o observando.

A tatuagem que tem no rosto, os maníacos que fizeram isso tinham o costume de fazer em outras vítimas. Chamam a tatuagem de “Olhar de Seth”. Morgan chegou a fazer um curso na polícia de New Heliopolis recebendo educação necessária para conseguir rastrear o perfil dos assassinos em série.

Ele tem uma boa preparação física e habilidade de luta corporal bem como no uso de armas de fogo. Usa uma pistola Mateba AutoRevolver. Na fivela de seu cinto tem o símbolo da paz, que pegou de um pingente que Lisbeth tinha ao redor do pescoço no dia de seu sequestro.

Publicações

A série principal iniciou em 2015 e teve 24 edições já concluídas. Em 2017 iniciou uma nova série, Morgan Lost – Dark Novels que está em sua quarta edição.

E então? A série é muito bem construída com várias referências à assassinos bizarros do cinema. Tem um personagem cheio de problemas, dramático e a série regular já está concluída com 24 edições. Teria chance se fosse publicada no Brasil?

Viva Bonelli!

Mais informações sobre o encontro de Zagor e Jovanotti

Chega às bancas italianas dia 2 de março a edição de Zagor n.632 que terá em anexo a história, “O chamado da Floresta”,  um especial com o encontro do Espírito da Machadinha com o músico italiano Jovanotti, fã declarado de Zagor.

A edição n.632 traz a história, “O bando dos implacáveis”, escrita por Antonio Zamberletti e desenhos de Mauro Laurenti. Capa de Alessandro Piccinelli. Em Scanlon Creek, um bando de assaltantes sanguinários cruzam o caminho de Zagor e Chico, que lutam contra os bandidos ao lado da bela Blondie.

Anexo á edição está a história “O Chamado da Floresta”, de Moreno Burattini, roteiro de Michele Masiero e desenhos de Walter Venturi. Serão 26 páginas mostrando o encontro de Zagor e o cantor Lorenzo Jovanotti.

Lorenzo Jovanotti sempre foi um fã declarado de Zagor desde a década de 1970, “gerações inteiras sonharam em se aventurar, nas asas da fantasia com Zagor. Era inevitável que mais tarde nossos caminhos se cruzassem “, comenta Masiero sobre o encontro.

Os personagens favoritos de Jovanotti são exatamente os criados por Guido Nollita (nome artístico de Sergio Bonelli): Zagor e Mister No. Sempre um fã dedicado da Bonelli, a maneira de agradecer o músico por todo o carinho foi transportá-lo para as Florestas de Darkwood e proporcionar uma aventura com Zagor.

“Foi assim que nossa história nasceu, pequena, mas feita com a mesma criatividade artística e qualidade na arte”, completa Masiero.

Reencontrando com Martin Mystère

Trilha pra você escutar enquanto lê:

Em março retorna mais um grande sucesso da Bonelli às bancas brasileiras. Martin Mystère, o Detetive do Impossível pela Editora Mythos. A primeira edição chega no final de março em formato italiano Bonelli.

 

Muito mais que apenas histórias de um Antropólogo Aventureiro, Martin Mystère é um portal para histórias da própria humanidade, porque Alfredo Castelli, o criador desta série Bonelli, é um gênio. Imagino que ao começar a escrever uma história de Martin, Alfredo se enche de milhares de referências, estudos, embasamento profundo sobre os assuntos abordados.

Se fala sobre o Reino perdido de Atlântida? Está lá em uma simples história em quadrinhos muitas informações fruto de pesquisas importantes. Uma história sobre o Rei Arthur? Tome mais uma porrada de estudos e aprendizados que o leitor receberá sem querer, pois estará se divertindo com Martin Mystère!

Criado em 1982 por Alfredo Castelli (acima), um experiente roteirista de quadrinhos que já havia trabalhado com Diabolik, Mickey, Zagor, Mister No, Corriere dei Ragazzi, entre outras, Alfredo deu vida à Martin Mystère, um gênio e herói. Em sua carteira de trabalho consta: professor, pesquisador, antropólogo de fama internacional, escritor e apresentador de TV. Martin é como indiana Jones, ao invés do conforto de um escritório, analisando algum objeto, ele mergulha de cabeça em aventuras em busca de Mistérios.

Mystère tem como parceiro um homem de Neanderthal, Java, encontrado em uma de suas aventuras e sua eterna noiva Diana Lombard.

Giancarlo Alessandrini foi quem idealizou graficamente Mystère, o fazendo com as feições de um Brick Bradford mais velho. Brick Bradford era uma hq da década de 1930 publicada pela King Features. No Brasil foi publicada com o nome de Dick James.

Alessandini trabalhou em várias histórias e também fez capas para a série. Castelli ainda está a frente das histórias de seu personagem, revezando-se poucas vezes com outros autores como Pierfrancesco Prosperi, Tiziano Sclavi e Alessandro Chiarolla.

Mystére é um grande sucesso da Sergio Bonelli Editore desde seu início. Além da série regular, o herói tem como publicações Martin Mystère Special (Anual), Gigante (Anual) e Martin Mystère: Almanacco del Mistero (Anual). Tem também a republicação da série regular em Tutto Mystére que iniciou em 1992.

Chegou a ganhar uma famosa série de desenhos animados que passou na Rede Globo, ao estilo de Três Espiãs Demais. Porém apesar de ter Mystère mais jovem, Java e Diana, a série nada se compara aos quadrinhos.

Martin Mystère é um verdadeiro “tudólogo”: é laureado em antropologia, fez diversas especializações (arqueologia, história da arte, cibernética) e é também um profundo conhecedor da chamada “cultura de folhetim”, Martin adora deixar seus interlocutores espantados com sua sabedoria, mas é uma personagem que está longe de ser um pedante ou vaidoso acadêmico. Por um certo período viveu em um monastério tibetano, onde aprendeu diversos segredos esotéricos e ganhou o místico “terceiro olho”. Seus estudos e pesquisas seguem por caminhos costumeiramente esnobados e ridicularizados pela ciência oficial.

Quadrinhos e Conhecimento

Como já mencionado antes, as histórias de Mystère são altamente criativas, com temas que passeiam pela literatura, história, geografia, antropologia e sociologia. Cada episódio é fonte de informações dos mais variados tipos. Castelli é um ótimo contador de histórias e sua base é muito culta, com interesses em diversas áreas de conhecimento, sempre preocupado em detalhar fatos e acontecimentos dando suporte, credibilidade e fundamentação científica às histórias.

O ritmo da história torna-se lento, porém a trama nos mantém presos para saber o desfecho em cada edição. A maioria dos leitores acaba concluindo que a persistência vale a pena e a quantidade de conhecimento adquirido pela leitura de Martin Mystère é incrível.

No Brasil

A Editora Rio Gráfica foi a primeira a trazer Martin ao Brasil publicando treze números de 1986 a 1988. Em seguida veio a Record com dezessete números de 1990 a 1992, além de um crossover com Dylan Dog. Na Editora Globo, Martin apareceu no Especial Fumetti: O melhor dos quadrinhos italianos, em 1993.

O personagem foi publicado pela Editora Mythos de 2002 a 2006 em 42 números mensais. O formato foi o mesmo de Tex, menor.

Mystère foi publicado também nas seis edições de Tex e os Aventureiros, em 2005.

Conheça Nick Raider, um Tira da Pesada

 Dica de trilha para ouvir enquanto lê. Nada melhor pra combinar com Nick Raider do que a trilha de Um Tira da Pesada, com Eddie Murphy:

Esta é uma das séries mais divertidas da Bonelli. Nick Raider: Divisão de Homicídios. Claro, que pelos personagens investigarem homicídios ela mantém um tom mórbido e de violência, porém os personagens são muito bem construídos, personalidades fortes, divertidos e que nos puxam, leitores, a investigar e fazer parte da história com eles. A série retorna às bancas brasileiras em maio e merece aqui no Confraria um bom embasamento para leitores que virão a conhecer a série e aqueles que querem matar a saudade.

A série policial da Sergio Bonelli Editore, Nick Raider, foi criada por Claudio Nizzi (ao lado), famoso escritor de Tex e publicada de 1988 a 2005 em 200 números. Na grande maioria das capas há um contorno amarelo envolvendo a imagem principal. Este quadrinho mistura as atmosferas do thriller e romance policial com o noir. Nick Raider tem uma narrativa gráfica dinâmica, com elementos clássicos da narrativa policial e as tramas giram em torno de investigações bem detalhadas e desfechos com tiroteios e perseguições emocionantes.

