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Skript lançará Apocalipse e Napoleone

Na sexta-feira (16), Douglas Freitas da Skript Editora anunciou em uma live no instagram do Fora do Plástico mais dois Bonellis pela editora.

O primeiro anúncio na live foi Apocalipse – O Livro das Revelações de São João, escrito por Alfredo Castelli (Martin Mystère) com desenhos de Corrado Roi (Dylan Dog). Lançado em 2019, o volume tem 112 páginas com lançamento da campanha no Catarse pela Skript dia 31 de outubro, para ser entregue em dezembro.

Alfredo Castelli, pela primeira vez no mundo, escreve uma fiel transposição para os quadrinhos do último e mais visionário livro do Novo Testamento: O Apocalipse de João. Uma história visionária que junto ao traço de Corrado Roi encontrou uma representação eficaz e surpreendente. O Apocalipse é um dos textos mais enigmáticos da Bíblia, por muito tempo objeto de várias interpretações por inúmeros estudiosos e críticos devido à sua natureza às vezes polêmica e de difícil compreensão.

Castelli com seu talento e inegável coragem, ao transpor para os quadrinhos o livro bíblico, obviamente indica que não deve ser entendido como uma adaptação na íntegra, mas sim como um resumo por parte dele com o intuito de condensar o texto em vários pontos, de forma a permitir a qualquer pessoa apreender os aspectos fundamentais sem se encontrar perante algo exageradamente elitista e com difícil entendimento.

Para ajudar o leitor a compreender melhor, tanto os traços característicos de Roi quanto textos no final do volume conseguem fornecer orientações capazes de contextualizar de uma forma satisfatória os principais pontos da narrativa. O Apocalipse é uma jornada dentro da alma humana e do que para cada um de nós representa o próprio conceito de fim – e também do inevitável novo começo – dado pela ressurreição no Cristianismo ou pela reencarnação em numerosas outras religiões.

Durante a história acompanhamos várias personalidades se perguntando inúmeras questões sobre o próprio significado do livro do Apocalipse. Figuras como Isaac Newton e até mesmo Alesteir Crowley. Castelli apresenta também interpretações por trás do fenômeno do Apocalipse, quase sempre recebido como uma catástrofe e tragédia, porém, omitindo o valor positivo vinculado ao recomeço das coisas. Castelli até mesmo dá importância ao simbolismo e à numerologia, falando no caso das figuras 777 e 666, protagonistas de sequências em que os vários personagens da história questionam seu real significado.

O traço de Corrado Roi está magnífico e em grande forma. Seus desenhos conseguem realçar personagens humanos e criaturas monstruosas. Felizmente, Roi consegue retrabalhar um imaginário tremendamente difícil e enigmático dando vida a uma série de quadros com uma forte impressão onírica, inquietante, surreal e às vezes majestosa.

A obra é incrivelmente bem feita apesar da complexidade de seu material original, ainda hoje no centro de debates contínuos sobre qual é a interpretação mais correta e exaustiva possível.

E o segundo lançamento é a estreia de Napoleone no Brasil: Napoleone – Oltre i confini delle sfere stellate. Volume com cerca de 304 páginas com história e arte de Carlo Ambrosini, criador do personagem. Napoleone encerrou a série regular em 2006 na edição 54 e Ambrosini trouxe neste especial três histórias da série regular que em breve será publicado pela Skript.

Dividido entre o cotidiano noir e poético, este volume reúne três das principais aventuras da série (#1, #4 e #25), escolhidas entre aquelas inteiramente feitas pelo seu criador, Carlo Ambrosini, tanto nos textos quanto nos desenhos. O volume é enriquecido por desenhos e ilustrações inéditos e por um texto do próprio Ambrosini que fala sobre “seu” Napoleone.

Dividido entre o cotidiano noir e poético, Napoleone Di Carlo é um ex-policial que após a dramática morte de sua família e uma amarga decepção profissional, vai administrar um hotel em Genebra. Lá, ele é constantemente solicitado para ajudar a polícia local em investigações. Napoleone convive com uma profunda anomalia: elementos psíquicos produzidos por sua imaginação, e visíveis apenas para ele, interagem sem sua percepção da realidade cotidiana, dialogando com ele na forma de três bizarras estatuetas, chamadas Lucrezia, Caliendo e Scintillone.

