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Séries Bonelli que talvez nunca vejamos no Brasil: Morgan Lost

A Sergio Bonelli Editore se modernizou bastante nas últimas séries lançadas, como exemplo cito Orfani, primeira série Bonelli totalmente publicada a cores. Em Morgan Lost, mais uma grande novidade foi explorada. O personagem sofre de um problema de visão, fazendo com que enxergue em escalas de cinza e vermelho, por isso em todas as edições da série, fora a capa, enxergamos da mesma maneira que Morgan, em apenas tês cores.

Conhecendo a série

Morgan Lost começou a ser publicada em 2015. A série é uma criação de Claudio Chiaverotti (ao lado), autor que já trabalhou com Dylan Dog em alguns especiais, Dylan Dog Gigante e almanaques.

Em 1998 criou Brendon, um mercenário em uma terra pós-apocalíptica. Série também publicada pela Bonelli. Escreveu algumas edições de Martin Mystère até criar Morgan Lost. Morgan é um caçador de Serial Killers de New Heliopolis, uma versão alternativa de Nova York dos anos 1950, onde a Segunda Guerra Mundial nunca aconteceu.

A cidade é cheia de assassinos em série e a polícia criou um Grupo Especial dedicado a apenas capturar este tipo de criminosos. O personagem nasceu no final dos anos 1920 e logo ficou órfão acabando em um orfanato. Ele cresce e torna-se proprietário de um cinema chamado, o Império. Junto à sua namorada, Lisbeth Connor eles administraram o local por um tempo. Uma noite os dois foram sequestrados por homens mascarados que os torturaram. Os bandidos tatuaram uma máscara preta no rosto de Morgan. Lisbeth morre e Morgan se salva.

Ele vende o cinema ao seu velho amigo Fitz e inicia uma carreira de caçador de Serial Killers. Seis anos depois da tragédia, ele vive em um pequeno apartamento no topo de um arranha-céu. Vive atormentado por traumas passados e sofre de insônia. Durante suas investigações descobre seus captores e que Lisbeth não está realmente morta. Ela também se tornou uma assassina em série!

Junto a uma criminóloga, Pandora Stillman, Morgan encontra Lisbeth e descobre que o médico que cuidou dela, (atenção agora que é bizarro) descobriu que Lisbeth tinha a mesma doença que o Diretor do Templo da Burocracia, fingiu a morte de Lisbeth e a vendeu para que os cientistas do Diretor pudessem achar uma cura para ele. A cura não foi encontrada e o Diretor fez de Lisbeth sua parceira, pois ela é a única mulher que pode se relacionar com ele, sem matá-lo!

Características do personagem

Como mencionei acima, Morgan sofre de um problema de visão que o faz enxergar em escalas de cinza e vermelho. Quando se encontra em situação de forte estresse psicológico, ele gagueja, problema que traz desde a época que estava no orfanato.

Ele sofre de insônia, que o faz ficar sem dormir por dias, o que provoca fortes enxaquecas que tenta resolver com analgésicos. Quando está perto do mar, Morgan tem visões estranhas com os assassinos que caçou e matou, sentados em cadeiras o observando.

A tatuagem que tem no rosto, os maníacos que fizeram isso tinham o costume de fazer em outras vítimas. Chamam a tatuagem de “Olhar de Seth”. Morgan chegou a fazer um curso na polícia de New Heliopolis recebendo educação necessária para conseguir rastrear o perfil dos assassinos em série.

Ele tem uma boa preparação física e habilidade de luta corporal bem como no uso de armas de fogo. Usa uma pistola Mateba AutoRevolver. Na fivela de seu cinto tem o símbolo da paz, que pegou de um pingente que Lisbeth tinha ao redor do pescoço no dia de seu sequestro.

Publicações

A série principal iniciou em 2015 e teve 24 edições já concluídas. Em 2017 iniciou uma nova série, Morgan Lost – Dark Novels que está em sua quarta edição.

E então? A série é muito bem construída com várias referências à assassinos bizarros do cinema. Tem um personagem cheio de problemas, dramático e a série regular já está concluída com 24 edições. Teria chance se fosse publicada no Brasil?

Viva Bonelli!

Mais informações sobre o encontro de Zagor e Jovanotti

Chega às bancas italianas dia 2 de março a edição de Zagor n.632 que terá em anexo a história, “O chamado da Floresta”,  um especial com o encontro do Espírito da Machadinha com o músico italiano Jovanotti, fã declarado de Zagor.

A edição n.632 traz a história, “O bando dos implacáveis”, escrita por Antonio Zamberletti e desenhos de Mauro Laurenti. Capa de Alessandro Piccinelli. Em Scanlon Creek, um bando de assaltantes sanguinários cruzam o caminho de Zagor e Chico, que lutam contra os bandidos ao lado da bela Blondie.