Nizzi se inspirou no gênero policial que estava em alta na época e na série de romances do 87º Distrito, escrito por Ed McBain. Nizzi, que escreveu por anos Tex, levou um pouco da personalidade do herói do velho oeste para Nick Raider, que é um herói corajoso, habilidoso e sortudo, sempre tendo sucesso. É chamado de “O Tex de Nova York”.

Como em várias outras séries Bonelli, Nick Raider tem a aparência inspirada em um ator do cinema. Nick tem as feições do jovem Robert Mitchum (acima). Está sempre vestido com uma capa de chuva sobre os ombos e uma arma presa ao cinto.

O quadrinho estreou em 1988 publicado pela Daim Press (futura Sergio Bonelli Editore) e encerrou em janeiro de 2005 devido às baixas vendas. Além das 200 edições da série regular, foram publicados anuais desde 1989. De 1993 a 2004, Nick Raider ganhou um almanaque com histórias inéditas e artigos sobre o gênero policial.

Entre os autores que participaram da série estão, Gianfranco Manfredi, Michele Medda, Tito Faraci, Gino D’Antonio, e muitos outros. Desenharam a série Aldo Capitanio, Bruno Ramella, Ivo MIlazzo, Sergio Toppi e outras feras. Do nº 1 ao 43 as capas foram feitas por Giampiero Casertano e Bruno Ramella assumiu da nº 44 até 99. Da 100 até a 200, quem desenhou foi Corrado Mastantuono.

Quem é Nick Raider?

Raider é um investigador da Divisão de Homicídios de Nova York que, junto ao seu parceiro Marvin Brown investiga crimes de homicídio (claro) na Big Apple. O líder da Divisão é o tenente Arthur Rayan, que falha em controlar o gênio explosivo de Raider e defende a burocracia e o ostracismo de seu chefe, o capitão Vance, que Nick chama de “Oi Querida”, pois ele sempre está ao telefone com a esposa.

Não há vilões na série, pois cada história traz um caso a ser resolvido pela Divisão. A única força do mal que é recorrente é o chefão da máfia Luca Clementi, líder da organização criminosa Cruz Negra.

De origem italiana, o pai de Nick também foi policial, porém uma série de discussões fez ele se afastar de seu pai, principalmente pelo pai ter agravado as condições de saúde da mãe de Nick. Quando jovem Nick sai de casa e volta apenas quando o pai vem a falecer. A mãe é internada em um hospital psiquiátrico. Algumas experiências fazem com que Nick entenda melhor a figura do pai, recuperando o carinho por ele e o fazendo entrar na polícia para honrar a memória do pai.

Parceiros

Marvin Brown. Companheiro habitual do protagonista e inspirado em Eddie Murphy no filme Um Tira da Pesada. Pela época e pelas referências do início da década de 1990, vemos na relação de Nick e Marvin uma amizade, mas também várias brincadeiras racistas entre os dois. Marvin é um brincalhão e não chega a levar isso como ofensa.

Jimmy Garnet é um tímido investigador especializado em pesquisa e informática.

Alfie é um anão que sabe de tudo que acontece na cidade. É o principal informante de Nick e passa o dia jogando poker e jogos de azar em um bar.

Sargento Ward é um agente de serviço na central telefônica que passa o tempo contando piadas que não são engraçadas.

Dr. Bloom: um médico legista com senso de humor muito ligado ao assunto “cadáveres”.

Mary Ford: agente detetive com quem às vezes Nick tem aventuras românticas.

No Brasil

Nick Raider foi publicado primeiramente pela Editora Record, em formato original italiano em 1991. Durou apenas 10 edições e foi cancelada.

Dez anos depois a Editora Mythos publicou a série de agosto de 2002 a fevereiro de 2004 também com vida curta. Apenas 16 edições.

Tanto na Record quanto na Mythos respeitou-se a maneira das capas com os contornos amarelos nas bordas. A Mythos fez algumas em branco.

Em maio Nick Raider volta às bancas brasileiras mais uma vez pela Editora Mythos. Estão programadas quatro edições para este ano, com 96 páginas cada uma em formato original italiano.

