Tag: berardi

Mythos descontinuará série formatinho de Júlia

Live no canal Cangaceiro HQ.

A Editora Mythos através de sua Gerente de Marketing Joana Rosa Russo revelou que a editora iniciará testes de conversão do formatinho para o formato italiano em suas edições, começando por Júlia.

Na live no Instagram do Cangaceiro HQ (Jefferson Ribeiro), realizada no último sábado (4), que contou com a presença da fã e colecionadora Talyta Vargas e Marcelo Presto, do Canal do Presto, Joana também foi convidada e trouxe várias novidades para a personagem.

Júlia hoje conta com três publicações em andamento pela Mythos. J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga, em formatinho e papel jornal, que chega à edição 154 com a edição já em pré-venda no site da Mythos. Júlia – Edição Limitada, em formato italiano e papel offset que é lançada de cinco em cinco edições, e em outubro serão lançadas as edições 21 a 25. E Júlia Graphic Novel, em formato maior, capa dura, colorida, papel couché que está na segunda edição.

Última edição de J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga.

Joana revelou que a edição 155 de J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga, que seria lançada final do ano e contaria com as edições 200 e 201 italianas, já que esta edição traz duas histórias, não será publicada. “Pela primeira vez a gente (Mythos) vai começar a migrar a conversão de formato. A gente vai zerar a numeração na 200, trazendo uma edição colorida em formato italiano e vai mandar pra banca. Ela vai voltar a ser uma história por vez e se chamar Júlia”, revelou Joana na live.

E complementou, “a ideia é que Júlia seja o primeiro volante de teste para banca de uma conversão de formato, para mais adiante a gente poder estudar isso para outras séries Bonelli”, ou seja, se tudo der certo fazer isso com Tex no futuro, que ainda é publicado em formatinho e papel jornal em várias de suas coleções e só é publicado em formato italiano em edições On Demand, com baixa tiragem.

Edições centenárias coloridas

A editora Sergio Bonelli costuma lançar seus números centenários a cores, por isso esta primeira edição de Júlia nova série da Mythos será colorida, pois corresponde ao número 200. Uma edição muito comemorada na época de seu lançamento na Itália, em 2015. Júlia foi lançada em 1998 e oito anos depois comemorou seu centenário com a edição especial colorida com a história “Clowns” (Palhaços).

Capa italiana de Júlia 200.

Giancarlo Berardi, criador de Júlia, comenta que Julia Kendall é a “investigadora da alma”.  “Entre criminologia e a psicanálise, uma pessoa, mais do que um personagem, cuja aparência, ao mesmo tempo meiga e aristocrática, foi inspirada na atriz de cinema Audrey Hepburn. Quando apresentei o projeto ao Sérgio (Bonelli), que após horas de conversas cara a cara em seu escritório, me disse: “Não entendi muito, mas confio em você. Continue”. Um grande elogio, mas também uma grande responsabilidade. Hoje eu adoraria que ele estivesse aqui conosco para celebrar a edição ducentésima da série”, destacou Berardi à época do lançamento do número 200.

A edição 200 traz a história L’Immagine perduta (A imagem perdida), com roteiro de Berardi e Lorenzo Carla. Desenhos de Cristiano Spadoni e cores de Florean Arianna.

Um fotógrafo, Evlyn Wescott, ficou cego após um acidente em seu estúdio, no qual sua esposa perdeu a vida. Agora, algum tempo depois desse trágico acontecimento, Wescott é vítima de uma série de atentados contra sua vida, dos quais felizmente consegue salvar-se. Quando uma modelo com que havia trabalhado há muito tempo é morta, o fotógrafo acredita que o assassinato pode estar relacionado a uma foto de alguns anos atrás e pede a Julia para desvendar o caso…

Vídeo comemorativo com as 200 capas de Júlia

No Brasil, Júlia quase foi cancelada

Primeira edição de Júlia em formato italiano.

No Brasil, Julia correu o risco de ser cancelada duas vezes. A primeira vez em 2010, na edição 71, mas após uma campanha dos leitores ela continuou. Joana comenta que há um tempo atrás Julia estava correndo o risco de ser cancelada novamente, foi quando a editora resolveu relançar a personagem desde a número 1 em outubro de 2019 em formato italiano, de cinco em cinco edições.

Esta proposta foi um sucesso, muito bem aceita pelos leitores de Júlia e também por novos leitores. “Muita gente não tinha mais como encontrar as primeiras edições e muita gente não conhecia a personagem e não davam chance à ela por causa do formatinho. Muitos dos leitores até gostam do formatinho, mas ele está caindo em desuso, tanto por motivos comerciais, como por estar difícil achar o papel  da edição no mercado gráfico brasileiro”, disse Joana na live.

Ela comenta também que o aproveitamento de papel, quando comparado ao formato italiano não é mais efetivo, “as vendas já estavam baixas, e a venda nas bancas e livrarias estava em crise. Trouxemos uma versão teste, os cinco primeiros números de Julia, um sucesso absurdo, que continua sendo reimpresso”, destaca Joana e complementa, “percebemos que quando mudou o formato, deixando mais bonita a edição, muitas pessoas começaram também a comprar o formatinho. Tinha diferença de comportamento e preferência pessoal dos leitores por cada edição”.