Anexo á edição está a história “O Chamado da Floresta”, de Moreno Burattini, roteiro de Michele Masiero e desenhos de Walter Venturi. Serão 26 páginas mostrando o encontro de Zagor e o cantor Lorenzo Jovanotti.

Lorenzo Jovanotti sempre foi um fã declarado de Zagor desde a década de 1970, “gerações inteiras sonharam em se aventurar, nas asas da fantasia com Zagor. Era inevitável que mais tarde nossos caminhos se cruzassem “, comenta Masiero sobre o encontro.

Os personagens favoritos de Jovanotti são exatamente os criados por Guido Nollita (nome artístico de Sergio Bonelli): Zagor e Mister No. Sempre um fã dedicado da Bonelli, a maneira de agradecer o músico por todo o carinho foi transportá-lo para as Florestas de Darkwood e proporcionar uma aventura com Zagor.

“Foi assim que nossa história nasceu, pequena, mas feita com a mesma criatividade artística e qualidade na arte”, completa Masiero.

Reencontrando com Martin Mystère

Trilha pra você escutar enquanto lê:

Em março retorna mais um grande sucesso da Bonelli às bancas brasileiras. Martin Mystère, o Detetive do Impossível pela Editora Mythos. A primeira edição chega no final de março em formato italiano Bonelli.

 

Muito mais que apenas histórias de um Antropólogo Aventureiro, Martin Mystère é um portal para histórias da própria humanidade, porque Alfredo Castelli, o criador desta série Bonelli, é um gênio. Imagino que ao começar a escrever uma história de Martin, Alfredo se enche de milhares de referências, estudos, embasamento profundo sobre os assuntos abordados.

Se fala sobre o Reino perdido de Atlântida? Está lá em uma simples história em quadrinhos muitas informações fruto de pesquisas importantes. Uma história sobre o Rei Arthur? Tome mais uma porrada de estudos e aprendizados que o leitor receberá sem querer, pois estará se divertindo com Martin Mystère!

Criado em 1982 por Alfredo Castelli (acima), um experiente roteirista de quadrinhos que já havia trabalhado com Diabolik, Mickey, Zagor, Mister No, Corriere dei Ragazzi, entre outras, Alfredo deu vida à Martin Mystère, um gênio e herói. Em sua carteira de trabalho consta: professor, pesquisador, antropólogo de fama internacional, escritor e apresentador de TV. Martin é como indiana Jones, ao invés do conforto de um escritório, analisando algum objeto, ele mergulha de cabeça em aventuras em busca de Mistérios.

Mystère tem como parceiro um homem de Neanderthal, Java, encontrado em uma de suas aventuras e sua eterna noiva Diana Lombard.

Giancarlo Alessandrini foi quem idealizou graficamente Mystère, o fazendo com as feições de um Brick Bradford mais velho. Brick Bradford era uma hq da década de 1930 publicada pela King Features. No Brasil foi publicada com o nome de Dick James.

Alessandini trabalhou em várias histórias e também fez capas para a série. Castelli ainda está a frente das histórias de seu personagem, revezando-se poucas vezes com outros autores como Pierfrancesco Prosperi, Tiziano Sclavi e Alessandro Chiarolla.

Mystére é um grande sucesso da Sergio Bonelli Editore desde seu início. Além da série regular, o herói tem como publicações Martin Mystère Special (Anual), Gigante (Anual) e Martin Mystère: Almanacco del Mistero (Anual). Tem também a republicação da série regular em Tutto Mystére que iniciou em 1992.

Chegou a ganhar uma famosa série de desenhos animados que passou na Rede Globo, ao estilo de Três Espiãs Demais. Porém apesar de ter Mystère mais jovem, Java e Diana, a série nada se compara aos quadrinhos.

Martin Mystère é um verdadeiro “tudólogo”: é laureado em antropologia, fez diversas especializações (arqueologia, história da arte, cibernética) e é também um profundo conhecedor da chamada “cultura de folhetim”, Martin adora deixar seus interlocutores espantados com sua sabedoria, mas é uma personagem que está longe de ser um pedante ou vaidoso acadêmico. Por um certo período viveu em um monastério tibetano, onde aprendeu diversos segredos esotéricos e ganhou o místico “terceiro olho”. Seus estudos e pesquisas seguem por caminhos costumeiramente esnobados e ridicularizados pela ciência oficial.

Quadrinhos e Conhecimento

Como já mencionado antes, as histórias de Mystère são altamente criativas, com temas que passeiam pela literatura, história, geografia, antropologia e sociologia. Cada episódio é fonte de informações dos mais variados tipos. Castelli é um ótimo contador de histórias e sua base é muito culta, com interesses em diversas áreas de conhecimento, sempre preocupado em detalhar fatos e acontecimentos dando suporte, credibilidade e fundamentação científica às histórias.