Que os leitores conheçam e gostem bastante. É uma série que vale muito a pena!

Viva Bonelli!

 

Vamos falar de Ken Parker

Segue uma dica de trilha para escutar enquanto lê. Esta faz parte do filme Jeremiah Johnson (Mais forte que a vingança), filme que foi uma das principais inspirações para Ken Parker:

Ken Parker provavelmente pode ser considerada uma obra-prima. Todos que conhecem este grande trabalho de Giancarlo Berardi (à direita) e Ivo Milazzo (à esquerda na imagem ao lado) se apaixonam. É um faroeste diferente, um personagem cativante e a principal qualidade é que se trata de histórias humanas, com falhas, acertos, tragédias, vitórias… tudo que qualquer pessoa passa na vida.

Criado em 1974 para uma edição especial da coleção de faroeste Collana Rodeo, Ken Parker logo agradou a nada menos que Sergio Bonelli e este transformou em série regular. A primeira edição chega às bancas italianas em junho de 1977, publicado pela Editoriale Cepim (atual Sergio Bonelli Editore). Foram então 59 episódios até 1984 e algumas aventuras publicadas em revistas e edições especiais.

Seus temas densos falavam de violência, racismo e a busca pelo eu. Ken Parker é baseado no personagem Jeremiah Johnson, interpretado por Robert Redford no filme de 1972, “Mais Forte que a Vingança”. Filme incrível, recomendo fortemente. Berardi escreveu os 59 episódios da série original, com pontuais colaborações de Mantero, Castelli e Sclavi.

Os primeiros cinco episódios foram  desenhados por Ivo Millazo que também contou com diversos colaboradores,  os mais frequentes eram Alessandrini, Marrafa e Trevisan. Milazzo foi o autor de todas as belíssimas capas da série, obras de arte em aquarela.

Berardi e Milazzo criaram sua própria editora em 1989, a Parker Editore e republicaram os 59 episódios de Ken Parker. Batizada de Serie Oro, foram acrescentadas mais três edições que saíram na série Collana West, totalizando 62 álbuns. Em 1992 foi lançado Ken Parker Magazine, formato maior, 19,5 x 26 cm, a nova revista trazia aventuras inéditas, reportagens e trabalhos de outros ilustradores como Alex Toth. Depois da edição dupla 19/20 em 1994, a série passou a ser editada pela Sergio Bonelli e foi até o número 36 de 1996. A Bonelli lançou ainda quatro edições semestrais de Ken Parker Speciale entre 1996 e 1998, cada um com 180 páginas.

O Ken Parker

Berardi sempre diz que, “Ken Parker é um homem de hoje, com os problemas de hoje. Não tem nenhuma certeza, nenhuma segurança, vive dia após dia com seus próprios ideais, buscando ardente, desesperada, corajosa e dolorosamente ser coerente”. Seu apelido é Rifle Comprido devido ao seu arcaico fuzil Kentucky. Ele é um Trapper (caçador de peles), já foi batedor do exército, xerife, detetive, caçador de baleias, escritor…. Ele faz mil trabalhos no selvagem e violento mundo do velho oeste.

Parker nasceu em 20 de novembro de 1844 em Buffalo, Wyoming, tinha como pais Lucy e Jed Parker. Tinha também um irmão, Bill, que seria assassinado no primeiro número, o que motivaria o herói a caçar seus assassinos. Este acontecimento se dá em 29 de dezembro de 1868, o herói teria 24 anos. O curioso é que Parker nem sempre vencia seus obstáculos e, muitas vezes, ia até para a prisão. Esse lado humano é o que mais prevalece na série e estende-se aos coadjuvantes.

Ele é prático, realista, positivo e capaz de amar e se doar com generosidade. A singularidade do personagem o deixa bem distante de heróis como Tex e Zagor. Inclusive Sergio Bonelli sempre disse que seu personagem preferido de faroeste era Ken Parker.

De vida errante, Ken Parker teve vários acompanhantes de aventuras. Por um tempo, ele foi membro da tribo indígena Hunkpapa, quando se casou com Tecumseh, posteriormente morta em um ataque do exército americano. Theba, filho de Tecumseh (fruto de um casamento anterior) vive atualmente em Boston, com o nome de Teddy, e considera Rifle Comprido seu verdadeiro pai.

