Vamos falar de Ken Parker

Segue uma dica de trilha para escutar enquanto lê. Esta faz parte do filme Jeremiah Johnson (Mais forte que a vingança), filme que foi uma das principais inspirações para Ken Parker:

Ken Parker provavelmente pode ser considerada uma obra-prima. Todos que conhecem este grande trabalho de Giancarlo Berardi (à direita) e Ivo Milazzo (à esquerda na imagem ao lado) se apaixonam. É um faroeste diferente, um personagem cativante e a principal qualidade é que se trata de histórias humanas, com falhas, acertos, tragédias, vitórias… tudo que qualquer pessoa passa na vida.

Criado em 1974 para uma edição especial da coleção de faroeste Collana Rodeo, Ken Parker logo agradou a nada menos que Sergio Bonelli e este transformou em série regular. A primeira edição chega às bancas italianas em junho de 1977, publicado pela Editoriale Cepim (atual Sergio Bonelli Editore). Foram então 59 episódios até 1984 e algumas aventuras publicadas em revistas e edições especiais.

Seus temas densos falavam de violência, racismo e a busca pelo eu. Ken Parker é baseado no personagem Jeremiah Johnson, interpretado por Robert Redford no filme de 1972, “Mais Forte que a Vingança”. Filme incrível, recomendo fortemente. Berardi escreveu os 59 episódios da série original, com pontuais colaborações de Mantero, Castelli e Sclavi.

Os primeiros cinco episódios foram  desenhados por Ivo Millazo que também contou com diversos colaboradores,  os mais frequentes eram Alessandrini, Marrafa e Trevisan. Milazzo foi o autor de todas as belíssimas capas da série, obras de arte em aquarela.

Berardi e Milazzo criaram sua própria editora em 1989, a Parker Editore e republicaram os 59 episódios de Ken Parker. Batizada de Serie Oro, foram acrescentadas mais três edições que saíram na série Collana West, totalizando 62 álbuns. Em 1992 foi lançado Ken Parker Magazine, formato maior, 19,5 x 26 cm, a nova revista trazia aventuras inéditas, reportagens e trabalhos de outros ilustradores como Alex Toth. Depois da edição dupla 19/20 em 1994, a série passou a ser editada pela Sergio Bonelli e foi até o número 36 de 1996. A Bonelli lançou ainda quatro edições semestrais de Ken Parker Speciale entre 1996 e 1998, cada um com 180 páginas.

O Ken Parker

Berardi sempre diz que, “Ken Parker é um homem de hoje, com os problemas de hoje. Não tem nenhuma certeza, nenhuma segurança, vive dia após dia com seus próprios ideais, buscando ardente, desesperada, corajosa e dolorosamente ser coerente”. Seu apelido é Rifle Comprido devido ao seu arcaico fuzil Kentucky. Ele é um Trapper (caçador de peles), já foi batedor do exército, xerife, detetive, caçador de baleias, escritor…. Ele faz mil trabalhos no selvagem e violento mundo do velho oeste.

Parker nasceu em 20 de novembro de 1844 em Buffalo, Wyoming, tinha como pais Lucy e Jed Parker. Tinha também um irmão, Bill, que seria assassinado no primeiro número, o que motivaria o herói a caçar seus assassinos. Este acontecimento se dá em 29 de dezembro de 1868, o herói teria 24 anos. O curioso é que Parker nem sempre vencia seus obstáculos e, muitas vezes, ia até para a prisão. Esse lado humano é o que mais prevalece na série e estende-se aos coadjuvantes.

Ele é prático, realista, positivo e capaz de amar e se doar com generosidade. A singularidade do personagem o deixa bem distante de heróis como Tex e Zagor. Inclusive Sergio Bonelli sempre disse que seu personagem preferido de faroeste era Ken Parker.

