Esta semana inauguramos uma nova  sessão de curiosidades! Complementando nossas postagens de “MiniBio”, que iniciaram hoje na fanpage do Facebook da Confraria, vamos de falar uma semana sobre Dampyr, a série de Boselli e Colombo que cativou inúmeros fãs na Itália e traz um roteiro bem diferenciado do que até então conhecíamos de Bonelli!

E a curiosidade já fica no nome: o personagem NÃO se chama Dampyr, ele apenas É um dampyr.

 

PANORAMA GERAL

Check List

Ação/Aventura10Titulo encerradoSim (APENAS NO BRASIL)
Romance6Número de publicações12
Suspense7TiragemMensal
Terror7Editora brasileiraEditora Mythos
Fantasia8Editora patronaSergio Bonelli Editore
Ficção históricaSimTitulo ativo na ItáliaSim nº210 - 09/2017
Público14+Crossover disponíveisSim
Conteúdo violentoViolência sugerida. Uso de armas. Cenas de ação intensa. Mortes.Quem lê Dampyr lê também...Dylan Dog e Martin Mystère (em sua maioria)

O Enredo 

Harlan Draka, protagonista da série, é, em tese, uma pessoa comum, até ele mesmo descobrir que não é bem assim que a história conta… Harlan é na verdade um criatura. De origem mestiça, nosso herói urbano é filho de pai vampiro e mãe humana, o que lhe concede certos “privilégios” para combater a guerra contra as ‘mil faces das forças do mal’, como os próprios criadores pontuam. O enredo pode ser aparentemente conhecido, mas a história vai bem além do que sabemos em termos de “historinhas de vampiros”. A série tem forte raiz no folclore do Leste Europeu, e uma de suas inúmeras crenças esbarra justamente da existências das criaturas intituladas dampyrs: um ser meio humano meio besta, fruto de uma relação entre vampiro e mulher.

O própio Julio Schneider o apresenta muito bem:

Harlan Draka, originário dos Bálcãs, é um Dampyr, e sua história começa no momento em que toma consciência de sua identidade e de sua missão, que é combater o mal sob todas as suas formas – seja sob as vestes de demônios, seja em papéis mais terrenos, como os abomináveis traficantes de drogas. Dotado de virtudes extraordinárias, cujo próprio sangue é veneno para os vampiros, Harlan decide tomar o partido dos homens na luta milenar contra a raça dos chupa-sangue. Sua missão o levará a encarar vários mestres da noite que governam a Terra, além de criaturas saídas das tradições populares, como espíritos, demônios, bruxas, etc. (texto extraído do portal TEXBr)

Embora Harlan, no início, embora pareça apenas um cara normal, seu sangue, literalmente, falará mais alto, já que ele é a única criatura que consegue limpar o mundo e matar os arquivampiros (ou os mestres da noite, que são vampiros superiores), além de suas cortes de não-mortos e as outras criaturas das trevas que infestam os diversos mundos que ele frequenta. Mas todos esses detalhes são descobertos “no susto”. Na verdade, a grande pegada da série que inclusive chama atenção dos leitores, é que, diferente de ter um roteiro já “pré-constituída”, Harlan descobre aos poucos sua história, sua descendência e no decorrer da leitura traça suas convicções de busca pelo bem. É como se o leitor participasse ativamente das descobertas e a cada uma delas se surpreendesse também -que fato, surpreende.

Surgimento

A história foi concebida inicialmente como uma minissérie que se integraria a revista Zona X publicada pela Sergio Bonelli Editore na Itália. Mauro Boselli e Maurizio Colombo criaram um personagem que representava a face do horror natural e sobrenatural. A história trazia, de um lado, diversas guerras humanas, tais como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra dos Balcãs, de outro, vampiros, lobisomens e toda uma série de seres místicos. Em verdade Dampyr, é a expressão da Bonelli na ficção histórica contemporânea com uma temática que sempre mexeu com o imaginário das pessoas. Mas o lançamento deu tão certo que Dampyr virou efetivamente uma série autônoma e ainda é publicado na Itália a todo vapor.

Outros detalhes

Mas ainda falando das origens, o título, com já sinalizamos, nasceu das espetaculares lendas do leste europeu, e foram um pouco além de só utilizar o conceito da criatura híbrida: a capacidade de andar sob o sol sem sofrer danos e o sangue tóxico para vampiros são conceitos muito mais ricos do que aqueles explorados (e até mesmo já muito batidos), pelo cinema hollywoodiano, como Julio S. já sinalizou. Harlan também tem a capacidade de absorver dos vampiros anciões seus poderes, mas, para variar, isso ele descobre, como já alertamos, na prática.

Logo nas primeiras edições, nosso ~quase~ vampiro é apresentado a duas figuras que, mais adiante, serão seus grandes amigos: Kurjak e Tesla.  Parceiros de Harlan, o modo como se tornam conhecidos é definitivamente o menos usual de todos. Kurjak tem sua aldeia e seus soldados mortos por um bando de vampiros a mando do maligno Gorka. Tesla Dubcek é uma vampira pura, mas foi transformada justamente pelo bando de Gorka, o que provoca a ira na garota. Não é necessário dizer que ela tem motivos mais que suficientes para se juntar ao bando em formação. Embora seja difícil a convivência, a história fica interessante 😉

Dampyr segue uma continuidade entre suas histórias. Você pode ler cada uma como única, mas em todas há entrelaçamento da trama. Assim como sua tradição já vista em Mister No, Martin Mysterè e Tex (Ouro, Platinum, Almanaque, por exemplo, tirando as regulares mensais e quinzenais em formatinho), a série é recheada de referências históricas e geográficas, que sabemos muito bem que os italianos da Bonelli são feras e mestres em construir os ambientes e enredos fiéis a inspiração.

Vale dizer que o herói tem as feições do ator Ralph Fiennes (de O Paciente Inglês e A Lista de Schindler e o Lenny Nero de Estranhos Prazeres, um dos filmes que Maurizio Colombo gostou “até não poder mais”), e há quem diga que também teria traços de Goran Bregovic, o grande músico e maestro (que, entre outras coisas, fez as trilhas sonoras de Arizona Dream-Um Sonho Americano, Vida Cigana e Rainha Margot e, em 2001, no Brasil, comandou o Concerto Para Casamentos e Funerais em Porto Alegre), segundo consta no prefácio de Julio publicado no TEXBr. E venhamos e convenhamos… É realmente a cara de Ralph:

Dampyr é também uma HQ de fôlego: a ação é ritmada durante toda a história e o  leitor terá a impressão de, literalmente, “jogar” o gibi. E não por acaso: a semelhança com o nome vai um pouco além: Harlan Draka e Nathan Drake (protagonista da série Uncharted, Naughty Dog, 2007) são geniosos, durões, e tem uma vida agitada cercada de pessoas que querem sua morte, sejam elas humanas ou não! Daí a referência fará sentido ao gamer que casualmente venha a ler a série. Mais que isso, as referências ainda ficam por conta da existência das classes de vampiros que vão desde as mais rasas até as de maior patente, como vemos em The Witcher 3 (CD Projekt Red, 2015), que inclusive obriga Geralt (protagonista), um bruxo, a utilizar diferentes poderes, bombas e óleos em sua espada de prata (sim, é medieval 🙂 ).

Quer saber mais?! Acompanhe nossa semana especial sobre Dampyr!