No Brasil

Em 1978 estreava Ken Parker pela Editora Vecchi. Em agosto de 1983, após 53 edições mensais sua publicação foi cancelada. Em janeiro de 1990 a Editora Best News retornou com o personagem mas publicou apenas duas edições equivalentes aos números 54 e 55, continuação da Vecchi.

Em 1994 a Editora Ensaio publicou um especial em formato grande com as histórias Os Cervos e Um Hálito de Gelo, esta extraída da série Collana West.

Em setembro de 2000 a Editora Mythos retomou a publicação regular da série, publicando até 2002 18 edições. Estas edições foram uma série extra que saiu na Itália após o término das 59 edições originais.

 

Veio então a Editora Tendência (hoje Tapejara) que em parceria com o CLUQ – Clube dos Quadrinhos relançou os 53 números da Vecchi, os dois da Best News e os últimos quatro números que faltavam e até aquele momento inéditos no Brasil. Esta coleção foi publicada inteiramente em formato italiano.

O Cluq lança em 2007 quatro histórias coloridas que se concluem em 2008. Em 2011 publica “Um Hálito de Gelo”, que havia sido publicada pela Editora Ensaio e em 2012, “Onde Morrem os Titãs”.

Em 2013, o Cluq inicia uma nova coleção publicando “Os Condenados”, história escrita por Berardi e Mantero, com arte de Pasquale Frisenda e Laura Zuccheri, capa de Ivo Milazzo. Depois publica, “Nos Tempos do Pony Express”, produzida pelos criadores originais. Em 2014 “As Aventuras de Teddy Parker”, escrita por Berardi e ilustrada por Giorgio Trevisan. Em 2015 inicia a publicação de Ken Parker Magazine, cuja última edição, a n.9 data de dezembro de 2016.

Para conseguir as edições de Ken Parker no Brasil é um martírio. As edições do Cluq são caríssimas por terem bom acabamento e tiragem reduzida. As da Vecchi já não se encontram todas em boas condições de leitura. E as mais fáceis de se achar e com bons preços são as da Mythos.

Viva Bonelli!

Conhecendo Nathan Never

Segue uma dica de trilha sonora pra você escutar enquanto lê. Aperte o Play:

Estamos em 2018, a justiça continua um caos, o mundo está de pernas pro ar e uma das maiores novidades é o retorno de Nathan Never às bancas brasileiras. A Editora Mythos anunciou para maio, Nathan Never n.1, primeira de quatro edições programadas para este ano. A passagem de Nathan pelo país sempre foi tumultuada, então vale aqui um texto introdutório para os fãs que querem conhecer mais esta grande obra Bonelli.

Vamos voltar para o ano de 1991, quando Nathan Never foi criado por Antonio Serra, Bebi Vigna e Michelle Medda. O idealizador gráfico de Nathan Never foi o romano Claudio Castellini. Com um traço fortemente influenciado por John Buscema e Neal Adams, fez as capas até o número 59 e desenhou a primeira história e a hq curta “Luna”. Depois assumiu Roberto De Angelis, com um traço de fortes elementos cyberpunk.

Os atores Harrison Ford, Mickey Rourke e Clint Eastwood serviram de modelo para a elaboração das feições de Nathan Never. O policial Rick Deckard, de “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (1982), interpretado por Ford, também é uma influência marcante no personagem.

De 1991 pulamos para o século XXII, mais exatamente para o ano 2105, período este onde se desenrolam as aventuras de Nathan Never em um mundo profundamente modificado geograficamente devido às terríveis catástrofes de 2024. Nathan é cidadão de uma megalópole destruída, localizada na costa oriental dos ex-EUA.

Nascido na bucólica cidade de Gadalas, Nathan ficou órfão por culpa da Yakuza, a máfia japonesa. Ao fim de sua adolescência, alistou-se na Infantaria Espacial e durante este período conheceu sua futura esposa, Laura Lorring. Ao retornar à Terra após completar o serviço militar, ele entrou para a polícia e um ano depois nasceu a filha do casal Ann.

