Muito prazer, Martin Mystère!

Ele completou trinta e cinco anos de publicação ininterrupta em 2017!

Pouco mudou nestas três décadas de vida. Continua enfrentando os mesmos homens de negro, ainda muito misteriosos. Continua sofrendo com ciúme louco de sua (eterna) noiva, uma mulher possessiva e sempre desconfiada de que suas aventuras envolvam muito mais que o gosto pelo mistério e o fascínio pelo desconhecido. Continua acompanhado de seu fiel amigo e assistente Java – um homem de Neanderthal com milhares de anos de idade, encontrado em um vale no Himalaia, com o qual começou sua primeira aventura nos quadrinhos e do qual muitas vezes dependeu para voltar em segurança pra sua casa e escritório, no número 3 da Washington Mews, em  Nova Iorque.

Propaganda de lançamento de MM na revista Fantasma Extra nº2

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No Brasil, Martin Mystére já teve 3 casas, chegou em 1986, pela RGE/Editora Globo, foi cancelado na edição # 13, dois anos depois. Em 1990, a Record passou a publicar a revista, dessa vez no formato original italiano, que foi  cancelada em 1992, depois 17 edições mensais. O personagem voltou a ser publicado entre 2002 e 2006 pela Mythos Editora, totalizando 42 números da série mensal em formatinho, além de algumas histórias avulsas nas edições de Seleção Tex e os Aventureiros, em 2005.

A editora Globo, também, publicou um encontro entre o Detetive do Impossível e outro investigador Bonelliano famoso,  Dylan Dog, no especial Última parada: Pesadelo, publicado no Brasil em 1992, pela Editora Record. Esses encontros (ou crossovers) não são comuns na editora Italiana e além desse, Mystère se encontrou com o herói do futuro Nathan Never duas vezes, que nunca foram publicados no Brasil.

Após sua passagem pela RGE/Globo  as histórias eram escolhidas de acordo com decisões editoriais próprias, não mais obedecendo a ordem original de publicações. Prática que foi seguida pela Editora Mythos, responsável por trazer ao Brasil a mais longeva série de Mystère publicada por aqui.

Quando as editoras (tanto Mythos quanto Record) decidiram não se prender à ordem em que as histórias foram originalmente publicadas pela Bonelli, selecionando aquelas tramas que entendem como mais interessantes e com maior capacidade de prender a atenção do leitor brasileiro, numa primeira análise se mostra uma medida inteligente em relação ao mercado nacional, pois garante que cheguem às mãos do leitor episódios com temáticas engenhosas e enredos mais envolventes.

Em contra-partida essa  política editorial  pode, às vezes, confundir um pouco o leitor novato, devido à interligação entre as sagas de Mystère, nas quais personagens que já apareceram em números anteriores fazem novas aparições e referem-se a episódios passados, desconhecidos desses leitores. Acredito que isso foi um dos fatores que afastavam os leitores e dificultavam as vendas, ocasionando tantos cancelamentos.

Outro complicador era que a revista sempre acompanhou o original italiano, publicada em preto e branco. Infelizmente, isto representa um elemento pouco atraente para os leitores brasileiros, já acostumados com as cores berrantes das publicações de super-heróis. Sem dúvida, uma pedra no sapato do herói intelectualizado criado por Alfredo Castelli.

As revistas em quadrinhos de Martin Mystère continuam sendo publicadas na Itália. No título regular (agora bimestral) e nas edições especiais, incluindo uma série colorida. Esperamos, em breve, que aventuras inéditas do Detetive do Impossível voltem às bancas brasileiras!

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  1. Antonio Pereira

    Vamos ter MM e DD em Fortaleza ? Nas bancas ?

    • Thadeu

      Antonio, isso dependerá do sistema de distribuição que a Mythos Editora irá adotar. Normalmente eles tem feito a distribuição setorizada, priorizando Sul e Sudeste e depois as demais cidades, assim como a Salvat tem feito com a coleção Tex Gold.

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