O ritmo da história torna-se lento, porém a trama nos mantém presos para saber o desfecho em cada edição. A maioria dos leitores acaba concluindo que a persistência vale a pena e a quantidade de conhecimento adquirido pela leitura de Martin Mystère é incrível.

No Brasil

A Editora Rio Gráfica foi a primeira a trazer Martin ao Brasil publicando treze números de 1986 a 1988. Em seguida veio a Record com dezessete números de 1990 a 1992, além de um crossover com Dylan Dog. Na Editora Globo, Martin apareceu no Especial Fumetti: O melhor dos quadrinhos italianos, em 1993.

O personagem foi publicado pela Editora Mythos de 2002 a 2006 em 42 números mensais. O formato foi o mesmo de Tex, menor.

Mystère foi publicado também nas seis edições de Tex e os Aventureiros, em 2005.

Conheça Nick Raider, um Tira da Pesada

 Dica de trilha para ouvir enquanto lê. Nada melhor pra combinar com Nick Raider do que a trilha de Um Tira da Pesada, com Eddie Murphy:

Esta é uma das séries mais divertidas da Bonelli. Nick Raider: Divisão de Homicídios. Claro, que pelos personagens investigarem homicídios ela mantém um tom mórbido e de violência, porém os personagens são muito bem construídos, personalidades fortes, divertidos e que nos puxam, leitores, a investigar e fazer parte da história com eles. A série retorna às bancas brasileiras em maio e merece aqui no Confraria um bom embasamento para leitores que virão a conhecer a série e aqueles que querem matar a saudade.

A série policial da Sergio Bonelli Editore, Nick Raider, foi criada por Claudio Nizzi (ao lado), famoso escritor de Tex e publicada de 1988 a 2005 em 200 números. Na grande maioria das capas há um contorno amarelo envolvendo a imagem principal. Este quadrinho mistura as atmosferas do thriller e romance policial com o noir. Nick Raider tem uma narrativa gráfica dinâmica, com elementos clássicos da narrativa policial e as tramas giram em torno de investigações bem detalhadas e desfechos com tiroteios e perseguições emocionantes.

Nizzi se inspirou no gênero policial que estava em alta na época e na série de romances do 87º Distrito, escrito por Ed McBain. Nizzi, que escreveu por anos Tex, levou um pouco da personalidade do herói do velho oeste para Nick Raider, que é um herói corajoso, habilidoso e sortudo, sempre tendo sucesso. É chamado de “O Tex de Nova York”.

Como em várias outras séries Bonelli, Nick Raider tem a aparência inspirada em um ator do cinema. Nick tem as feições do jovem Robert Mitchum (acima). Está sempre vestido com uma capa de chuva sobre os ombos e uma arma presa ao cinto.

O quadrinho estreou em 1988 publicado pela Daim Press (futura Sergio Bonelli Editore) e encerrou em janeiro de 2005 devido às baixas vendas. Além das 200 edições da série regular, foram publicados anuais desde 1989. De 1993 a 2004, Nick Raider ganhou um almanaque com histórias inéditas e artigos sobre o gênero policial.

Entre os autores que participaram da série estão, Gianfranco Manfredi, Michele Medda, Tito Faraci, Gino D’Antonio, e muitos outros. Desenharam a série Aldo Capitanio, Bruno Ramella, Ivo MIlazzo, Sergio Toppi e outras feras. Do nº 1 ao 43 as capas foram feitas por Giampiero Casertano e Bruno Ramella assumiu da nº 44 até 99. Da 100 até a 200, quem desenhou foi Corrado Mastantuono.

Quem é Nick Raider?

Raider é um investigador da Divisão de Homicídios de Nova York que, junto ao seu parceiro Marvin Brown investiga crimes de homicídio (claro) na Big Apple. O líder da Divisão é o tenente Arthur Rayan, que falha em controlar o gênio explosivo de Raider e defende a burocracia e o ostracismo de seu chefe, o capitão Vance, que Nick chama de “Oi Querida”, pois ele sempre está ao telefone com a esposa.

Não há vilões na série, pois cada história traz um caso a ser resolvido pela Divisão. A única força do mal que é recorrente é o chefão da máfia Luca Clementi, líder da organização criminosa Cruz Negra.

De origem italiana, o pai de Nick também foi policial, porém uma série de discussões fez ele se afastar de seu pai, principalmente pelo pai ter agravado as condições de saúde da mãe de Nick. Quando jovem Nick sai de casa e volta apenas quando o pai vem a falecer. A mãe é internada em um hospital psiquiátrico. Algumas experiências fazem com que Nick entenda melhor a figura do pai, recuperando o carinho por ele e o fazendo entrar na polícia para honrar a memória do pai.

Parceiros

Marvin Brown. Companheiro habitual do protagonista e inspirado em Eddie Murphy no filme Um Tira da Pesada. Pela época e pelas referências do início da década de 1990, vemos na relação de Nick e Marvin uma amizade, mas também várias brincadeiras racistas entre os dois. Marvin é um brincalhão e não chega a levar isso como ofensa.

Jimmy Garnet é um tímido investigador especializado em pesquisa e informática.

Alfie é um anão que sabe de tudo que acontece na cidade. É o principal informante de Nick e passa o dia jogando poker e jogos de azar em um bar.

Sargento Ward é um agente de serviço na central telefônica que passa o tempo contando piadas que não são engraçadas.

Dr. Bloom: um médico legista com senso de humor muito ligado ao assunto “cadáveres”.

Mary Ford: agente detetive com quem às vezes Nick tem aventuras românticas.

No Brasil

Nick Raider foi publicado primeiramente pela Editora Record, em formato original italiano em 1991. Durou apenas 10 edições e foi cancelada.

Dez anos depois a Editora Mythos publicou a série de agosto de 2002 a fevereiro de 2004 também com vida curta. Apenas 16 edições.

Tanto na Record quanto na Mythos respeitou-se a maneira das capas com os contornos amarelos nas bordas. A Mythos fez algumas em branco.

Em maio Nick Raider volta às bancas brasileiras mais uma vez pela Editora Mythos. Estão programadas quatro edições para este ano, com 96 páginas cada uma em formato original italiano.

Que os leitores conheçam e gostem bastante. É uma série que vale muito a pena!

Viva Bonelli!

 

Vamos falar de Ken Parker

Segue uma dica de trilha para escutar enquanto lê. Esta faz parte do filme Jeremiah Johnson (Mais forte que a vingança), filme que foi uma das principais inspirações para Ken Parker:

Ken Parker provavelmente pode ser considerada uma obra-prima. Todos que conhecem este grande trabalho de Giancarlo Berardi (à direita) e Ivo Milazzo (à esquerda na imagem ao lado) se apaixonam. É um faroeste diferente, um personagem cativante e a principal qualidade é que se trata de histórias humanas, com falhas, acertos, tragédias, vitórias… tudo que qualquer pessoa passa na vida.

Criado em 1974 para uma edição especial da coleção de faroeste Collana Rodeo, Ken Parker logo agradou a nada menos que Sergio Bonelli e este transformou em série regular. A primeira edição chega às bancas italianas em junho de 1977, publicado pela Editoriale Cepim (atual Sergio Bonelli Editore). Foram então 59 episódios até 1984 e algumas aventuras publicadas em revistas e edições especiais.

Seus temas densos falavam de violência, racismo e a busca pelo eu. Ken Parker é baseado no personagem Jeremiah Johnson, interpretado por Robert Redford no filme de 1972, “Mais Forte que a Vingança”. Filme incrível, recomendo fortemente. Berardi escreveu os 59 episódios da série original, com pontuais colaborações de Mantero, Castelli e Sclavi.

Os primeiros cinco episódios foram  desenhados por Ivo Millazo que também contou com diversos colaboradores,  os mais frequentes eram Alessandrini, Marrafa e Trevisan. Milazzo foi o autor de todas as belíssimas capas da série, obras de arte em aquarela.

Berardi e Milazzo criaram sua própria editora em 1989, a Parker Editore e republicaram os 59 episódios de Ken Parker. Batizada de Serie Oro, foram acrescentadas mais três edições que saíram na série Collana West, totalizando 62 álbuns. Em 1992 foi lançado Ken Parker Magazine, formato maior, 19,5 x 26 cm, a nova revista trazia aventuras inéditas, reportagens e trabalhos de outros ilustradores como Alex Toth. Depois da edição dupla 19/20 em 1994, a série passou a ser editada pela Sergio Bonelli e foi até o número 36 de 1996. A Bonelli lançou ainda quatro edições semestrais de Ken Parker Speciale entre 1996 e 1998, cada um com 180 páginas.

O Ken Parker

Berardi sempre diz que, “Ken Parker é um homem de hoje, com os problemas de hoje. Não tem nenhuma certeza, nenhuma segurança, vive dia após dia com seus próprios ideais, buscando ardente, desesperada, corajosa e dolorosamente ser coerente”. Seu apelido é Rifle Comprido devido ao seu arcaico fuzil Kentucky. Ele é um Trapper (caçador de peles), já foi batedor do exército, xerife, detetive, caçador de baleias, escritor…. Ele faz mil trabalhos no selvagem e violento mundo do velho oeste.

Parker nasceu em 20 de novembro de 1844 em Buffalo, Wyoming, tinha como pais Lucy e Jed Parker. Tinha também um irmão, Bill, que seria assassinado no primeiro número, o que motivaria o herói a caçar seus assassinos. Este acontecimento se dá em 29 de dezembro de 1868, o herói teria 24 anos. O curioso é que Parker nem sempre vencia seus obstáculos e, muitas vezes, ia até para a prisão. Esse lado humano é o que mais prevalece na série e estende-se aos coadjuvantes.

Ele é prático, realista, positivo e capaz de amar e se doar com generosidade. A singularidade do personagem o deixa bem distante de heróis como Tex e Zagor. Inclusive Sergio Bonelli sempre disse que seu personagem preferido de faroeste era Ken Parker.

De vida errante, Ken Parker teve vários acompanhantes de aventuras. Por um tempo, ele foi membro da tribo indígena Hunkpapa, quando se casou com Tecumseh, posteriormente morta em um ataque do exército americano. Theba, filho de Tecumseh (fruto de um casamento anterior) vive atualmente em Boston, com o nome de Teddy, e considera Rifle Comprido seu verdadeiro pai.

No Brasil

Em 1978 estreava Ken Parker pela Editora Vecchi. Em agosto de 1983, após 53 edições mensais sua publicação foi cancelada. Em janeiro de 1990 a Editora Best News retornou com o personagem mas publicou apenas duas edições equivalentes aos números 54 e 55, continuação da Vecchi.

Em 1994 a Editora Ensaio publicou um especial em formato grande com as histórias Os Cervos e Um Hálito de Gelo, esta extraída da série Collana West.

Em setembro de 2000 a Editora Mythos retomou a publicação regular da série, publicando até 2002 18 edições. Estas edições foram uma série extra que saiu na Itália após o término das 59 edições originais.

 

Veio então a Editora Tendência (hoje Tapejara) que em parceria com o CLUQ – Clube dos Quadrinhos relançou os 53 números da Vecchi, os dois da Best News e os últimos quatro números que faltavam e até aquele momento inéditos no Brasil. Esta coleção foi publicada inteiramente em formato italiano.

O Cluq lança em 2007 quatro histórias coloridas que se concluem em 2008. Em 2011 publica “Um Hálito de Gelo”, que havia sido publicada pela Editora Ensaio e em 2012, “Onde Morrem os Titãs”.

Em 2013, o Cluq inicia uma nova coleção publicando “Os Condenados”, história escrita por Berardi e Mantero, com arte de Pasquale Frisenda e Laura Zuccheri, capa de Ivo Milazzo. Depois publica, “Nos Tempos do Pony Express”, produzida pelos criadores originais. Em 2014 “As Aventuras de Teddy Parker”, escrita por Berardi e ilustrada por Giorgio Trevisan. Em 2015 inicia a publicação de Ken Parker Magazine, cuja última edição, a n.9 data de dezembro de 2016.

Para conseguir as edições de Ken Parker no Brasil é um martírio. As edições do Cluq são caríssimas por terem bom acabamento e tiragem reduzida. As da Vecchi já não se encontram todas em boas condições de leitura. E as mais fáceis de se achar e com bons preços são as da Mythos.

Viva Bonelli!

Conhecendo Nathan Never

Segue uma dica de trilha sonora pra você escutar enquanto lê. Aperte o Play:

Estamos em 2018, a justiça continua um caos, o mundo está de pernas pro ar e uma das maiores novidades é o retorno de Nathan Never às bancas brasileiras. A Editora Mythos anunciou para maio, Nathan Never n.1, primeira de quatro edições programadas para este ano. A passagem de Nathan pelo país sempre foi tumultuada, então vale aqui um texto introdutório para os fãs que querem conhecer mais esta grande obra Bonelli.

Vamos voltar para o ano de 1991, quando Nathan Never foi criado por Antonio Serra, Bebi Vigna e Michelle Medda. O idealizador gráfico de Nathan Never foi o romano Claudio Castellini. Com um traço fortemente influenciado por John Buscema e Neal Adams, fez as capas até o número 59 e desenhou a primeira história e a hq curta “Luna”. Depois assumiu Roberto De Angelis, com um traço de fortes elementos cyberpunk.

Os atores Harrison Ford, Mickey Rourke e Clint Eastwood serviram de modelo para a elaboração das feições de Nathan Never. O policial Rick Deckard, de “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (1982), interpretado por Ford, também é uma influência marcante no personagem.

De 1991 pulamos para o século XXII, mais exatamente para o ano 2105, período este onde se desenrolam as aventuras de Nathan Never em um mundo profundamente modificado geograficamente devido às terríveis catástrofes de 2024. Nathan é cidadão de uma megalópole destruída, localizada na costa oriental dos ex-EUA.

Nascido na bucólica cidade de Gadalas, Nathan ficou órfão por culpa da Yakuza, a máfia japonesa. Ao fim de sua adolescência, alistou-se na Infantaria Espacial e durante este período conheceu sua futura esposa, Laura Lorring. Ao retornar à Terra após completar o serviço militar, ele entrou para a polícia e um ano depois nasceu a filha do casal Ann.

Como sargento, Never se destacou como melhor policial de sua unidade, mas a obsessão pelo trabalho o tornou egoísta. Seu casamento entrou em crise devido à constantes discussões, e Nathan se envolveu com a Procuradora Distrital Sarah McBain. Depois de um destes encontros Nathan recebe a notícia que sua esposa havia sido assassinada pelo criminoso Ned Mace e sua filha foi raptada pelo mesmo. Ann é libertada meses depois, mas a terrível experiência mergulhou a garota em um estado de autismo e ela é internada no sanatório Sinclair Asylum.

Nathan se sentiu profundamente culpado por não estar com sua família quando elas mais precisavam, a ponto de seus cabelos ficarem brancos prematuramente. Ele refugiou-se na estação orbital Tersicore, onde aprendeu a arte marcial Jett Kune Do (estilo de Bruce Lee), tornando-se um mestre Shaolin. Anos depois, o empresário Edward Reiser propôs que Nathan fizesse parte de sua agência de segurança privada, a Agência Alfa. Ele aceita para somente poder pagar o tratamento que iria curar sua filha.

Melancólico e solitário, Nathan Never dedica-se ao máximo ao seu trabalho e coleciona livros e discos como lembranças de uma época que não viveu.

Mundo

O Agente Especial Alfa vive na Cidade Leste, megalópole da costa oriental da América do Norte (mesmo local de Nova York). Os Estados Unidos não existem mais pois o país foi fragmentado em cidades-estado.

A cidade é um emaranhado de arranha-céus luminosos e enormes edifícios metálicos, telões gigantes, veículos voadores, estruturas entrecortadas por estradas. Tudo lembra muito Blade Runner.

Entre seus parceiros está Rebecca “Legs” Weaver (ao lado), personagem inspirada em Sigourney Weaver dos filmes Alien. Dura, violenta, sarcástica e letal. Ganhou série própria na Bonelli em 1995. A Agente Especial é especialista em armas pesadas, artes marciais e explosivos de qualquer tipo. Amiga e colega de Nathan, foi a primeira pessoa recrutada por Reiser para a Agência Alfa.

Temos também Sigmund ‘Siggy’ Baginov. Polonês, especialista em informática avançada, ciberespaço e dispositivos bélicos computadorizados. Tem a característica peculiar de gaguejar quando se comunica com as pessoas, mas não quando fala com máquinas.

Edward Reiser é o chefe da Agência Alfa, com quem Nathan vive discutindo. Pragmático, exige resultados de seus agentes.

As irmãs May e April Frayn trabalhavam com o pai, Donald Frayn, roubando obras de arte. Deixaram esta atividade e se juntaram à Agência Alfa. Compõem ainda os personagens o cínico Andy Havilland, o agente Jack O’Ryan, o negro Al Goodman e a recepcionista da Agência Alfa, Janine Spengler.

O grande inimigo de Nathan Never é o líder da “Seita da Divina Presença”, Aristotele Skotos (ao lado). Sob a fachada de profeta, ele comanda uma vasta organização criminosa, auxiliado por seu filho, o perverso Kal Skotos.

Hoje Nathan Never está no número 321 e é a terceira série da Bonelli mais vendida na Itália, perdendo apenas para Tex e Dylan Dog.

No Brasil

Apenas cinco meses depois de sua estreia na Itália chegava no Brasil, pela Editora Globo a primeira edição de Nathan Never. Em um formato e qualidade idênticos ao original italiano e seguindo a ordem cronológica italiana. Foi até a oitava edição e encerrou em 1992.

Apareceu na história “Luna” do especial “Fumetti – O Melhor dos Quadrinhos Italianos”, da Globo em 1993.

Em fevereiro de 2005 a Editora Mythos ensaiou a volta do personagem na edição “Seleção Bonelli Comics: Tex e os Aventureiros”, porém devido à problemas contratuais, o personagem apareceu apenas na primeira edição.

A Ediouro já havia firmado acordo para publicar Nathan Never. Editora esta que até então só publicava palavras cruzadas.

 

A Ediouro então lançou uma mini-série de Nathan Never em duas edições e ficou por isso mesmo.