Como sargento, Never se destacou como melhor policial de sua unidade, mas a obsessão pelo trabalho o tornou egoísta. Seu casamento entrou em crise devido à constantes discussões, e Nathan se envolveu com a Procuradora Distrital Sarah McBain. Depois de um destes encontros Nathan recebe a notícia que sua esposa havia sido assassinada pelo criminoso Ned Mace e sua filha foi raptada pelo mesmo. Ann é libertada meses depois, mas a terrível experiência mergulhou a garota em um estado de autismo e ela é internada no sanatório Sinclair Asylum.

Nathan se sentiu profundamente culpado por não estar com sua família quando elas mais precisavam, a ponto de seus cabelos ficarem brancos prematuramente. Ele refugiou-se na estação orbital Tersicore, onde aprendeu a arte marcial Jett Kune Do (estilo de Bruce Lee), tornando-se um mestre Shaolin. Anos depois, o empresário Edward Reiser propôs que Nathan fizesse parte de sua agência de segurança privada, a Agência Alfa. Ele aceita para somente poder pagar o tratamento que iria curar sua filha.

Melancólico e solitário, Nathan Never dedica-se ao máximo ao seu trabalho e coleciona livros e discos como lembranças de uma época que não viveu.

Mundo

O Agente Especial Alfa vive na Cidade Leste, megalópole da costa oriental da América do Norte (mesmo local de Nova York). Os Estados Unidos não existem mais pois o país foi fragmentado em cidades-estado.

A cidade é um emaranhado de arranha-céus luminosos e enormes edifícios metálicos, telões gigantes, veículos voadores, estruturas entrecortadas por estradas. Tudo lembra muito Blade Runner.

Entre seus parceiros está Rebecca “Legs” Weaver (ao lado), personagem inspirada em Sigourney Weaver dos filmes Alien. Dura, violenta, sarcástica e letal. Ganhou série própria na Bonelli em 1995. A Agente Especial é especialista em armas pesadas, artes marciais e explosivos de qualquer tipo. Amiga e colega de Nathan, foi a primeira pessoa recrutada por Reiser para a Agência Alfa.

Temos também Sigmund ‘Siggy’ Baginov. Polonês, especialista em informática avançada, ciberespaço e dispositivos bélicos computadorizados. Tem a característica peculiar de gaguejar quando se comunica com as pessoas, mas não quando fala com máquinas.

Edward Reiser é o chefe da Agência Alfa, com quem Nathan vive discutindo. Pragmático, exige resultados de seus agentes.

As irmãs May e April Frayn trabalhavam com o pai, Donald Frayn, roubando obras de arte. Deixaram esta atividade e se juntaram à Agência Alfa. Compõem ainda os personagens o cínico Andy Havilland, o agente Jack O’Ryan, o negro Al Goodman e a recepcionista da Agência Alfa, Janine Spengler.

O grande inimigo de Nathan Never é o líder da “Seita da Divina Presença”, Aristotele Skotos (ao lado). Sob a fachada de profeta, ele comanda uma vasta organização criminosa, auxiliado por seu filho, o perverso Kal Skotos.

Hoje Nathan Never está no número 321 e é a terceira série da Bonelli mais vendida na Itália, perdendo apenas para Tex e Dylan Dog.

No Brasil

Apenas cinco meses depois de sua estreia na Itália chegava no Brasil, pela Editora Globo a primeira edição de Nathan Never. Em um formato e qualidade idênticos ao original italiano e seguindo a ordem cronológica italiana. Foi até a oitava edição e encerrou em 1992.

Apareceu na história “Luna” do especial “Fumetti – O Melhor dos Quadrinhos Italianos”, da Globo em 1993.

Em fevereiro de 2005 a Editora Mythos ensaiou a volta do personagem na edição “Seleção Bonelli Comics: Tex e os Aventureiros”, porém devido à problemas contratuais, o personagem apareceu apenas na primeira edição.

A Ediouro já havia firmado acordo para publicar Nathan Never. Editora esta que até então só publicava palavras cruzadas.

 

A Ediouro então lançou uma mini-série de Nathan Never em duas edições e ficou por isso mesmo.

Até que finalmente em 2018 vamos ver o retorno do Agente Especial Alfa às bancas.

Que faça sucesso este personagem tão rico e especial no mundo Bonelliano.

 

 

 

Viva Bonelli!

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