Para saber mais sobre o personagem, acesse esta matéria especial da Confraria Bonelli acessando este link: https://confrariabonelli.org/?p=3098

O lançamento da campanha no Catarse é previsto para janeiro de 2022 com entrega programada para Março.

Todos os volumes que a Skript planeja publicar da Sergio Bonelli Editore serão no tamanho: 20x28cm. Um pouco maiores que os volumes publicados pela Trem Fantasma (19x26cm) e Chanbara da Panini Comics (18,5 x 26).

A Skript já havia anunciado também duas edições que fazem parte da coleção Le Storie:

LAVENNDER (Speciale Le Storie 4) – Umas férias no paraíso, nas águas cristalinas do oceano. Uma ilha perfeita, não contaminada, deserta … ou não? Por trás dessa fachada idílica, neste cenário de cartão-postal, os jovens Gwen e Aaron vislumbram algo inquieto e misterioso. Algo que se move entre a folhagem, no meio da mata. E parece estar espionando-os. Há mais alguém com eles naquele lugar remoto? Um thriller de tirar o fôlego escrito, desenhado e colorido por Giacomo Keison Bevilacqua, o autor de “A Panda gosta” e “O som do mundo de cor”, em sua primeira experiência Bonelli.

Saiba mais sobre Lavvender em matéria especial da Confraria Bonelli, AQUI. Lançamento da campanha no Catarse prevista para dia 08 de agosto.

O FATOR Z (Le Storie 27) – Nova York, hoje. Os sinais agora são evidentes, a praga invisível está se espalhando e o apocalipse está próximo: os mortos ressuscitam do sono eterno, com fome de carne humana! Para a jovem Helen, isolada em uma Manhattan fantasmagórica, escapar de suas garras terríveis será como passar pelo inferno! Com roteiro Giovanni Gualdoni, desenhos de Marco Bianchini e Capa de Aldo Di Gennaro.

Lançamento para campanha no Catarse prevista para dia 17 de outubro.

O lançamento das campanhas de Lavvender e O Fator Z serão realizadas em live com a Confraria Bonelli. Em breve mais informações.

Napoleone – Uma estranha aventura da Bonelli

1ª edição de Napoleone

Quando lançado em 1997, Napoleone não recebeu toda a publicidade que os quadrinhos da Bonelli geralmente recebiam em seus lançamentos. Foi algo destinado a um nicho de leitores, que acabou se revelando menor do que se esperava, findando assim, em 2006, uma publicação que não merecia ter sido encerrada.

Carlo Ambrosini criou todas as características do personagem, incluindo sua aparência que lembra muito, no início pelo menos, de Marlon Brando em O último Tango em Paris. Napoleone se revela um thriller/noir introspectivo e psicológico, cheio de conteúdos e referências culturais, para apaixonar o leitor ou abandoná-lo após algumas páginas. Em consenso, era algo que não parecia pertencer à Bonelli.

Marlon Brando em O Último Tango em Paris serviu de referência visual à Napoleone.

Um dos fatores mais estranhos de Napoleone é ele se passar na Suíça, precisamente em Genebra. Ambrosini comenta que, “originalmente, o cenário deveria ser Milão, minha cidade. Eu tinha localizado o Hotel Astrid, uma pensão da qual Napoleone é proprietário, na Via Paolo Sarpi: a Chinatown milanesa. Lamento por não ter feito em Milão, porque, sem dúvida, eu poderia ter feito muito mais coisas com facilidade. Porém, a preocupação de que houvesse um realismo topográfico pudesse comprometer negativamente o protagonista. O exilamos na Suíça, em Genebra, cidade da qual pouco conheço e que creio que o nosso público também pouco sabe. A cidade suíça, no entanto é só um pretexto, pois certamente os elementos narrativos de Napoleone o leva a explorar os mais variados lugares”.

O Personagem

Napoleone Di Carlo, nasceu em Addis Ababa, na Etiópia, após a Segunda Guerra Mundial. Filho de pai italiano e mãe francesa, que “deu-lhe uma educação ocidental (fazendo-o estudar em uma escola italiana). Mas o jovem Napoleone, ao mesmo tempo, assimilou a cultura mais arcaica, impregnada de animismo e espiritualidade primitiva, do país africano em que cresceu e pelo qual se sente fortemente atraído.