De vida errante, Ken Parker teve vários acompanhantes de aventuras. Por um tempo, ele foi membro da tribo indígena Hunkpapa, quando se casou com Tecumseh, posteriormente morta em um ataque do exército americano. Theba, filho de Tecumseh (fruto de um casamento anterior) vive atualmente em Boston, com o nome de Teddy, e considera Rifle Comprido seu verdadeiro pai.

No Brasil

Em 1978 estreava Ken Parker pela Editora Vecchi. Em agosto de 1983, após 53 edições mensais sua publicação foi cancelada. Em janeiro de 1990 a Editora Best News retornou com o personagem mas publicou apenas duas edições equivalentes aos números 54 e 55, continuação da Vecchi.

Em 1994 a Editora Ensaio publicou um especial em formato grande com as histórias Os Cervos e Um Hálito de Gelo, esta extraída da série Collana West.

Em setembro de 2000 a Editora Mythos retomou a publicação regular da série, publicando até 2002 18 edições. Estas edições foram uma série extra que saiu na Itália após o término das 59 edições originais.

 

Veio então a Editora Tendência (hoje Tapejara) que em parceria com o CLUQ – Clube dos Quadrinhos relançou os 53 números da Vecchi, os dois da Best News e os últimos quatro números que faltavam e até aquele momento inéditos no Brasil. Esta coleção foi publicada inteiramente em formato italiano.

O Cluq lança em 2007 quatro histórias coloridas que se concluem em 2008. Em 2011 publica “Um Hálito de Gelo”, que havia sido publicada pela Editora Ensaio e em 2012, “Onde Morrem os Titãs”.

Em 2013, o Cluq inicia uma nova coleção publicando “Os Condenados”, história escrita por Berardi e Mantero, com arte de Pasquale Frisenda e Laura Zuccheri, capa de Ivo Milazzo. Depois publica, “Nos Tempos do Pony Express”, produzida pelos criadores originais. Em 2014 “As Aventuras de Teddy Parker”, escrita por Berardi e ilustrada por Giorgio Trevisan. Em 2015 inicia a publicação de Ken Parker Magazine, cuja última edição, a n.9 data de dezembro de 2016.

Para conseguir as edições de Ken Parker no Brasil é um martírio. As edições do Cluq são caríssimas por terem bom acabamento e tiragem reduzida. As da Vecchi já não se encontram todas em boas condições de leitura. E as mais fáceis de se achar e com bons preços são as da Mythos.

Viva Bonelli!

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  1. João Gonçalves

    Ótima matéria, para os interessados, tenho uma coleção completa do Cluq a venda e mais alguns adicionais. Contato por meio do e-mail joaobatistta@gmail.com, obrigado.

  2. SILVIO RAIMUNDO DA SILVA

    Maravilha de matéria!
    Eu comecei a ler HQs por conta do meu Pai, ele me trouxe primeiro Disney (quebrei a regra de todo brasileirinho iniciar on Turma da Mônica) , em seguida TEX, então, Tex é meu Pai. Mas, KP eu descobri sozinho quando nos primeiros anos da minha vida adulta reencontrei os formatinhos da Vecchi – que eu e meu Pai não havíamos gostado por ser diferente de Tex – numa banca de usados da cidade, pronto, fui transportado para a vida real em quadrinhos. Conheci um cara que sofria, que errava, que carecia, mas que acima de tudo se doava com todo o seu coração, um ser humano na acepção da palavra. Me identifiquei, me encontrei naquele personagem, que apesar de tudo, está sempre tentando acertar. E eu é que o encontrou (ou ele a mim) não foi o meu Pai, aquilo era meu. Hj tenho toda a coleção italiana da Panini, alguns volumes da Mondadori, uma penca de especiais italianos, brasileiros e espanhóis, formatinhos da Vecchi, da Best News… Enfim, Ken faz parte da minha vida há muito tempo, é um grande Amigo que, vez por outra eu recorro, como agora estou relendo…

    Abraços,

    Sílvio Introvabili

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