Até que finalmente em 2018 vamos ver o retorno do Agente Especial Alfa às bancas.

Que faça sucesso este personagem tão rico e especial no mundo Bonelliano.

 

 

 

Viva Bonelli!

Nova Graphic Novel de Tex chega às bancas italianas dia 23

Chega às bancas italianas na próxima sexta-feira (23), Giustizia a Corpus Christi (Justiça em Corpus Christi), nova Graphic Novel de Tex. Com roteiro de Mauro Boselli, desenhos e capa de Corrado Mastantuono e cores de Matteo Vattani

Esta é uma série que vem fazendo um grande sucesso tanto na Itália quanto no Brasil, conseguindo angariar novos leitores para Tex devido ao formato da edição. Colorida, objetiva e com artes belíssimas. Justiça em Corpus Christi é a sétima Graphic Novel de Tex na Itália e no Brasil a Mythos publicou até o momento quatro edições, sendo que a primeira, O Herói e a Lenda é considerada o número zero.

A história deste volume remete mais uma vez à juventude de Tex, especialmente no período tumultuoso em que nosso herói era perseguido como fora-da-lei. Caçado por acusações falsas, Tex enfrenta entre tiroteios e reviravoltas, pistoleiros que querem sua pele. Conseguirá ele enfrentar estes elementos nas ruas de Corpus Christi? Ao seu lado Tex conta com a ajuda de um parceiro Ranger e seu irmão Sam Willer!

Viva Bonelli!

Bonelli revela projetos de seu novo selo adulto AUDACE

A Sergio Bonelli Editore na última semana falou um pouco mais sobre seu novo selo editorial, o AUDACE. Michele Masiero, Editor Editorial da Bonelli ressaltou que neste selo serão apresentados projetos com uma narrativa e caracterização gráfica com um estilo mais “adulto” em relação aos hábitos da editora.

Um gostinho desta proposta aconteceu no último evento Lucca Comics, um dos principais da Itália, com o lançamento do volume de Dragonero Senzanima, um Spin-Off mais dark da série regular.

Em Outubro de 2018, sob este selo será publicado o primeiro volume de Loose Dogs – Sessenta e oito. Uma edição escrita por Gianfranco Manfredi por ocasião do cinquentenário dos tumultos estudantis de 1968. Loose Dogs conta a vida de um grupo de amigos que em 1968 frequentam a universidade em Milão e se envolvem no clima de protesto deste momento particular. A história segue os protagonistas até a década de oitenta, com uma narração que não necessariamente respeita a linha cronológica de eventos, entre a Itália, a Europa e o resto do mundo, incluindo o golpe do Chile em 1973.

Esta é a primeira incursão verdadeira da Bonelli na história italiana recente, mas a intenção não é apresentar os acontecimentos de forma didática, mas seguir a vida quotidiana dos personagens, entender como o mundo estava e acabou se transformando. Os desenhos e design dos personagens é de Luca Casalanguida.

Outra edição sob este selo será Deadwood Dick. O escritor americano Joe R. Landsdale se inspirou na figura real de Nat Love (ao lado), um pistoleiro negro que começou a agir logo após a Guerra de Secessão, apelidado de Deadwood Dick. Landsdale fez deste o protagonista de várias de suas histórias. A Bonelli adaptará sete das histórias de Landsdale em quadrinhos com os roteiros de Michele Masiero, Maurizio Colombo e Mauro Boselli. As artes serão de Corrado Mastantuono, Pasquale Frisenda e Stefano Andreucci. Deadwood Dick trará um velho oeste sujo e durão, bem ao estilo das histórias de Landsdale.

A terceira proposta do selo Audace será nada mais, nada menos que o nosso querido Mister No, em Mister No Revolution. Será uma proposta de uma versão especial de Jerry Drake, um “experimento” sobre a pele do personagem realizada por Michele Masiero e com os desenhos de Matteo Cremona e Alessio Avallone. Cores de Giovanna Niro, Alessia Pastorello Luca Saponti e Stefano Aquaro. No entanto não foi revelado mais nada sobre este projeto, mas algo será mostrado na Lucca 2018.

Ainda estão na lista uma nova aventura do personagem “O Desconhecido”, de Magnus, “Darwin”, “10 de outubro” e “K-11”, que serão revelados ao decorrer do ano.

Uma curiosidade é que Audace foi o primeiro nome da Sergio Bonelli Editore. Fundada por Gianluigi Bonelli em 1940 como Redação Audace, em 1945 o nome mudou para Editora Audace para então começarem a publicar um dos mais longevos personagens dos quadrinhos italianos: Tex Willer.

Viva Bonelli!

Histórias de Tex por gênero: Passado de Tex e seus Pards

Antes de começar aperte o Play nesta trilha de Red Dead Redemption e animar a leitura:

Olá a todos!

Vamos para mais um compilado de ótimas histórias de Tex por gênero. Desta vez vamos destacar algumas das principais edições do Tex Mensal que falam de seu passado e de seus companheiros.

Ler mais

Martin Mystère em 2018

O inoxidável Alfredo Castelli, editor, criador e roteirista de Martin Mystère nos conta o que teremos este ano na série regular do Detetive do Impossível

Alfredo comenta que o atraso da Bonelli em divulgar as novidades para Mystère este ano é que, “estávamos decidindo quais das muitas iniciativas podemos falar agora e quais manteremos em segredo para surpreendê-los no momento certo!”

Castelli conta que uma das primeiras histórias do ano é, “A estranha morte do Sr. Max”, de Enrico Lotti e Alfredo Orlando, que já está nas bancas italianas. Aparentemente, o Sr. Max é uma pessoa comum, como muitos outros, mas tem um problema sério. Ele morreu. E faz isso o tempo todo. Cada vez que ele acorda, incrédulo, morre logo depois, e não pode fazer nada para evitar. É por isso que ele procura o Detetive do Impossível, que logo descobre que Max não está mentindo.

Lotti, Castelli e Ongaro trarão a aventura “O deus que veio do mar”, em abril. “Imagine que um dia você bate à sua porta e um grupo de pessoas veio lhe adorar”, comenta Castelli sobre a história. Ongaro também está trabalhando em uma história especial com uma equipe muito incomum: O Detetive do Impossível encontra um personagem muito popular que não tem nada a ver com a Bonelli e o mundo dos quadrinhos. “Para descobrir, você precisa confiar na magia!”, conta Castelli com suas charadas.

Sherlock Holmes aparecerá na história de junho, “O Caso de Matilda Briggs”, por Andrea Artusi, Ivo Lombardo e Carlo Verardi. O falecido Paolo Morales deixou muitos belos textos que serão publicados ainda este ano. Entre eles, em junho, “Nomoli”, ilustrados por Emposito Bros. A dupla Castelli-Lotti retorna em outubro com “Quimera”, ilustrada por Giovanni Romanini. E na edição de dezembro, finalmente, você descobrirá quem foi realmente o “Pied Piper”, em uma história de Castelli e Lotti, ilustrada por Coppola.

O Especial de Verão trará Torti e Recagno em uma história Arthuriana (Rei Arthur) intitulada “Camelot 2018”. Recagno e Antonio Sforza trarão a história, “Os três homens que despertaram Cthulhu”. Cthulhu, o personagem de H.P. Lovecraft encontra os “Três Homens”, do humorista inglês Jerome K. Jerome, “que irá se revirar no túmulo pois odiava quadrinhos”, comenta Castelli.

Giancarlo Alessandrini está produzindo o Especial 2019 de Martin Mystère, em um cenário ao estilo de Frank Capra (de Manfred Sommer). No verão italiano será publicado um volume gigante com o melhor da “Zona X”.

Após o sucesso de “A mulher Leopardo”, de Andrea Carlo Cappi, o roteirista agora está escrevendo uma outra história para este ano. O jovem Martin Mystère dará as caras em uma aventura escrita por Pierdomenico Baccalario (Ulysses Moore), autor de numerosos e afortunados volumes de aventura para Jovens Adultos. O protagonista não é o “habitual” Martin Mystère, mas o de “As novas aventuras em cores” e a história fará um link entre o “Novas Aventuras” de 2017 com o já previsto a ser publicado em 2019.

Durante a Cartoomics 2018, histórica feira de quadrinhos de Milão que acontecerá de 9 a 11 de março, Martin Mystère receberá uma homenagem da Disney, onde Mickey será “Topin Mystère”, do mesmo jeito que foi feito com Dylan Dog. A edição será escrita e ilustrada por Casty.

Para final de março o tão esperado retorno de Martin Mystère ao Brasil, que voltará a ser publicado pela Editora Mythos. Mystère chegou ao país em 1986 pela RGE/Editora Globo, e dois anos depois foi cancelado na 13ª edição. Em 1990, a Record passou a publicar a revista, no formato original italiano que chegou ao fim em 1992 após 17 edições mensais. A Mythos de 2002 a 2006 publicou 42 volumes da série mensal em formatinho, além de histórias avulsas nas seis edições de Seleção Tex e os Aventureiros, em 2005.

Martin também participou de um crossover com Dylan Dog publicado pela Record na edição: Última Parada: Pesadelo. Em 1992.

Na Lucca Comics, Castelli disse que estão sendo preparadas muitas novidades, inclusive projetos envolvendo o próprio Castelli. Mas não revelou nada mais que isso.

Viva Bonelli!

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