Para entender melhor, o animismo abrange a crença de que não há separação entre o mundo espiritual e o mundo físico e de que existem almas ou espíritos, não só em seres humanos, mas também em animais, plantas, rochas, montanhas ou rios, etc.

Napoleone é um solitário, dedicado à leitura e entomologia (que estuda os insetos), em particular aos besouros. É o oposto do homem clássico de ação. Prefere a reflexão, introspecção, análise, atende a dúvida antes de qualquer certeza. É uma pessoa muito racional, e é por ser racional que é extremamente lúcido, dando motivos para que dois coadjuvantes da série recorram com frequência a ele, o Inspetor Dumas e o Inspetor Adjunto Boulet, que envolvem Napoleone em casos complicados da polícia suíça.

Napoleone tornou-se policial, mas seu entusiasmo pela profissão se exauriu com o fracasso na captura de um criminoso que, disfarçado de empresário credenciado na embaixada italiana, praticava o comércio de escravos. Agora, ex-policial, no início da série, Napoleone tem 35 anos, e o vemos decidido a dirigir, principalmente no período noturno, seu albergue, o Astrid Hotel, ajudado pela Sra. Simenon.

A relação entre investigação policial e o mundo onírico

A série Napoleone tinha a intenção de ser algo do gênero giallo (policial) e noir, ao estilo do diretor Alfred Hitchcock (Psicose) e do escritor Raymond Chandler (O Longo Adeus). No entanto, isso é só um pano de fundo para as investigações especiais de Napoleone. Na verdade, ele experimenta uma profunda anomalia: elementos psíquicos produzidos por sua imaginação, e visíveis apenas para ele, interagem sem sua percepção da realidade cotidiana, dialogando com ele na forma de três bizarras estatuetas, chamadas Lucrezia, Caliendo e Scintillone.

Lucrezia é uma ninfa que afirma e representa a sensibilidade feminina. Uma espécie de Sininho, do Peter Pan, com direito a relação ciumenta que ela tem com o protagonista; Caliendo é um mordomo pedante e normativo; Scintillone é um pequeno tolo, intolerante com regras e disciplina. Tem uma forma estranha de um peixe ou anfíbio.

Estes três elementos são para Napoleone a confirmação da existência de um mundo diferente do físico, que acabam interferindo no mundo físico, às vezes subvertendo radicalmente o julgamento das situações. Na sucessão dos acontecimentos do dia-a-dia, assim como nos acontecimentos da história, o acaso desempenha um papel determinante.

Durante suas aventuras, Napoleone está em contínua interconexão com o mundo real e um lugar situado fora do tempo e do espaço, onde vivem todas as “figuras” produzidas pela imaginação humana ao longo dos séculos, do Minotauro a Pinóquio… Lá, sonhos, pesadelos, fantasias, delírios e assim por diante coexistem lado a lado, esperando que seus legítimos produtores humanos os solicitem.

No lugar fora do espaço e do tempo, Napoleone é acompanhado por um cavalo falante, filósofo e estudioso que ostenta um sotaque bolonhês improvável. Onde fica este lugar? A legenda que acompanha a mudança de cenário sempre diz “acima dos lagos, dos vales, das montanhas, dos bosques, das nuvens, dos mares, além do sol, do éter e dos limites das esferas estreladas”, como se fosse um endereço, uma espécie de “segunda estrela à direita e depois direto até a manhã”, como em Peter Pan.

Apesar disso, as aventuras que Ambrosini nos contou ao longo de quase nove anos puderam abranger os mais variados registros narrativos: desde investigações tradicionais a casos intrincados mas com inimigos convencionais (máfia russa, traficantes de arte, drogas ou o misterioso arqui-inimigo Cardeal) para lutas com entidades fantásticas e aparentemente irreais como as Harpias, as Sereias, Belerofonte, o Deus Pã, o conde Drácula, o ator James Cagney, xamãs africanos. Tudo isso muitas vezes com a presença leve e simpática da coadjuvante, a adolescente Allegra, órfã que está sob a tutela de Napoleone.

Com o número 54 e com a morte do odiado Cardeal, terminaram as aventuras de Napoleone. Uma série que deixou saudades na Itália, uma das melhores produções já realizadas pela Bonelli em se tratando de qualidade, originalidade e análise aprofundada.

O time de Ambrosini

A escrita de Ambrosini é dotada de uma imaginação e criatividade assustadora e por sorte, foi acompanhado por desenhistas incríveis, mas muito diferentes uns dos outros. Carlo Ambrosini cresceu artisticamente em um período em que a experimentação era imprescindível. Suas primeiras experiências como autor completo viram luz no que pode ser definido como o crepúsculo dos quadrinhos de autor, em que a referência eram autores do calibre de Guido Buzzelli, Sergio Toppi, Guido Crepax e Dino Battaglia.

Ambrosini desenhou sete edições de Ken Parker, em 1987 estreou em Dylan Dog, em 1997 criou Napoleone e em 2008 realizou a minissérie Jan Dix. Ambrosini desenhou o Tex Gigante 19 – O Preço da Vingança e hoje, está no time de desenhistas de Dylan Dog.

Ambrosini desenhou todas as capas e escreveu a maioria das histórias de Napoleone. Outros roteiristas são Diego Cajelli, Paolo Bacilieri e Alberto Ostini. Entre os desenhistas, além do próprio Ambrosini, está Baclilieri, Marco Nizzoli, Giulio Camagni, Gabriele Ornigotti e Pasquale Del Vecchio

Destaque especial a Paolo Bacilieri cuja obra autoral, Fun, foi recentemente publicada no Brasil pela Editora Veneta.

A ideia original era que a série terminasse em 8 números. Porém, devido a dedicação que o grupo de artistas deram, apoiando Ambrosini na criação das primeiras edições convenceu a Segio Bonelli Editore a prolongar sua vida editorial. Mas, as vendas não foram encorajadoras. A série terminou em julho de 2006 no número 54, em uma edição onde Napoleone enfrenta seu arqui-inimigo, o Cardeal, para decidirem o destino da humanidade.

Em 2014 Napoleone dá as caras em um crossover com Dylan Dog na edição Color Fest n.12. A história intitulada Buggy é escrita por Ambrosini com desenhos de Paolo Bacilieri e cores de Erika Bendazzoli.

Em 2016, na Lucca Comics & Games, Ambrosini fez uma prévia do volume “Napoleone: Além das fronteiras das esferas estreladas”, com a proposta de trazer três das melhores histórias escritas e desenhadas por ele mesmo, na série regular. O volume foi publicado em 30 de novembro de 2016. Em outubro do mesmo ano, foram anunciadas três histórias inéditas, escritas por Ambrosini com a colaboração de Bacilieri e Giulio Camagni que foram publicadas em três números de Le Storie, a partir de junho de 2019. Números 81, 82 e 83. Uma delas inclusive, se passa em São Paulo.

Le Storie #81, é a primeira parte de uma trilogia que marca o retorno de Napoleone. O personagem parece fisicamente envelhecido, pois o tempo passou para ele e para os leitores. O agente Boulet amadureceu e Allegra é uma jovem prestes a se abrir para a vida.

Estamos aqui em um momento delicado da vida de Allegra e Napoleone, que está com ciúmes e com preocupações normais de um pai, dividido entre o desejo de proteção e a necessidade de libertar a menina para voar com as próprias asas.

Em Le Storie #82, Napoleão 2 – Sra. Robinson, com roteiro de Ambrosini e arte de Paolo Bacilieri. Numa clínica para idosos, destruída por um incêndio, o mal reaparece numa das suas formas mais assustadoras. A relação de Napoleone com Allegra se complica, a garota, nos braços de um artista viciado em morfina, parece se perder perigosamente, sendo relegada ao papel de testemunha indefesa.

Le Storie #83, Napoleone 3 – O inferno no Céu, roteiro de Ambrosini e desenhos de Giulio Camagni. Em São Paulo, na miséria de uma favela, jovens caem como moscas, ceifados por uma nova e poderosa droga alucinógena. Tudo parece pior pela sombra do mais temível inimigo de Napoleone, o retorno do Cardeal. Napoleone cruza o Atlântico em sua caça.

Capa da última edição de Napoleone. n. 54

Obra com somente roteiros e artes de Paolo Bacilieri, autor de Fun. Foi publicado pela Rizzoli & Lizzard.

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