Joana ressaltou que muitos leitores olhavam com preconceito para o formatinho, que hoje em dia vem na contramão do mercado de edições mais luxuosas e caras, “mas não é porque está no formatinho que é um formato descartável, o conteúdo tem muita qualidade”, comenta a Gerente de Marketing da Mythos.

Para saber mais sobre Júlia Kendall assista nossa Live especial sobre a personagem:

Bem vindos ao Tom’s Bar

Pode-se dizer que Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo criaram seu próprio universo. Claro, não tão grande e famoso como o de Walt Disney ou a dupla Stan Lee e Jack Kirby, mas sem sombra de dúvida com a mesma importância na história dos quadrinhos.

As histórias de Tommy Steele foram publicadas no Brasil pela Opera Graphica em 2002.

Neste universo criado pelos dois autores, a estrela mais brilhante, admirada e amada é Ken Parker. E em torno desta imensa estrela, vários planetas orbitam como o do menino guerreiro Tiki, o do detetive Marvin, o de Giuli Bai, o Homem das Filipinas, o planeta de Welcome to Springville e dos muitos contos que sempre pairam em torno da estrela-mãe.

E há também o Tom’s Bar, que aqui vou chamar carinhosamente de Bar do Tom.

As quatro histórias estreladas por Tommy Steele, o Tom, são as melhores que a dupla italiana conseguiu criar no período pós-Ken Parker. Quatro contos, que podem ser lidos em um tempo relativamente curto, mas que parecem durar uma eternidade.

Na Chicago dos anos 40, já vista em centenas de filmes de Hollywood, na qual Tommy Steele vive, um ex-gângster aposentado que gerenciam um Bar. Um lugar tranquilo onde você pode saborear bebidas e tomar café ouvindo um bom blues.

Para estragar a atmosfera amena de Tommy, há um tolo que se atreve a ficar pedindo dinheiro em troca de proteção, ou um amigo que lhe pede refúgio porque é procurado por uma gangue rival. No sossego de sua vida, como um homem vivido, Tommy sempre tenta complementar os poucos ganhos de seu Bar vendendo armas velhas para jovens em busca de problemas.

Embora ciente da sabedoria que sua vida agitada lhe deu, ele nunca se permite julgar ou dar conselhos: “… eu julgo as pessoas por sua face, não pelo que dizem.” Ele exclama com firmeza. E como todos os homens, ele também tem no coração as feridas deixadas por um amor impossível, Iris, a mulher de seu antigo patrão que sempre amou e que a encontra todos os anos no Natal, culpada de viver apenas a ilusão juvenil e ciente da triste realidade que a vida reservou para ele.

Berardi e Milazzo conseguem nos transmitir a nostalgia de outros tempos, o sentimento de culpa, amizade, traição e amor, construindo um personagem que infelizmente teve uma vida editorial muito curta e que teria merecido ser aprofundado como seu irmão mais velho, Ken Parker. Porque, acredite ou não, Tommy Steele não tem nada a invejar ao anti-herói loiro, na verdade, com apenas quatro contos, a dupla revolucionária conseguiu realizar um verdadeiro prodígio artístico, uma obra-prima que assume um caráter épico de grandes obras.

 

Berardi e Milazzo.

As palavras de Berardi soam com a mesma poesia e aspereza usadas por autores como Chandler (autor de Sono Eterno, 1943) e Hammet (criador do Falcão Maltês). Os desenhos de Milazzo são os mais bonitos que você poderia desejar de um artista. Sua Chicago, envolta em trevas  e imersa na neve, é uma obra-prima do impressionismo artístico onde poucos conseguem se igualar nos quadrinhos.

Tudo é perfeito no Bar do Tom.

É uma obra –prima.

CURIOSIDADE

A música que é o pano de fundo da primeira história, “Quase sempre” é a mítica “Stardust” do grande Hoagy Carmichel.

Você pode escutá-la aqui:

Para a cenografia do bar de Tom, Ivo Milazzo foi amplamente inspirado no bar frequentado por Ray Milland na obra-prima de Billy Wilder, The Lost Weekend (1945), chamado no Brasil de Farrapo Humano. Você pode assisti-lo AQUI.

Farrapo Humano (1945)

Atmosfera do bar totalmente inspirada neste filme.

As histórias de Tommy Steele foram publicadas no Brasil pela Opera Graphica em 2002. A edição continha 52 páginas no tamanho de 21x28cm. Nesta mesma coleção foram publicadas outras obras de Berardi e Millazo como Marvin – O Caso de Marion Colman, Contraste e Noturno.

Uma edição recomendada é a publicada na coleção Ken Parker Collection n.43, da Panini Comics Itália, que contém Tiki, já publicada no Brasil pela Quadro a Quadro em 2013, Tom’s Bar e Fantasticheria, ainda inédita no Brasil.

Abaixo um trecho animado da história “Lady be good”:

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén